Cinema, Geral, Literatura

Mil faces de Alice no país da diversidade

Alice no País das Maravilhas, animação da Disney de 1951, versão infantil mais popular

Alice no País das Maravilhas talvez seja uma das histórias infantis mais queridas pelos adultos. Primeiro, porque existe encanto e beleza, e um certo toque de magia e absurdo, como em toda história infantil inteligente; depois, porque as mensagens subliminares escondidas em cada episódio, cada aventura vivida pela menina que cai na toca de um coelho e vai esbarrar em outro mundo, onde nada parece fazer sentido, dá margem às interpretações mais diversas. Têm pesquisadores que até duvidam que Alice no País das Maravilhas tenha sido escrito para crianças. À luz da psicanálise, o jogo de espelhos, a loucura do chapeleiro, as obsessões da rainha de copas, o esconde-esconde com o gato, as variações de tamanho da personagem (ora minúscula e insignificante, ora gigantesca, desproporcional, sempre inadequada) dizem muito mais para um adulto do que para uma criança. Embora, originalmente, a história tenha sido escrita para uma menina de dez anos. No entanto, uma criança do século XIX. Alice e, por tabela, Lewis Carrol, seu criador, são enigmas que se reconfiguram e não perdem a juventude, o ineditismo, a surpresa, mesmo mais de um século e meio depois da primeira publicação do livro na Inglaterra da época vitoriana, em 1865.

Considerada uma das obras mais importantes da literatura inglesa, Alice no País das Maravilhas é a história infanto-juvenil que mais coleciona adaptações para o cinema, seriados de televisão, teatro, quadrinhos ou que inspira outras obras do gênero. Dois escritores contemporâneos e saídos do universo HQ já declararam sofrer influência do estilo surrealista e nonsense de Lewis Carrol: Neil Gaiman (criador da saga Sandman) e Allan Moore (A Liga Extraordinária). Basta assistir Máscara da Ilusão ou ler Lugar Nenhum, para se ter uma ideia do quanto Alice no País das Maravilhas e sua continuação Alice através do espelho, influenciam a obra de  Neil Gaiman. Eu, particularmente, encontro traços de Alice  também em Charlie e a fantástica fábrica de chocolate, de Roald Dahl, e na obra de Terry Pratchett, ainda citando escritores do século XX.

Personagens da versão de Alice do diretor Tim Burton, que estreia em 2010. No sentido horário: Alice (Mia Wasikowska), Chapeleiro Maluco (Johnny Depp), Rainha Vermelha (Helena Boham Carter) e Rainha Branca (Anne Hathaway)
Personagens da versão de Alice do diretor Tim Burton, que estreia em 2010. No sentido horário: Alice (Mia Wasikowska), Chapeleiro Maluco (Johnny Depp), Rainha Vermelha (Helena Boham Carter) e Rainha Branca (Anne Hathaway)

As edições da história de Lewis Carrol são igualmente inesgotáveis. Das comentadas, luxuosas e integrais, às simplificadas para os menorezinhos, sempre existe uma “alice” adequada ao senso crítico ou idade do leitor. É uma história que, quando lida na infância, é interpretada de um jeito, e quando lida na idade adulta, ganha outros significados. As meninas da minha geração e creio que outras antes de nós, quando eram pequenas, queriam viver as aventuras da pequena Alice, apenas pelo gosto de conhecer o exótico, o diferente, transgredir, embora na infância não tenhamos nem consciência do que é uma transgressão. Só sabemos que, no nosso mundo lúdico, sempre há lugar para as coisas aparentemente sem sentido, mas recheadas de significados. Mal sabíamos nós que, ao crescer, encontraríamos em vários rostos pela vida afora, diversas versões da rainha de copas, do gato de cheshire e do chapeleiro louco. De certa forma, toda menina traz dentro de si, mesmo quando mais velha, um pouco de Alice, seja no país das maravilhas ou de um dos dois lados do espelho.

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Alice no teatro em versão nordestina

A clássica história da literatura inglesa serve de inspiração para a montagem do espetáculo Alice no Sertão das Maravilhas, versão da obra de Lewis Carroll moldada à realidade nordestina. Tomando como ponto de partida as aventuras vividas por Alice em uma floresta tipicamente europeia, a diretora Andréa Elia, juntamente com a Cia. de Teatro e Artes Os Bamburistas, adaptou a história fazendo a menina, para efeito de geolocalização adequada, cair no buraco do tatu. A garotada curiosa, que vive na capital baiana, terá a chance de conhecer a magia do sertão, quase sempre anunciado como um ambiente inóspito e sem vida. O musical infanto-juvenil traz personagens com nomes divertidos como o Tatu Avexado, o Repentista Batista e a Cangaceira de Copas. Música, dança e teatro de bonecos são algumas formas de expressão da cultura nordestina a serviço do imaginário infantil e pré-adolescente urbano, explorados no espétaculo. Em cartaz desde 16 de agosto, Alice no Sertão das Maravilhas pode ser vista até 25 de outubro, sempre aos domingos, às 16 horas, no Teatro Módulo, na Pituba, Salvador -BA.

Ficha técnica:

Alice no Sertão das Maravilhas
Direção e concepção: Andréa Elia
Texto: Lewis Carroll
Adaptação: Andréa Elia e Cia Os Bumburistas
Músicas do espetáculo: Cia Os Bumburistas
Elenco: Gabriel Camões, Guilherme Stadtler, Ricardo Borges, Renata Berenstein e Thiago Mourão

Serviço:

Alice no Sertão das Maravilhas

Até 25 de outubro, aos domingos, às 16h

Teatro Módulo

Ingressos: R$ 20 (inteira) e R$10 (meia)

Informações: (71) 2108.1700

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Expectativa pela Alice de Tim Burtom

Com previsão de estreia mundial em 5 de março de 2010 (23 de abril no Brasil), é ansiosamente aguardada pelos fãs, a versão do diretor Tim Burton (Edward Mãos de Tesoura, A Noiva Cadáver, a versão atual de A Fantástica Fábrica de Chocolate) para o clássico de Lewis Carrol. Sendo que as fãs de Johnny Depp (que vive o chapeleiro maluco) também contam os dias para ver o ator em mais uma das suas metamorfoses. O diretor, que sempre imprime sua marca nas adaptações – a licença poética parece genial para uns e blasfêmia para outros – neste filme optou por uma espécie de sequência da história original de Carrol. Alice, aos 17 anos, descobre que está prestes a ser pedida em casamento e, para não casar, foge seguindo um coelho branco e vai parar no País das Maravilhas, onde esteve aos sete, porém não recorda.

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Para ler Alice:

>>Versão em e-book

>>Dicas de versão em papel:

alice adaptadoAdaptação infanto-juvenil:

Alice no País das Maravilhas

Editora: L&PM Pocket

143 páginas

Preço: R$ 12,00 no site da livraria Cultura

alice comentadaEdição comentada para os mais velhos:

Aventuras de Alice no País das Maravilhas e Através do Espelho

Editora: Jorge Zahar

328 páginas

Preço médio: R$ 79,00 (veja aqui onde pesquisar e comprar)

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