Desafio: #1livroporfinaldesemana – Livro 13 – Vertigo (Boileau – Narcejac)

“As estátuas de grandes olhos vazios, com seus pés postos um atrás do outro, olhavam-nos passar. Havia, de longe em longe, sarcófagos que reluziam como celofane, blocos de pedra rodeados por signos indecifráveis e, nas profundezas solenes das salas vazias, cabeças assustadoras, rostos estropiados pelo tempo, bichos acocorados, toda uma fauna monstruosa e paralisada.”

Um-corpo-que-cai

O escolhido para a tag #1livroporfinaldesemana, lido entre os dias 23 e 24/07/16, foi o suspense Vertigo (Um corpo que cai), da dupla de autores Pierre Boileau e Thomas Narcejac. O livro, lançado em 1954, foi escrito especialmente para Alfred Hitchcock. O filme homônimo, dirigido pelo “mestre do suspense”, estreou em 1958…

Uma foto no Insta e uma resenha no Mar

Vertigo é um policial noir ambientado na França, no período da II Guerra. Antes dessa nova edição, pelo Grupo Editorial Autêntica, a história criada pelos autores Pierre Boileau e Thomas Narcejac, recheada de suspense e mistério, já era bastante conhecida do público brasileiro graças ao clássico de 1958, Um corpo que cai, do cineasta Alfred Hitchcock, estrelado por James Stewart e Kim Novak, considerado um dos melhores filmes de suspense de todos os tempos.

Mas, embora traga todos os elementos típicos dos thrillers de detetive, Vertigo guarda surpresas e um plot twist que possivelmente surpreenderá quem nunca assistiu ao filme de Hitchcock e dará uma nova perspectiva a quem já conhece o desfecho da história. O livro tem a mesma narrativa ágil e vertiginosa da adaptação cinematográfica, mas com o adendo de possibilitar uma leitura mais psicológica de suas entrelinhas.

Vertigo nos apresenta a Flavières, um detetive particular amargurado e frustrado, que é contratado por um ex-amigo dos tempos do colégio para seguir a esposa deste, uma jovem atormentada pelas lembranças da bisavó falecida e que começou a se comportar de forma estranha, tendo lapsos de memória e sempre imersa em profunda melancolia.

O amigo de Flavières, Gévigny, é um magnata que fez ainda mais dinheiro com a guerra. Na visão do detetive, seu amigo não merece todo o dinheiro que tem e nem deveria ser casado com a bela Madeleine. Para o investigador, a moça, uma loira fatal como é bem do estilo da literatura noir, está apenas entediada pelo casamento com um “sujeito comum”.

O tempo todo, o leitor é induzido a enxergar Gévigny e Madeleine pelo olhar passional, invejoso e meio obsessivo de Flavières, que como não poderia deixar de ser, se apaixona pela esposa do amigo e passa a fantasiar situações em que resgataria a bela jovem do seu pretenso casamento infeliz.

Vale chamar a atenção para o fato de que Flavières tem o mesmo tipo de personalidade nervosa e maníaca de Bentinho, o protagonista de Dom Casmurro (Machado de Assis). O fato da história ser contada do ponto de vista do detetive também guarda semelhanças com o clássico brasileiro do século XIX.

Aos mais atentos, os indícios da reviravolta final estão estrategicamente escondidas ao longo da história.  E para quem nunca assistiu Um corpo que cai, vale fazer a dobradinha ‘leia o livro – veja o filme’. Inclusive, Boileau e Narcejac, que lançaram Vertigo em 1954, escreveram a história como forma de resgatar uma dívida com Alfred Hitchcock.

Alguns anos antes, o cineasta britânico tinha tentado, sem sucesso, adquirir os direitos de filmagem de uma outra obra de suspense da dupla. A partir daí, os escritores pensaram em uma nova história bem nos moldes da filmografia hitchcokiana, propositalmente escrita quase como um roteiro. Só faltava mesmo gravar!

Ficha Técnica:

vertigoVertigo (Um corpo que cai)

Autores: Boileau – Narcejac

Tradução: Fernando Scheibe

Editora: Vestígio / Grupo Editorial Autêntica

192 páginas

R$ 35,90 (pesquisado no site da Saraiva em 12/08/16)

Sobre Andreia Santana

Nasci em Salvador-BA, tenho 42 anos, sou jornalista e master em jornalismo on line, traça de biblioteca, cinéfila, pesquisadora de literatura e redes sociais, aspirante a encantadora de palavras, vaidosa, comilona, solteira e mãe de Matheus, uma pessoa fascinante.
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