Dicas de leitura, Literatura

Romance de Marília Arnaud disseca as áridas relações familiares ditadas pelo patriarcalismo rural

Liturgia do Fim, da escritora paraibana Marília Arnaud, traz uma história ambientada no Brasil profundo, machista e patriarcal. O romance, lançado agora em agosto pela Editora Tordesilhas, vem sendo comparado a Lavoura Arcaica, de Raduan Nassar, publicado em 1975. Coincidências temáticas a parte, Liturgia do Fim tem sua atualidade justificada pela onda de conservadorismo que ameaça nos afogar, sinal de que os 41 anos que separam a obra de Nassar do livro de Arnaud ainda não deram conta de, como diz a escritora Maria Valéria Rezende (Prêmio Jabuti 2015), “humanizar as relações familiares e sociais”, principalmente nos rincões do país.

O romance conta a história de Inácio, escritor e professor universitário, que retorna à cidade onde viveu até os 18 anos, um lugar sugestivamente chamado de Perdição, nos confins do sertão nordestino. Na fazenda de sua infância e adolescência, ele reencontra o pai, com quem sempre teve uma relação tumultuada, marcada pela violência e a frieza, e Damiana, uma antiga criada da família. Nesse ambiente cheio de lembranças, o professor decide escrever sobre o próprio passado, numa tentativa de apaziguá-lo…

Sinopse da editora:

Inácio, escritor e professor universitário, um homem assombrado pela memória e pelos fantasmas de um segredo familiar, abandona a mulher e a filha, as salas de aula e a literatura para voltar a Perdição, lugar onde nasceu e viveu até os 18 anos. Com essa idade foi expulso de casa pelo pai, um homem rude e autoritário que educou os filhos com rigor e frieza. Numa narrativa descontinuada e sinuosa, em que presente e passado se alternam e se misturam, Inácio narra a infância e a adolescência em Perdição, a vida em família, a relação difícil com o pai, o terno entendimento com a mãe, a obsessão pela tia louca, os medos noturnos, o primeiro e único amor, a paixão pelos livros.

Quem é – Marilia Arnaud é paraibana de Campina Grande, mas mora em João Pessoa. Formada em Direito, começou a vida literária na década de 80, escrevendo crônicas para jornais paraibanos que acabaram sendo publicadas no livro Sentimento Marginal (Produção independente, de 1987). A menina de Cipango, seu primeiro livro de contos, venceu o Concurso Literário da Secretaria de Cultura do Estado da Paraíba – Prêmio José Vieira de Melo, e foi editado em 1994. Já a coletânea de contos Os campos noturnos do coração venceu o concurso da Universidade Federal da Paraíba – Prêmio Novos Autores Paraibanos, com publicação em 1996. A autora já participou de várias coletâneas nacionais e estreou no romance em 2012, com Suíte de Silêncios (Editora Rocco).

>>Leia aqui um trecho de Liturgia do Fim (arquivo em PDF)

Ficha Técnica:

liturgia-altaLiturgia do fim

Autora: Marilia Arnaud

Capa: Andrea Vilela de Almeida

Editora Tordesilhas

152 páginas

Preço: R$ 30,00

*Com informações enviadas pela Editora Tordesilhas

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