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Feliz 2010! 31/12/2009

Posted by Andreia Santana in Querido Diário.
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Foi um final de ano meio esquisito. Mas o saldo é positivo. A falta do PC complicou manter as histórias atualizadas, mas o ano novo promete bons ventos para impulsionar as velas dessa nau virtual. Desejo a todos vocês, queridos e queridas que navegam comigo, um 2010 inusitado, criativo, realmente encantador. Quem gosta de retrospectiva, fiz uma lá no Conversa de Menina, eis o link. Quem não gosta de olhar o passado, sem problemas, nos encontramos aqui, “de volta para o futuro”, no próximo dia 04.

Beijos enormes e obrigada por existirem na minha vida em 2009!

Explica daqui, explica dali 28/12/2009

Posted by Andreia Santana in Querido Diário.
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Quem acessou o blog neste fim de semana prolongado e natalino, e quem só está acessando hoje, graças justamente ao fim de semana livre e ao fato de ter muita coisa boa ao ar livre para fazer, encontra nos quatro posts abaixo a reportagem especial sobre o escritor britânico Roald Dahl, que fiz para o Caderno 2+ do jornal A TARDE. Dahl é um dos meus autores queridos. São dele livros como A Fantástica Fábrica de Chocolate, Matilda, O Fantástico Senhor Raposo, recentemente transformado em filme. Era para essa explicação entrar aqui antes, lógico, a título de apresentar a série, mas como ainda estou sem PC, acabei esquecendo de agendar a apresentação, quando publiquei a sequencia de posts no PC do vizinho. Fica então a apresentação, que agora virou explicação, com dois dias de atraso.

Uma novidade: No último dia 20, eu e alane, parceira no Conversa de Menina e Moda de Menina, meus blogues de “mulherzinha” que tanto adoro fazer, fomos convidadas para participar de um evento com outros blogueiros de Salvador. Fizemos palestra, trocamos figurinha, fizemos lanchinho, todo aquele clima de chá de bonecas que é tão gostoso de vivenciar em alguns momentos da vida. Conheci pessoas incríveis, derrubei mais algumas barreiras de (pre)conceito e de quebra, ganhei até citação em matéria no Correio* e no blog do Bazar (veja aqui).

Uma constatação: Impossível comprar um PC em meio ao caos natalino. O negócio é esperar a onda de esquizofrenia de fim de ano passar e aí sim, começar 2010 teclando em máquina zero quilômetro! Paciência, que o blog vai capengar mais alguns dias…

O fantástico mundo de Roald Dahl 26/12/2009

Posted by Andreia Santana in Autores, literatura.
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O segredo de escrever bem para crianças é pensar como criança. A receita tão simples não saiu de nenhum manual para escritores iniciantes, mas da boca do consagrado autor britânico Roald Dahl, criador de personagens inesquecíveis da ficção infanto-juvenil como Willy Wonka, Matilda e o Senhor Raposo, o mais novo habitante do fabuloso mundo do escritor a ganhar vida nas telas do cinema. Lançado no Brasil agora em dezembro e ainda sem previsão de exibição em Salvador, mas com chances de chegar por aqui após a recente indicação ao Globo de Ouro na categoria Melhor Animação – o que o coloca como provável candidato ao Oscar -, O Fantástico Senhor Raposo ganha a tela grande pelas mãos do americano Wes Anderson (Viagem a Darjeeling e Os Excêntricos Tenenbaums) e com George Clooney emprestando a voz ao herói do título.

O livro homônimo no qual o filme é inspirado já vendeu mais de 4 milhões de exemplares e no Brasil tem edição recente pela Martins Fontes, editora responsável por relançar praticamente toda a obra do autor em português. Mas, quem é esse inventor de histórias tão cativantes que é capaz de fazer crianças e adultos torcerem para um “ladrão de galinhas” se dar bem? Dahl nasceu em 13 de setembro de 1916, no País de Gales, filho de pais noruegueses, que emigraram antes da I Guerra Mundial para a Grã-Bretanha. Foi batizado em homenagem ao explorador Roald Amundsen, o primeiro líder de uma expedição ao Polo Sul e herói na Noruega.

Dahl trabalhando no "esconderijo"

Abençoado pelo xará, o menino britânico não viveria menos aventuras depois de adulto. Começou a infância como qualquer criança comum de classe media no começo do século XX, estudou em colégio interno e brincou na vizinhança nas férias. Ao se tornar adulto, o peso de carregar o nome de um desbravador influenciou na carreira como piloto da RAF (Real Força Aérea), o destacamento de pilotos ingleses durante a II Guerra. Na primeira missão de vôo, por uma falha nas coordenadas passadas pela central de comando, seu avião perdeu o rumo, ficou sem combustível e caiu no meio do deserto, na Líbia. Se salvou por milagre, mas fraturou o crânio e devido à lesão, passou três semanas cego. Ao se recuperar, voltou a pilotar até o fim da guerra, quando trocou a carreira militar pelo trabalho em uma empresa petrolífera na Tanzânia.

A carreira literária começou em 1942, quando após o acidente aéreo, foi transferido para Washington. Na capital norte-americana, deu uma entrevista para um jornal local contando sua aventura no deserto. Pouco depois, decidiu transformar a história no conto “Abatido na Líbia” e não parou mais de escrever até sua morte, em novembro de 1990, aos 74 anos. Três anos antes, em 1987, concedeu uma outra entrevista ao jornalista conterrâneo Todd McCormack. O escritor, ao longo da carreira, mantinha na horta nos fundos da sua residência, um “esconderijo”, na verdade uma casinha de bonecas onde ele se trancava para criar suas histórias infantis. Ninguém, nem a esposa ou os filhos, podiam entrar no “esconderijo”. McCormack foi o único que conquistou o privilégio de descobrir alguns dos segredos desse autor peculiar e cheio de imaginação. A melhor definição para ele porém, saiu das linhas escritas por J.M.Barrie um século antes: assim como Peter Pan, o menino que não queria crescer, Roald Dahl era “o espírito da eterna juventude”.

Roald Dahl II – “Escrever é percorrer vales e montanhas” 26/12/2009

Posted by Andreia Santana in Autores, Dicas de leitura, literatura.
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Cena de James e o Pêssego Gigante, ispirado em livro homônimo de Dahl

Aos 71 anos, Roald Dahl era um autor em plena atividade literária. Na entrevista que deu ao jornalista britânico Todd McCormack, em 1987, três anos antes de sua morte, legou à posteridade não apenas histórias engraçadas sobre como encontrou inspiração para criar seus personagens, mas deu uma aula sobre o quão complexa e ao mesmo tempo prazerosa pode ser a criação de uma história. Se você é do tipo de leitor acostumado a relatos de autores sofrendo em busca de inspiração e vivendo uma relação de amor e ódio com Melpômene (tragédia), saiba que Roald Dahl, apesar de ter vivido alguns dramas na vida pessoal como a perda de uma filha aos sete anos por sarampo, quatro aneurismas em outro filho e o atropelamento de um terceiro (ele era pai de cinco), andava de braços dados era com Talia, a musa da comédia.

“Quando você está escrevendo é como percorrer um longo caminho por vales e montanhas e ver várias coisas ao mesmo tempo. Você pega essa primeira visão e escreve. Então, anda mais um pouco, sobe um morro e vê alguma coisa a mais. Você vai fazendo isso dia após dia e sempre tendo visões diferentes. A montanha mais alta do caminho, obviamente, vai apontar para o fim do livro. Parece fácil, mas é um processo muito lento, longo e requer paciência”, revelou à McCormack na célebre entrevista. No site oficial da Fundação Roald Dahl, mantida pela viúva e herdeiros, é possível ler ou ouvir toda a conversa, em inglês. Há um áudio também do escritor lendo um trecho de BGA – Bom Gigante Amigo, livro que ele escreveu em homenagem à filha Olívia, aquela que morreu de sarampo, para quem também escreveu O Fantástico Senhor Raposo.

BGA foi um dos livros escritos no “esconderijo” que ele manteve a vida toda no quintal de casa, usado com a única finalidade de mergulhar no mundo da fantasia. A rotina de trabalho do autor, ao contrário do que se possa imaginar, visto que produziu intensamente ao longo de 45 anos, nem era tão árdua. Segundo o próprio Dahl, ainda na entrevista para Todd McCormack, na criação de seus livros ele trabalhava duas horas por dia, todos os dias da semana, incluindo feriados. Para o escritor, depois de duas horas de intensa concentração, a mente começava a divagar. Autocrítico e perfeccionista, lapidava seus textos com a habilidade de um ourives e levava até um ano escrevendo uma história. Chegou a jogar fora a primeira versão de Matilda, depois de nove meses de trabalho.

Matilda, uma das poucas personagens femininas do autor britânico

A inspiração para uma bibliografia tão extensa, tirava da própria infância e de uma capacidade impressionante para olhar a vida pelos olhos da eterna criança que cultivava. Assim, Contos da Vizinhança é autobiográfico e narra situações vividas nos verões passados na Noruega; A Fantástica Fábrica de Chocolate foi escrito relembrando o fato de que ele e o irmão estudaram em uma escola onde todos os anos, uma fábrica de doces enviava novos produtos para serem “testados” entre os alunos; James e o Pêssego Gigante surgiu das inquietações de um Roald Dahl já adulto e intrigado com o crescimento das frutas nas árvores. “Sempre quis saber porque uma fruta crescia só até um determinado tamanho e depois parava de crescer. Ficava me perguntando o que aconteceria se ela continuasse crescendo”; enquanto Os Gremlins foi inspirado no folclore britânico, a partir de antigas histórias de geniosinhos travessos que pregavam peças nos soldados da RAF (Real Força Aérea) onde serviu durante a II Guerra Mundial como piloto de bombardeiro.

Em A Fantástica Fábrica de Chocolate, Roald Dahl legou ao panteão de personagens inesquecíveis uma das figuras mais carismáticas da literatura infantil: Willy Wonka, o dono meio amalucado e totalmente excêntrico de uma fábrica de doces onde tudo é possível. Quem não queria ganhar uma barra de delícia crocante Wonka quando era criança? E Matilda? Não podemos esquecer dela, uma menina com talentos especiais e criada por pais completamente mesquinhos. Sem contar com o esperto Senhor Raposo fazendo um trio de fazendeiros realmente malvados de gato e sapato. A sensação para quem não conhece o rico universo do autor é de ele exagera na caracterização das personagens, mas o próprio Dahl dizia que a cores para se pintar um quadro para uma criança tem de ser ainda mais vivas que as cores reais. Sendo que ele nunca subestimava a inteligência de seu público. Se alguém é mau nas suas histórias, é realmente péssimo; um gigante bonzinho, é tão bom que até cansa; uma menina inteligente como Matilda, bota Einstein no bolso.

Esse exagero todo porém, nem de longe descamba para o piegas. Textos simples, fáceis de ler, mas de uma complexidade de relações e situações que muitas vezes só a lógica infantil de pular de uma brincadeira para a outra em questão de minutos é capaz de dar conta. A singeleza das histórias do autor faz os leitores pensarem: Poxa, isso aqui é tão fácil, porque não imaginei isso antes! Ao mesmo tempo, o maravilhoso, o irrealizável, como um menino ser esticado numa máquina de chicletes para voltar a crescer depois de ser miniaturizado, torna-se completamente possível no seu mundo. Poucos autores contemporâneos conseguem escrever com a clareza e a lucidez de Roald Dahl e ao mesmo tempo manterem aquele bom suspense do começo ao clímax da história. Econômico nas palavras, pouco afeito às descrições desnecessárias, completamente lúdico, o que transparece nos textos do autor é que ele era alguém capaz de rolar de rir das próprias piadas, daí sua facilidade em fazer rir. Com um pouco de boa vontade dá para imagina-lo trancado no seu esconderijo, duas horas por dia, divertindo-se muito com cada nova reviravolta de suas tramas.

Ao mesmo tempo, ele também foi autor de sucesso entre o público adulto, para quem escrevia contos intensos, viscerais, alguns macabros, explorando o lado mais sinistro da natureza humana. Beijo (uma das poucas obras para adultos publicadas no Brasil) é uma coletânea de contos que reúne 11 dessas narrativas sombrias que revelam uma outra vertente do escritor.

Roald Dahl III – Reinvenção de Robin Hood 26/12/2009

Posted by Andreia Santana in Autores, Dicas de leitura, literatura, resenhas.
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A raposa é um animal injustiçado. Sempre associada a esperteza de um modo negativo, no sentido de levar vantagem sobre os outros, o bicho virou sinônimo tanto de malandragem quando de traição. Mas o Senhor Raposo, personagem de O Fantástico Senhor Raposo, obra de Roald Dahl relançada este mês pela Martins Fontes, sem abrir mão da sagacidade dos de sua espécie, está longe de ser o vilão. Através dessa singela história infantil, o escritor ressuscita um típico herói das novelas de cavalaria inglesas, Robin Hood, o nobre traído que vai viver em meio aos bandidos na floresta de Sherwood e tem como política roubar dos ricos para distribuir aos pobres.

Cena de O Fantático Senhor Raposo

Os ricos desta fábula são três fazendeiros que incorporam todas aquelas qualidades negativas atribuídas às raposas: rapinagem, ganância e uma certa astúcia perversa. Boque, Bunco e Bino são avarentos, sujos e mal-humorados. Tratam mal aos empregados, aos familiares e aos vizinhos. São desconfiados e capazes de gestos muito mesquinhos, como montar acampamento diante da toca das raposas, com armas em punho, para matá-las de fome. Já o Senhor Raposo, embora sobreviva de roubar galinhas, tem em comum com o mítico príncipe dos ladrões os bons sentimentos, o senso de justiça, a solidariedade em distribuir parte da sua comida com outros animais e um certo charme que deixa a Senhora Raposa muito apaixonada e as quatro raposinhas orgulhosas do pai.

Escrito em uma linguagem leve, dinâmica, com uma narrativa ágil, divertidíssima e irônica de uma forma que as crianças compreendem e os adultos adoram, O Fantástico Senhor Raposo mostra como a inteligência é capaz de vencer a força bruta, mesmo quando tudo parece perdido. É um livro sobre amizade, confiança e persistência, mas com doses generosas de aventura e reviravoltas surpreendentes, bem ao gosto das crianças dos oito aos 80.

Robin Hood - O príncipe dos ladrões

O Senhor Raposo lembra Robin Hood na forma meio atrevida e até zombeteira com que enfrenta os perigos, mas também traz características do heroísmo engajado dos mosqueteiros de Dumas e até aquela crença inabalável do Quixote de Cervantes, mas com um senso prático bem britânico para resolver as dificuldades. Não desiste de lutar pela sobrevivência das raposinhas nem quando Bunco, Bino e Boque colocam tratores encima dele. Já os três fazendeiros são a metáfora para as grandes corporações, que na época em que a obra foi escrita, cresciam, engordavam e engoliam tudo ao redor, da mesma forma que “as pás terríveis” engolem a campina onde vivem as raposas, coelhos e texugos.

Escrito nos anos 70, época de contracultura e contestação e publicado pela primeira vez no Brasil em 1991, um ano após a morte de Roald Dahl, o livro é relançando no momento em que o diretor norte-americano Wes Anderson transpõe a história para o cinema. Anderson, realizador do circuito alternativo de Hollywood, aclamado por comédias ácidas e que retratam famílias desajustadas como Os Excêntricos Tenembauns, Viagem a Darjeeling e A Vida Marinha de Steve Zissou, estreia em animação através da técnica de stop motion (que utiliza bonecos ao invés de desenhos). A adaptação, indicada ao Globo Ouro de Melhor Animação, embora siga boa parte do original de Dahl, não deixa de trazer elementos caros à filmografia do diretor, como os conflitos entre pais e filhos e o sarcasmo dos personagens, o que tem feito a crítica especializada apontar o filme como interessante para adolescentes e adultos, enquanto o livro, mais lúdico, é indicado aos leitores de todas as idades, incluindo os mais novinhos.

Ficha técnica:
O Fantástico Senhor Raposo
Autor: Roald Dahl
Tradução: Jefferson Luiz Camargo
Editora: Martins Fontes
92 páginas
R$ 24,80

Veja a lista das obras de Dahl publicadas no Brasil:
Os minpins

As bruxas

A incrível história de Harry Sugar e outros contos

O maravilhoso remédio de Jorge

Matilda

A fantástica fábrica de chocolate

Os pestes

Danny, o campeão do mundo

A girafa, o pelicano e eu

Charlie e o grande elevador de vidro

BGA – O bom gigante amigo

Historinhas em versos perversos

O fantástico Senhor Raposo

Os Gremlins

James e o pêssego gigante

O dedo mágico

O crocodilo enorme

Contos da vizinhança

Roald Dahl IV – Livros que viraram filme 26/12/2009

Posted by Andreia Santana in Autores, Cinema, Dicas de leitura, literatura.
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O Fantástico Senhor Raposo é o sexto livro infantil de Roald Dahl adaptado para o cinema. O primeiro foi A Fantástica Fábrica de Chocolate, em 1971. Para esta primeira versão, o próprio autor escreveu um esboço de roteiro, depois finalizado por David Seltzer. Antes, Dahl já havia escrito, nos anos 60, o roteiro de um dos filmes da série James Bond: 007 – Só Se Vive Duas Vezes.

Gene Wilder e Johnny Depp deram vida ao carismático e exótico Willy Wonka, respectivamente em, 1971 e 2005

A biografia do escritor no site da Fundação Roald Dahl revela que ele renegou a primeira versão de A Fantástica Fábrica de Chocolate e embora este filme faça parte da infância de muita gente acima dos 30, basta uma leitura atenta ao livro para perceber o motivo da bronca do criador da história. Apesar de criticada, a versão de Tim Burton, de 2005, está bem mais próxima do livro criado por Roald Dahl, a ponto da viúva do autor ter dito que ele ficaria orgulhoso. O Willy Wonka de Gene Wilder, embora seja doce e carismático, destoa do histriônico doceiro de Johnny Deep, que, por sua vez, é uma perfeita transposição para a tela grande do exótico personagem concebido pela imaginação do escritor.

A primeira versão de A Fantástica Fábrica também é bem mais melodramática, principalmente em relação à pobreza de Charlie Bucket, do que a história original de Roald Dahl, que se aproxima do senso de humor quase nonsense e meio gótico de Burton. O diretor da versão mais recente aliás, além de reconhecer postumamente os créditos de Dahl como co-roteirista da obra, reparando uma injustiça feita por Seltzer nos anos 70, ainda aproveita as músicas escritas pelo próprio escritor, e publicadas no livro, para compor a trilha sonora dos umpa-loompas.

Em 1984, Roald Dahl foi adaptado para o cinema por Chris Columbus (Harry Potter e A Pedra Filosofal e Harry Potter e A Câmara Secreta), que roteirizou Os Gremlins, o conto do autor inspirado no folclore da RAF nos tempos em que era piloto de bombardeiro. Na década de 90, foram mais três adaptações: Convenção das Bruxas, de 1990, com Angelica Huston, foi inspirado no livro As Bruxas, que conta uma delicada relação de amor e confiança entre uma avó e seu neto, enquanto juntos enfrentam o perigo de uma reunião anual em que bruxas sinistras pretendem transformar todas as crianças do mundo em ratinhos; Matilda (1996), dirigido por Danny DeVito, é uma das poucas histórias de Roald Dahl protagonizada por uma menina. Matilda é uma criança superdotada e muito delicada, que vive afastada dos colegas e das brincadeiras por seus pais desonestos e egoístas, que não dão a menor atenção às suas necessidades. Ajudada por uma simpática professora, com quem desenvolve uma grande amizade, a menina dá a volta por cima, aprende a ser criança e ensina diversas lições aos adultos; e James e o Pêssego Gigante, também de 1996, e com direção de Henry Selick, o mesmo diretor de Coraline, inspirado em obra homônima de outro britânico, Neil Gaiman.

Veja os trailers dos filmes inspirados em obras de Roald Dahl:

O fantástico senhor raposo

Matilda

A fantástica fábrica de chocolate (2005)

A fantástica fábrica de chocolate (1971)

James e o Pêssego Gigante

Os Gremlins

Convenção das Bruxas

*Upside down 22/12/2009

Posted by Andreia Santana in Querido Diário.
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*De ponta cabeça, para ver o mundo sob outra perspectiva. Leve depressão natalina se instalando. Digo xô tristeza, mas ela persiste. Este ano tá um pouquinho mais intensa. Vem aí el Niño, quem sabe aquece meu coração…

P.S.: Sem PC, mas a matéria sobre Roald Dahl sai neste sábado.

Para revisitar a poesia de Thiago de Mello 19/12/2009

Posted by Andreia Santana in Autores, literatura, poesia, resenhas.
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Neste sábado, o Caderno 2+, do jornal A TARDE, publica a resenha literária que fiz da coletânea de poemas do autor amazonense  Thiago de Mello, lançada recentemente pela coleção Melhores Poemas, da Global Editora. Meu novo desafio em literatura no jornal  é uma reportagem sobre o escritor infanto-juvenil Roald Dahl, autor, entre outras histórias, de O Fantástico Senhor Raposo, adaptado para o cinema por Wes Anderson e lançado este mês no Brasil. Abaixo, vocês podem ler a A íntegra do texto sobre Thiago de Mello  e mais alguns de seus poemas. Eu já havia publicado “Rumo” aqui no blog em novembro,  no final do post vocês conferem mais alguns dos belos versos:

“Fica decretado que todos os dias da semana,
inclusive as terças-feiras mais cinzentas, têm
direito a converter-se em manhãs de domingo”
.
(Os Estatutos do homem, Thiago de Mello)

O poema mais famoso de Thiago de Mello, Os Estatutos do Homem (1977), é só uma pequena parte do universo onírico deste poeta amazonense. Traduzido para mais de 30 idiomas e respeitado como expoente da Geração de 45 – movimento da terceira fase do modernismo – o autor, contemporâneo de gente do quilate de Carlos Drummond de Andrade e Manoel Bandeira, ganha uma coletânea que relembra aos que já conhecem, ou apresenta para quem nunca ouviu falar nele, uma obra marcada por questões existenciais e pelo engajamento social.

Integrante da Coleção Melhores Poemas, da Global Editora, Thiago de Mello – Seleção é editado por Marcos Frederico Kruger, que fez uma cuidadosa pesquisa sobre a vida e a obra do autor, que também escreveu prosa e traduziu Pablo Neruda e T.S. Elliot, entre outros. Ao todo, a coletânea reúne poemas de pelo menos dez obras do escritor, com destaque para Silêncio e Palavra, o livro de estreia, Narciso Cego, de 1952, Faz silêncio mais eu canto, de 1965, A canção do amor armado (1966) e Mormaço na floresta (1981).

O passeio pela seleção de poemas é rico em experiências sinestésicas. Nos versos em que fala do mar, é possível sentir o cheiro de sargaço, bem como o calor abafado da floresta, naqueles em que canta a terra natal. Ainda assim, a poesia de Thiago de Mello é econômica, sem exageros estilísticos, “a toada de um cambaio”, como ele mesmo define a sua poesia rica em descrições e sensações. A impressão do leitor é que os versos transcendem a leitura, são feitos para tocar, acalentar na alma. São poemas que tiram a beleza da simplicidade do cotidiano ou revivem ideais de humanidade cada vez mais esquecidos.

Mesmo os poemas mais engajados, como Os Estatudos do Homem, parecem mais hinos de celebração à vida do que panfletos partidários. A ideologia de Thiago de Mello é humanista e extrapola a divisão binária do mundo após a II Guerra. Para entender seus versos, aliás, como o próprio Marcos Kruger enfatiza no prefácio da coletância, é preciso entender o mundo de sonhos despedaçados e esperanças renascidas após o conflito mundial.

Na literatura brasileira, boa parte da obra da Geração de 45 traz uma beleza amarga, seja na poesia ou na prosa, e demonstra uma inquietação muito grande com a condição humana e a solidão. Em Thiago de Mello não é diferente, a ponto dele afirmar que “mal somos nascidos…/já nos tornamos embocadura da nossa morte”. O desencanto porém, sempre dá lugar ao desejo de um mundo melhor e menos sofrido, onde até “as terças-feiras mais cinzentas, têm direito a converter-se em manhãs de domingo”.

Quem é: Thiago de Mello nasceu em Barreirinha, no Amazonas, em 30 de março de 1926. Aos 15 anos, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde cursou até o quarto ano de medicina. Largou a faculdade para se dedicar à poesia e ao jornalismo, tendo também se dedicado à tradução e à prosa, principalmente crônicas sobre o Amazonas. O livro de estreia, Silêncio e palavra, veio em 1951. Logo de saída, o autor foi aclamado por poetas que já eram consagrados no período, como Manoel Bandeira. Em 1964, perseguido pela ditadura militar, exilou-se no Chile, onde viveu até 1985. No país andino, fez amizade com Pablo Neruda, tornando-se tradutor das obras de Neruda para o português. O poeta chileno, por sua vez, traduziu a obra de Thiago de Mello para o espanhol e publicou ensaios em revistas chilenas sobre a obra do brasileiro. Sobre ele, Neruda diria: “Thiago de Mello é um transformador de almas”.

Ficha técnica:
Thiago de Mello – Seleção
Coleção Melhores poemas
Organização: Marcos Frederico Gruger
Global Editora
302 páginas

Alguns poemas de Thiago de Mello

Os Estatutos do Homem

Ato Institucional Permanente
Artigo I
Fica decretado que agora vale a verdade,
agora vale a vida, e de mãos dadas
marcharemos todos pela vida verdadeira.
Artigo II
Fica decretado que todos os dias da semana,
inclusive as terças-feiras mais cinzentas, têm
direito a converter-se em manhãs de domingo.
Artigo III
Fica decretado que, a partir deste instante,
haverá girassóis em todas as janelas, e
que os girassóis terão direito a abrir-se
dentro da sombra; e que as janelas devem
permanecer, o dia inteiro, abertas para o
verde, onde cresce a esperança.
Artigo IV
Fica decretado que o homem não
precisará nunca mais duvidar do homem.
Que o homem confiará no homem
como a palmeira confia no vento,
como o vento confia no ar,
como o ar confia no campo azul do céu.
Parágrafo único:
O homem confiará no homem como
um menino confia em outro menino.
Artigo V
Fica decretado que os homens estão
livres do jugo da mentira.
Nunca mais será preciso usar a couraça
do silêncio, nem a armadura de palavras.
O homem se sentará à mesa com seu
olhar limpo, porque a verdade passará a
ser servida antes da sobremesa.
Artigo VI
Fica estabelecida, durante dez séculos, a
prática sonhada pelo profeta Isaías, e o
lobo e o cordeiro pastarão juntos, e a comida
de ambos terá o mesmo gosto de aurora.
Artigo VII
Por decreto irrevogável, fica estabelecido o
reinado permanente da justiça e da claridade,
e a alegria será uma bandeira generosa
para sempre desfraldada na alma do povo.
Artigo VIII
Fica decretado que a maior dor sempre
foi e será sempre não poder dar-se amor
a quem se ama, e saber que é a água que
dá à planta o milagre da flor.
Artigo IX
Fica permitido que o pão de cada dia
tenha no homem o sinal de seu suor.
Mas que, sobretudo, tenha sempre
o quente sabor da ternura.
Artigo X
Fica permitido a qualquer pessoa,
qualquer hora da vida, uso do
traje branco.
Artigo XI
Fica decretado, por definição, que
o homem é um animal que ama, e que
por isso é belo, muito mais belo que
a estrela da manhã.
Artigo XII
Decreta-se que nada será obrigado
nem proibido, tudo será permitido,
inclusive brincar com os rinocerontes
e caminhar pelas tardes com uma
imensa begônia na lapela.
Parágrafo único:
Só uma coisa fica proibida: amar sem amor.
Artigo XIII
Fica decretado que o dinheiro não
poderá nunca mais comprar o sol
das manhãs vindouras.
Expulso do grande baú do medo,
o dinheiro se transformará em uma
espada fraternal para defender o direito
de cantar a festa do dia que chegou.
Artigo Final
Fica proibido o uso da palavra liberdade,
a qual será suprimida dos dicionários
e do pântano enganoso das bocas.
A partir deste instante a liberdade será
algo vivo e transparente como um fogo
ou um rio, e a sua morada será sempre
o coração do homem.

Silêncio e palavra
I
A couraça das palavras
protege o nosso silêncio
e esconde aquilo que somos
Que importa falarmos tanto?
Apenas repetiremos.
Ademais, nem são palavras.
Sons vazios de mensagem,
são como a fria mortalha
do cotidiano morto.
Como pássaros cansados,
que não encontraram pouso
certamente tombarão.
Muitos verões se sucedem:
o tempo madura os frutos,
branqueia nossos cabelos.
Mas o homem noturno espera
a aurora da nossa boca.
II
Se mãos estranhas romperem
a veste que nos esconde,
acharão uma verdade
em forma não revelável.
(E os homens têm olhos sujos,
não podem ver através.)
Mas um dia chegará
em que a oferenda dos deuses,
dada em forma de silêncio,
em palavra transfaremos.
E se porventura a dermos
ao mundo, tal como a flor
que se oferta – humilde e pura – ,
teremos então cumprido
a missão que é dada ao poeta.
E como são onda e mar,
seremos homem e palavra.

O muro invísivel
É inútil minhas palavras
ultrapassarem fronteiras,
se eu ainda permaneço.
Muro invisível existe
entre o dizer e o fazer
e, talvez, à sua sombra
apenas envelheçamos.
Jamais saberá a relva
Quando o orvalho descerá,
e é dádiva da terra,
O que amadurece os frutos.
Sou qual ávida planície
Esperando vir dos céus
a chuva fertilizante.
Entrementes, vejo flores,
sem saber se as colherei.

Barcos e Ventos
Estimo o velejar fácil
de barco singrando o rio
sem qualquer ânsia de porto.
No singrar já se compraz.
Além das águas, desejo
ouvir o rumor do vento
que agita o mar e saber
a que rumo ele me impele.
Ai, triste é ser como o búzio
que, fabulário, resguarda
em seu côncavo o murmúrio
do mar a que pertenceu,
no entanto jamais se escuta.

Para não esquecer o “Dia do Palhaço” 10/12/2009

Posted by Andreia Santana in Autores, Datas, literatura, poesia.
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2 comments

Se sou alegre ou sou triste?…
Francamente, não o sei.
A tristeza em que consiste?
Da alegria o que farei?
Não sou alegre nem triste.
Verdade, não sou o que sou.
Sou qualquer alma que existe
E sente o que Deus fadou.
Afinal, alegre ou triste?
Pensar nunca tem bom fim…
Minha tristeza consiste
Em não saber bem de mim…
Mas a alegria é assim…

(Fernando Pessoa)

Quase uma twittada! 09/12/2009

Posted by Andreia Santana in Querido Diário.
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A vida segue sem computador e agora também sem televisão. Paredes quebradas, poeira e tinta para todo lado. Casa em reforma para as natalices. Vou esperar terminar a bagunça para quebrar o porquinho, computadores são sensíveis à poeira. Muito bom ficar sem TV e sem PC, reli O Médico e o Monstro (Robert Louis Stevenson), Frankestein, de Mary Shelley e estou concluindo Drácula, (Bram Stoker). Tenho muito o que escrever sobre a trilogia clássica do terror para vocês. Antes, preciso colar os azulejos do banheiro e dar outra “demão” de tinta nas paredes da casa. Tenham paciência!

P.S.: Título impróprio. Tem bem mais de 140 caracteres neste post. Não é uma twittada!