Cotidiano, Crônicas, Datas, Geral

ho ho ho…let it snow

No meio do meu caminho, luzes de Natal em novembro

A árvore de natal gigante, instalada todo ano no meio da praça em frente ao grande shopping center, canta “let it snow” e não deixo de rir do quão estranho é ouvir essa canção símbolo dos natais cinematográficos no Central Park, em um contexto de cacofonia extrema. A árvore canta de um lado, Roberto Carlos responde que “o cara” é ele do outro. No meio, louvores evangélicos e pagodes impronunciáveis misturados com o pregão de uma vendedora ambulante: “olha a bola malucaaaaa!!!”

Ouvir “let it snow”, uma canção que traz a nostálgica tristeza dos anos 40 (é de 1945), em um calor de mais de 33 graus, em pleno cair da tarde, com um suor pegajoso e inconveniente molhando a camiseta, é melancolicamente engraçado. Me controlo para não gargalhar sozinha e assinar atestado de doida, quando imagino a figura do “bom velhinho”, suando feito um boi no matadouro, caso o coitado desse na veneta de estacionar o trenó em Salvador por esses dias de mormaço que amolece o corpo e o juízo.

Todo Natal é a mesma coisa, me sinto enlouquecer um pouco a cada travessia da praça, em reparar nesses contrastes, enquanto desvio com perícia de esquiadora (afinal está nevando!) dos frenéticos consumidores e suas sacolas…

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