Autores

Salman Rushdie, híbrido e multicultural

Que o  escritor Salman Rushdie é um dos meus favoritos vocês já sabem, inclusive o nome do blog deriva do nome de um dos livros de Rushdie, Haroun e o mar de histórias. Minha admiração vem do fato de que ele não é apenas um autor, mas é também um pensador da cultura,  da contemporaneidade, da sociedade em que vivemos, do mundo globalizado. Salman Rushdie e José Saramago – dois dos top ten da minha lista de favoritos – são o que considero escritores filósofos. Lendo um livro de Stuart Hall – um dos maiores pensadores sobre diáspora africana, cultura, raça e gênero da atualidade -, me deparei com um trecho da defesa que Salman Rushdie escreveu para Os versos satânicos, livro pelo qual foi jurado de morte por um aiatolá. Vale a pena ler, porque Rushdie não fala apenas do seu livro, fala de todos nós, seres híbridos e multiculturais na essência, visto que, em maior ou menor grau, sofremos a influência do outro, estrangeiro, e deixamos nele também as nossas marcas…

“No centro do romance está um grupo de personagens, a maioria dos quais é constituída de muçulmanos britânicos, ou de pessoas não particularmente religiosas, de origem islâmica, lutando precisamente com o mesmo tipo de problemas que têm surgido em torno do livro, problemas de hibridização e guetização, de reconciliar o velho com o novo. Aquelas pessoas que se opõem violentamente ao romance, hoje, são de opinião de que a mistura entre diferentes culturas inevitavelmente enfraquecerá e destruirá sua própria cultura. Sou da opinião oposta. O livro Os Versos Satânicos celebra o hibridismo, a impureza, a mistura, a transformação que vêm de novas e inesperadas combinações de seres humanos, culturas, ideias, políticas, filmes, músicas. O livro alegra-se com os cruzamentos e teme o absolutismo do puro. Mélange, mistura, um pouco disso  e um pouco daquilo, é dessa forma que o novo entra no mundo. É a grande possibilidade que a migração de massa dá ao mundo, e eu tenho tentado abraçá-la. O livro Os Versos Satânicos é a favor da mudança por fusão, da mudança por reunião. É uma canção de amor para nossos cruzados eus”.

(Rushdie, 1991, p.394 in HALL, Stuart, A identidade cultural na pós-modernidade, DP&A Editora, 2005, 11ª edição)

=================

Leia também:

>>Resenha sobre Os Versos Satânicos publicada aqui no blog

Anúncios

5 thoughts on “Salman Rushdie, híbrido e multicultural”

  1. Olá Andreia,
    recorri a esse blog com intuito de esclarecer-me um pouco sobre esse tema, é que tenho um seminário sobre o Hibridismo para apresentar na faculdade. Me ajudou bastante! Obrigada.

  2. Caro amigo,

    Comecei a leitura deste livro e estou de acordo com sua opinião sobre a importancia do autor e sua obra.

    Um abraço e sorte…

    Walter Pinto

    1. Oi Walter,
      Obrigada pela visita e pelo comentário, mas só uma pequena correção: é “Cara amiga”, rsrsrsr. O blog é inegavelmente fruto da mente de uma mulher. Um abraço!

      1. Olá Andreia,

        Desculpe a falta “leve”, mas é que eu sou daqueles que apertam o botão da secadora de mãos antes de secá-las. Um pouco… digamos… apressado ou… tento fazer mais de uma coisa ao mesmo tempo e acabo assim.

        Um abraço e obrigado!

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s