Filmes on vacation: nostalgia amiga

No Dia do Amigo, a sessão férias teve um toque de nostalgia, Contatos Imediatos do Terceiro Grau. E já que o tema é amizade, Forrest Gump também entra na lista dos revistos ultimamente. Para variar, ando saudosa. Vamos aos filmes:

Contatos Imediatos do Terceiro Grau

contatos-imediatos-de-3-grauContatos Imediatos integra a minha seleção de filmes afetivos. Faz parte daquela categoria de produções de ficção científica que assisti enquanto crescia e os ecos da infância sempre são os que mais gostamos de ouvir, como os cinco tons usados para comunicação com a nave ET que visita a Terra neste filme, um dos dirigidos por Spielberg que considero o mais injustiçado. Fazem parte deste pacote afetivo a primeira trilogia de Guerra nas Estrelas (Lucas/Spielberg). Todos vistos pela TV, nas sessões da tarde da década de 80. Lamento que os meninos e meninas de hoje não assistam mais sessões da tarde tão deliciosas quanto as que tive o privilégio de ver. Não tenho a menor vergonha em comparar “no meu tempo era melhor”, porque era mesmo. Acredito que Contatos Imediatos foi injustiçado porque apesar da boa repercussão de público na época e da excelente atuação do elenco – com o luxo de ter François Truffaut entre os atores – o filme só recebeu dois oscars de efeitos técnicos. Mas, quem pensar em padrões de filmes apenas levando em consideração o número de estatuetas conferidas pela academia, melhor se contentar com os blockbuster atuais. O que me seduz em histórias de ficção-científica como Contatos Imediatos, ET, a primeira trilogia de Star Wars, é justamente o fato desses filmes pioneiros não sacrificarem um bom roteiro, uma bela narrativa, em nome de explosões e efeitos estonteantes. O cinemão videoclipe, com raríssimas exceções, não me fala ao coração e muito menos ao senso estético. Para quem cresceu assistindo M.I.B, que eu até gosto um pouquinho, ou Marte Ataca! E não tem a menor ideia do que eu estou dizendo, Contatos Imediatos do Terceiro Grau conta a história de uma visita extra-terrestre ao Winsconsin, aquele estado americano cheio de fazendeiros, pradarias e vaquinhas. Antes da aterrissagem, porém, diversos eventos estranhos acontecem em partes diferentes do planeta, como o reaparecimento de antigos navios e aeronaves desaparecidos há décadas. Familias americanas médias, aquelas bem normais e com crenças limitadas, sofrem os efeitos do contato iminente  com os ETs e têm suas vidas alteradas. Roy, vivido por Richard Dreyfuss, pai de três filhos e marido de uma dona-de-casa neurótica no típico padrão do american way of live, é o mais afetado pela experiência. O filme não mostra confrontos entre ETs e humanos, como na malfadada releitura de Guerra dos Mundos estrelada por Tom Cruise. É a expectativa do encontro, os efeitos prévios, as alterações de comportamento, o medo da mudança que torna este filme em particular tão bom, pelo menos para mim. Nenhuma arma laiser é disparada, mas o efeito do contato imediato é avassalador.

Ficha Técnica
contatos_posterContatos Imediatos do Terceiro Grau
Gênero: Ficção Científica
Tempo de Duração: 132 minutos
Ano de Lançamento (EUA): 1977
Direção: Steven Spielberg
Elenco: Richard Dreyfuss, François Truffaut, Teri Garr e Melinda Dillon

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Forrest Gump

forrest-gumpForrest Gump é uma aula de humanidade, embora tenha uma tendência ao revisionismo histórico que sempre marca a cultura americana. No entanto, dessa vez, o hábito em olhar o próprio umbigo se justifica pela importância dos fatos narrados, a Guerra do Vietnã, o escândalo de Watergate, que de certa forma tiveram repercussões fora das fronteiras dos EUA. Acredito que a história, como um todo, é feita de pequenas partes das histórias de cada povo, cada cultura. A ingenuidade de Forrest Gump me comove. Ele é um menino no corpo de um homem adulto e isso tem não relação com o baixo QI da personagem. Forrest parece pertencer àquele tipo de gente que não perde a fé, mesmo que de forma insconsciente. As cenas de Tom Hanks e Gary Sinise provam isso. Enquanto Forrest Gump (Hanks) se lança em todas as situações protegido pela ignorância completa de perigo e por uma crença instintiva no ser humano, o tenente Dan (Sinise) é o amargor e a revolta encarnados. Sempre que revejo este filme me pergunto se fora da ficção pessoas como Forrest Gump são possíveis. Provavelmente, com o mundo do jeito que está, são cada vez mais raras. Robert Zemeckis faz um bom trabalho na direção, mantendo impecavelmente o limite, tão tênue, que diferencia uma história doce, comovente, de um dramalhão piegas. Embora em algumas cenas dê vontade de chorar, o dramalhão passa longe, mas as pequenas tragédias cotidianas, essas que somadas humanizam os grandes fatos históricos, percorrem todo o filme.

Ficha Técnica
Forrest Gump_posterForrest Gump
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 141 minutos
Ano de Lançamento (EUA): 1994
Direção: Robert Zemeckis
Elenco: Tom Hanks, Robin Wright, Gary Sinise, Sally Field…

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3 pensamentos sobre “Filmes on vacation: nostalgia amiga

  1. Pingback: Fim do ócio, fim de festa « Mar de Histórias

  2. O que eu gosto em forrest gump é o otimismo e a pureza da história, não paro para fruir esse filme especificamente pensando na política. Guerra dos Mundos eu acho um equivoco, ou talvez o equivoco seja tom cruise como protagonista. Não consigo ver um bom ator ali, nem no alardeado nascido em 4 de julho. Mas concordo com vc em gênero, número e grau quando diz que spielberg ganhou os melhores oscars por seus filmes mais mal-resolvidos. beijoooos!! amo suas visitinhas além mar!

  3. 1 – Contatos Imediatos é coisa de gênio, filme maravilhoso. Apesar de ter vencido apenas Oscars técnicos, foi indicado ao prestigiado prêmio de direção. Algo se passava naquela época, uma abertura pro fantástico. O Exorcista, Tubarão, Star Wars e Os Caçadores da Arca Perdida foram indicados a melhor filme. Pena que, quando chegou a grande hora, a academia tenha enchido E.T. de indicações, mas não tenha lhe dado o merecido prêmio de melhor filme. Tá ali o auge de Spielberg, um grande artista do cinema, mas que ganhou seus prêmios pelos mal-resolvidos A Lista de Schindler e O Resgate do Soldado Ryan… E eu gosto de Guerra dos Mundos, sabia? Spielberg, mestre da imagem, atualizou o filme de apocalipse pro pós 11/9, filmando o terror como se tivesse passando na CNN, aquelas pessoas nas ruas, em fila indiana.
    2 – Jabor é ótimo. Diz que FG reduz toda a história da esquerda americana à trajetória de um idiota. Não deixa de estar certo: o filme pode ser encantador, mas é politicamente horroroso. Sua tonelada de Oscars pertencia a Pulp Fiction.

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