Desafio: #1livroporfinaldesemana – Livro 10 – Rasíf, mar que arrebenta (Marcelino Freire)

“Se a minha esperança é um grão de sal. Espuma de sabão. Nenhuma terra à vista. Neste oceano de medo. Nada. Minha rainha.”

Rasif

O escolhido para a tag #1livroporfinaldesemana, nos dias 2 e 3/07/16, foi Rasíf – mar que arrebenta, do escritor pernambucano Marcelino Freire. O livro, lançado em 2008, é a quarta coletânea de contos de Marcelino, ganhador do Jabuti 2006, por Contos Negreiros

Uma foto no Insta e uma resenha no Mar

Rasif – mar que arrebenta navega entre a prosa, a prosa poética e a poesia impura, sem métricas ou rimas, mas em estado de enlevo. Os contos reunidos no livro falam do cotidiano, mas com uma aura de mistério e encanto raros, daqueles que só enxerga quem consegue erguer o véu do ordinário.

Amores fugidios, obsessivos, de perdição e desespero, ódios cheios de ternura, resignação e ironia, estão no centro das histórias curtas e imprecisas, com finais muitas vezes abruptos ou construídos como o clímax de um verso, os acordes finais de uma canção, uma brincadeira de roda meio alucinada.

Neste livro, não há respeito pela estrutura tradicional do conto. Trata-se de obra iconoclasta, contemporânea. As 17 histórias aqui reunidas passeiam por gêneros e formatos, sem se prender a regras e sem pretensões maiores… além daquela de ferver o sangue do leitor. E faz, e ferve!

O título Rasif revisita a gênese árabe do nome da capital de Pernambuco, Recife. As histórias fincam raízes nos primórdios não só da terra natal, mas do próprio autor, mas sempre com um olhar não linear, fora dos padrões, passional e ao mesmo tempo distante, sem saudade ou nostalgia, mas com um apego ora carinhoso, ora revoltado, às próprias origens.

Rasif me lembra outra leitura recente, também de autor pernambucano, Tangolomango – Ritual das paixões deste mundo, de Raimundo Carrero. No romance de Carrero, sobre o amor incestuoso de uma tia pelo sobrinho e deste sobrinho pela irmã, assim como nos contos de Marcelino Freire em Rasif, o tempo é diluído. E a paisagem do Recife, tal qual esse tempo impossível de medir, também é fluída, ora modorrenta, ora eletrizante.

Nos dois livros, o regente é o mesmo compasso de ciranda louca e meio visionária, um aspecto, creio eu, que é impossível descolar do espírito pernambucano, do modo de ser do povo daquelas bandas.

Rasif é intenso e ao mesmo tempo cálido, como o mar que se encrespa em ondas fortes a ponto de esculpir as rochas; ou aquieta-se na serenidade que espelha o céu.

Ficha Técnica:

Rasif2Rasíf – mar que arrebenta

Autor: Marcelino Freire

Ilustrações: Manu Maltez

Editora Record

136 páginas

R$ 39,90 (pesquisado no site da Saraiva em 03/07/2016)

Sobre Andreia Santana

Nasci em Salvador-BA, tenho 42 anos, sou jornalista e master em jornalismo on line, traça de biblioteca, cinéfila, pesquisadora de literatura e redes sociais, aspirante a encantadora de palavras, vaidosa, comilona, solteira e mãe de Matheus, uma pessoa fascinante.
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