Citações, Geral, Literatura

“porque Jesus Cristo eu respeito, mas Deus não”

“Perguntei por que frequentava o Oratório, já que todos diziam que era ateu. Respondeu que vinha porque era o único lugar em que podia ver gente. E além do mais não era ateu, era anarquista. Na época, não sabia o que era anarquista e ele explicou que eram pessoas que desejavam a liberdade, sem patrões, sem rei, sem estado e sem padres. “Sem estado, sobretudo, mas não como os comunistas que, na  Rússia, têm um estado que diz até quando podem ir ao banheiro.”

(…)

“Em seguida acrescentou que ia ao Oratório porque era uma boa coisa. Os padres eram uma raça ruim, mas eram como os garibaldinos, entre eles também tinha gente boa. “Sobretudo nesses tempos em que não se sabe onde os meninos vão parar, até o ano passado ensinavam-lhes o livro e a espada. No Oratório pelo menos não deixam que se estraguem, são educados para serem honestos, embora eles insistam um pouco demais na história das punhetas, mas não importa, vocês continuam do mesmo jeito e no máximo se confessam depois. Portanto, venho ao Oratório e ajudo dom Cognasso  a entreter os meninos. Quando chega a hora da missa, fico no fundo da igreja em silêncio, porque Jesus Cristo eu respeito, mas Deus não.”

(Umberto Eco, A misteriosa chama da rainha Loana, pp. 335 e 336. Ed. Record, 2005, Rio de Janeiro)

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