Artigos, Bala no Alvo, Geral

Ainda a violência contra a mulher

Gostaria de não precisar mais voltar a este tema. Mas, infelizmente, atos bárbaros continuam ocorrendo e não posso deixar de manifestar minha indignação diante de fatos assim. Também não posso deixar de fazer campanha para a punição dos agressores. O que me motiva a abordar novamente no blog o tema da violência contra a mulher é um crime que nos últimos dias chocou Salvador. Uma assistente social foi brutalmente torturada e espancada pelo marido, no último dia 25 de junho. Não satisfeito, ele ainda desferiu dois tiros contra a sua vítima indefesa. O motivo: ciúme obsessivo, o que mais seria? O autor das barbaridades é professor de educação física e lutador de artes marciais, um homem, portanto, de compleição robusta. Motivado por desconfianças e na tentativa de arrancar à força da esposa a “confissão” de traição, o marido levou quatro horas torturando-a, queimou-a com leite quente, cortou seus dedos, bateu, humilhou…

A jovem saiu da UTI nesta segunda-feira, 29, mesmo dia em que o agressor foi finalmente capturado e preso pela polícia. Nos resta, mulheres indignadas com tamanha covardia, exigir que ele seja punido, que a justiça não faça concessões, que não haja atenuantes e que a Lei Maria da Penha seja fielmente cumprida. Essa moça merece ver seu agressor apodrecer na cadeia. Não vai apagar as marcas que ficarão no seu corpo e na alma pelas violências que sofreu, mas ao menos a justiça, de alguma forma, será feita. Assim, quem sabe, atenua-se o sofrimento da jovem e de sua família.

Casos como o dessa jovem precisam ser divulgados o máximo possível. Seja na grande mídia, seja entre as redes de relacionamento. Todo mundo precisa ficar sabendo que esse tipo de brutalidade ainda acontece no século XXI, na era da informação. Quanto mais gente souber, mais gente vai aderir a campanha para que as agressões cessem. Não é possível que um casal não consiga resolver suas diferenças dialogando, que dois adultos não consigam ser francos e botar as cartas na mesa, falar das suas desconfianças, ouvir o que o outro tem a dizer, dar um voto de confiança à palavra do outro, exercitar a compreensão. Se nada disso funciona, então é melhor que a relação nem exista.

No seu depoimento à polícia, o agressor teve a coragem de dizer que a esposa confessou tê-lo traído. Mas quem, em sã consciência, na mira de uma arma, após ter sofrido tortura, não confessaria? Era assim, na base da tortura física e psicológica, que o Santo Ofício, na Idade Média, conseguia fazer pessoas inocentes confessarem heresias durante a Inquisição. Era assim que nos porões da Ditadura se arrancava confissões dos presos, apelando para a tortura. A dor enfraquece e confunde. Para fazer o sofrimento parar, uma pessoa esgotada pelo sofrimento diz qualquer coisa, assina qualquer coisa. É triste perceber que na nossa sociedade, ainda existem homens que se acreditam proprietários das esposas e se julgam no direito de as mutilar.

Vamos nos informar sobre a lei, vamos divulgar os casos de agressão e vamos exigir que a justiça cumpra seu papel. Que este professor, este monstro que nem merece ser chamado por uma profissão tão nobre, pague pelo crime que cometeu e que outros monstros como ele também paguem!

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Leia as reportagens sobre a agressão à assistente social baiana:

>>Lutador foge após torturar esposa em Vilas do Atlântico

>>Lutador que agrediu a esposa continua foragido

>>Mulher torturada pelo marido deixa UTI

>>Polícia prende agressor de assistente social

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