Cinema

Cinema em casa: “Igor”

Não passou nos cinemas brasileiros, pelo menos não no pedaço do Brasil que “me pertence” (Salvador), mas neste sábado à noite, tive a oportunidade de assistir em DVD a animação Igor, de 2008, numa sessão “cinema em casa”, ao lado do filhote. Da dublagem divertidíssima de John Cusack na voz da personagem principal, ao roteiro, escrito por Chris Mckenna, Igor é diversão garantida, ágil, inteligente e de quebra, com aquelas lições bonitinhas para a criançada (e os adultos também, que tem muito adulto precisando de lições por aí). O Igor do título nomeia não apenas o personagem de Cusack, mas todos os “igors”, assistentes de cientista louco. E já estava na hora deles -“Sim, mestre” – ganharem uma animação. Adoro os assistentes de cientista louco, são todos inadequados e incompreendidos, os patinhos feios da maldade: zumbis, corcundas, ou comedores de mosca, como o Renfield do Drácula.

Na cidade de Malária, assim como no resto do mundo, quem nasce diferente é confinado ao papel de “igor”. Todos os meninos “mal-nascidos”, assim que alcançam a idade da razão, são mandados para a escola preparatória dos igors (alguma semelhança com a realidade não é mera coincidência), onde aprendem a obedecer seus patrões (daí o bordão característico dos igors “sim, mestre”), são aconselhados a não pensar – “Igors, não pensam, obedecem” – e de lá, saem para se empregar no laboratório de algum excêntrico, onde vão passar a vida puxando alavancas que ligam geringonças diabólicas. Até o tom de voz dos igors é controlado, eles precisam falar de forma arrastada, melosa e assustada, como se fosse um grande inconveniente para os “bem nascidos” ouvir-lhes a voz.

Mas, a história mostra que sempre há um igor que se recusa a permanecer no lugar destinado a ele pelo sistema. E é aí que entra toda a parte da superação do nosso Igor (Cusack), que é o narrador da história, tentando ascender socialmente e sair da condição de assistente para o de Maior Cientista do Mal de Malária. No melhor estilo clássico do Patinho Feio, só que o Igor em questão não se transforma em cisne, continua sendo ele mesmo, sem que isso signifique acomodar-se em uma atitude subserviente, nosso Igor tem uma meta: ganhar o primeiro prêmio da Feira Anual de Cientistas Malvados. A tentação é escolher entre ser um cientista do mal renomado e para isso passar por cima de todos a sua volta ou continuar sendo um “ninguém”, no sentido midiático da palavra, mas com a consciência limpa. O desafio é vencer a ganância dos outros cientistas, todos bem nascidos, que não admitem ser suplantados por um “igor”.

Dileminha moral clichê, diria um adulto “escolado” – morro de pena dos adultos escolados -; mas,  questionamento moral adequado aos olhos de quem tem 12 anos e está se preparando para viver no mundo cão. Apesar de ser adulta, não considero comportar-se ética e dignamente nem clichê e nem piegas. Mesmo com os exemplos clássicos mostrando que “os espertos” é que se dão bem, ainda mais no Brasil, me recuso a concordar e tento encontrar um pouquinho de atitudes nobres na humanidade. É artigo raro, mas ainda existe gente decente suficiente para fazer a vida valer a pena.

A trilha sonora, com direito a paródias de óperas famosas e clássicos do pop mundial, são um brinde a parte. Recomendo!

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