(Im)paciente Crônica: Conselhos para não surtar ao ser barrado na porta do clubinho

As pessoas, na maioria das vezes, temem aquilo que elas desconhecem e sentem-se ameaçadas por situações ou pessoas novas.  No trabalho, com exceções claro, novatos são olhados com desconfiança. Principalmente quando esse novato tem uma boa reputação ou quando ele meio que representa um filho pródigo que retorna ao lar depois de viver certa quantidade de aventuras em outros lugares. Então, é preciso desmistificar e trazer essa novidade para um nível mais abaixo, desfazer a aura…

É estranho, porque quem chega, geralmente só quer se ambientar, ser acolhido (ah, o ser humano e essa necessidade de ser amado), talvez retomar antigos laços, fazer novos contatos, colaborar, fazer parte do clubinho. Muito raramente a pessoa que chega quer dominar a área ou se mostrar melhor que as demais.

Só que a humanidade está cada dia mais doente, perdida e assustada. Emprego não está fácil e as pessoas pensam assim: ‘a melhor forma do meu pescoço não ir parar na guilhotina é se eu mostrar que esse novato aí vale menos que eu’. Mesmo quando o novato em questão não tem interesse em competir, só quer manter as contas em dia, de preferência fazendo um trabalho que gosta. Porque de gente sofrendo por fazer o que detesta só pelo dinheiro, o mundo anda cheio e vai ver é por isso que a humanidade está cada vez mais doente…

Como lidar? Acho que a receita passa por sofrer o mínimo possível com a rejeição velada ou com a necessidade quase de picuinha que algumas pessoas possuem de catar cada trabalho feito pelos novatos, em busca de possíveis falhas. E como estamos falando de um nível de atuação meramente humano, óbvio que vai rolar uma falha. Sendo que às vezes, a falha não é de procedimento, mas de processo.

Uma pessoa não pode jogar conforme certas regras se essas regras não são apresentadas com antecedência. Quem chega não é obrigado a conhecer as rotinas e padrões do lugar novo, logo de cara. No mínimo, alguém precisa dar a explicação inicial e a partir daí, a pessoa se vira, pergunta aqui, observa ali e se adéqua às normas da casa.

Comete uns deslizes no caminho, porque todo aprendizado é árduo e pressupõe doses de erros e acertos. Por melhor que seja o currículo do novato, ele não sabe tudo. Ninguém sabe tudo. E coitado daquele que, mesmo depois de 30 anos de profissão, acredita que já domina todo o conhecimento necessário e se recusa a aprender coisas novas.

O bom é que, como tudo na vida, a celeuma em torno da novidade um dia passa. Na maioria dos casos, dura um tempo e depois a tribo relaxa, o novato deixa de ser novato e cada um segue sua vida…

Para quem estiver vivendo dias estranhos no trabalho, na escola ou em qualquer ambiente novo, um conselho é não cair na paranoia de achar que as outras pessoas querem ferrar com você, que elas te odeiam só por você existir.

Menos, gente!, desarma aí esse espírito, que ambiente de trabalho é lugar de adulto. As rejeições infantis a gente trata no psicanalista. Boa parte das vezes, quem rejeita novidades só está assustado, com medo de perder posição. Vai fazendo o seu aí, ‘de boas’, que a maré acalma e já, já você navega de novo em águas serenas.

Aproveita para exercitar a humildade também. Se alguém apontar um erro, faz um autoexame e vê se de fato dá para melhorar. Mesmo quando as regras não são tão claras, a gente pode sempre apelar para a intuição, que é salvadora.

Quem chega para desbravar um território novo precisa descer um pouco do pedestal e tentar enxergar a cena da perspectiva de quem já estava ali desde o começo. Perceber o medo do outro é uma forma de desativar a própria insegurança e aí sim, abrir o canal para a estranheza inicial dar lugar à familiaridade.

Cada vez mais acredito que, de vez em quando, vale embarcar na onda dos gurus zen e agir com o coração mais aberto possível, quem sabe para encontrar um sentido para a existência.

Afinal, até que me provem o contrário, confio plenamente que a sina humana é evoluir.

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4 pensamentos sobre “(Im)paciente Crônica: Conselhos para não surtar ao ser barrado na porta do clubinho

  1. Que bom ter o prazer de se debruçar por tão belo texto e tão verdadeiro. Uma colocação no espaço laboral de outrem pode criar monstros inexistentes em algumas pessoas. Quando o que esse novo “intruso(a)” somente quer o seu lugarzinho no espaço. Tambem nem todo mundo é terrorista. Kkkk. Aplausos para você Andreia Santana por ver o mundo nas entrelinhas.

  2. Andreia, gostei do artigo, quanto a evolução o Darwin alertou que era lenta. Abraços, Mello

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