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Drácula de Bram Stoker traduzido por brasileiro é relançado

Lúcio Cardoso
Lúcio Cardoso

O mineiro Lúcio Cardoso nasceu em 1912, mesmo ano da morte do irlândes Bram Stoker. Por uma dessas coincidências do destino, em 1943, o escritor brasileiro traduziu o clássico do colega europeu: Drácula. E é essa tradução, considerada uma das melhores da obra de Stoker para o português, que a Editora Civilização Brasileira / Grupo Editorial Record relança após 70 anos.

O Grupo Record também detém os direitos pelas obras autorais de Lúcio Cardoso. Crônica da casa assassinada, Maleita, A luz no subsolo, O desconhecido, Mãos vazias, Inácio, O enfeitiçado, Baltazar, Dias perdidos, Salgueiro; além de Contos da ilha e do continente e Diários foram relançados pela Civilização Brasileira no ano passado, em comemoração ao centenário de nascimento do escritor, que foi ainda poeta, dramaturgo e jornalista. A editora pretende republicar outras traduções assinadas por ele, como Anna Karenina (do russo Liev Tolstói) e O fantasma da ópera (do francês Gaston Leroux).

Drácula foi escrito em 1897, com inspiração no herói nacional da Transilvânia, o conde Vlad Tepes, e nos mitos romenos sobre vampiros. O romance é composto de fragmentos em forma de cartas, trechos de diários e recortes de reportagens de época. Possui ao menos cinco pontos de vista diferentes, de cada um dos envolvidos na história, que é ambientada no século XIX (saiba mais sobre Drácula).

Lúcio Cardoso, segundo a editora, não se limitou a transformar o que originalmente foi escrito em inglês para o português, mas captou a atmosfera soturna da obra de Bram Stoker, imprimindo um estilo próprio ao trabalho. A reedição da Civilização Brasileira mantém fielmente a estrutura vocabular concebida pelo tradutor para preservar o espírito do livro, algo difícil de se conseguir em outra língua.

Leia a sinopse enviada pela editora:

Jonathan Harker é um jovem advogado enviado ao castelo do conde Drácula, na Transilvânia, para finalizar a venda de um domínio em Londres. Durante a viagem, envolta por temperos exóticos, culturas orientais e paisagens inóspitas, Jonathan se vê envolvido em um clima inebriante e misterioso, intensificado pela alternância de sonhos estranhos e momentos insones atordoados por latidos sombrios de cães. Em Bistritz, antes de partir para o castelo, Jonathan é acolhido em uma pousada. Lá ele percebe, em meio a palavras de um idioma que desconhece, que há grande temor da população local em relação ao conde.

Crendice popular ou verdade? O jovem advogado entra no castelo tomado pelas dúvidas, que só vão aumentar e se tornar mais graves, dando início a uma história em que a busca pela sobrevivência depende do extermínio do poderoso conde e sua amaldiçoada sede de vida.

Ficha Técnica:

DraculaDrácula

Autor: Bram Stoker

Tradução: Lúcio Cardoso

Editora Civilização Brasileira

252 páginas

Preço: R$ 29,90

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4 thoughts on “Drácula de Bram Stoker traduzido por brasileiro é relançado”

  1. Olá, Andreia.
    Agradeço pela atenção e resposta. Ajudou-me, com certeza, e teu outro texto também contribuiu para esclarecer mais dúvidas que eu tinha. Antes de ter lido tua resposta, eu ainda estava na busca por informações sobre as traduções de “Drácula”, e encontrei esta matéria bem elucidativa, postada há menos de um mês e que, creio, também poderá acrescentar algo novo às tuas pesquisas: https://armonte.wordpress.com/2014/10/21/o-dracula-de-lucio-cardoso/ . Um abraço!

    1. Oi Carolina,
      Obrigada pelo link. O autor do texto é mais crítico a respeito da tradução de Lúcio Cardoso, que é considerada uma referência! E embora reconheça o valor do livro, faz algumas considerações. Ele identifica que houve cortes no texto, embora como editora, ainda considere perfeitamente possível preservar a integridade da história diminuindo o número de páginas. Sem falar que, ele compara a tradução de Lúcio com a de outro tradutor, que tem uma linguagem muito mais cheia de penduricalhos, a de Lúcio é mais limpa. A questão é que comparar se uma tradução é ou não fiel ao original, precisaria ser em comparação com o original. Existem estudos na área de Letras e Literatura que comparam traduções, mas sempre partem de um códice original, ou ao menos o mais próximo possível do que seria a obra original preservada. Toda tradução é uma forma de adaptar uma língua (aquela original da história) a uma outra língua, com códigos linguísticos diferentes. A questão é que Drácula é um arquétipo e vem sendo interpretado há séculos. O mito do vampiro é ainda mais antigo que a história de Vlad Tepes, que por sua vez inspirou Bram Stoker a criar o Conde Drácula. Drácula era um apelido de Vlad Tepes e a associação dele ao vampiro se dá por conta do desejo sanguinário em empalar os inimigos que invadiram seu país. Historicamente, óbvio, Vlad Tepes não fez um pacto com o demônio ou rejeitou Deus tornando-se um “não-morto”. Mas ele era príncipe na Romênia, de um povo cheio de crenças e lendas antigas riquíssimass. História e ficção se confundiram na vida de Vlad Tepes e a associação dele com o Conde Drácula de Bram Stoker é praticamente automática e inclusive atração turística no país. O filme citado no post que você me indica, por exemplo, e que está em cartaz nos cinemas, é uma releitura romanceada da vida de Vlad Tepes. Todas as adaptações de Drácula já feitas para o cinema até hoje, desde os tempos do filme mudo, partiram de Stoker, ou seja, do homem já tornado vampiro. Bram Stoker não narra a saga de Vlad Tepes, apenas busca elementos da vida do príncipe romeno. Coppola insinua o que teria sido a perdição de Vlad Tepes e a transformação dele no vampiro, motivada por revolta após o suicidio da esposa e a ela ter sido negada sepultura sagrada (para os cristãos, suicidas são párias e não mereceriam o reino dos céus). Esse novo filme resolve mostrar mais dados “históricos” da guerra de Tepes contra os turcos, meio como se mostrasse com mais detalhes quem era o homem que virou o vampiro. Parece interessante, quero muito assistir, mas não deixa de ser uma outra forma de contar a lenda. Salman Hushdie costuma dizer que todas as histórias da humanidade são sempre as mesmas, recontadas infinitamente. Uma história escrita há 200 anos e uma tradução clássica que tem ao menos 70 anos, acabam de fato rendendo bastante tema de discussão e interpretação. Há ainda um outro livro, na verdade é uma coletânea, que reúne as obras integrais: Drácula, O médico e o monstro e Frankestein, respectivamente os três maiores clássicos da literatura de terror de todos os tempos. O prefácio do livro é do Stephen King e aqui foi publicado pela Ediouro. O texto de Drácula nessa coletânea, que tem cerca de 400 e poucas páginas, é diferente do texto de Lúcio e da versão da Penguin, mas ainda assim, é o “original” de Bram Stoker. Será? Beijos e gostei bastante de discutir o tema com você.

  2. Olá, Andreia.
    Tenho uma pergunta. Há tempos venho procurando uma boa tradução de “Drácula”, e assim cheguei até o teu blog. Vi no Skoob (http://www.skoob.com.br/livro/edicoes/84/edicao:110) que há diversas edições do livro, publicadas por vários tradutores. O que me intriga é que esta edição da Civilização Brasileira, do Lucio Cardoso, tem somente 252 páginas – enquanto a da Penguin Companhia, por exemplo, tem 648. É uma diferença de quase 400 páginas; não cheguei a ver nenhum dos dois exemplares na minha mão, mas acho difícil que essa diferença seja atribuída somente à diagramação das páginas, tamanho da fonte, espaçamento, etc. Será que o texto do Lucio Cardoso não é integral? Tu sabes alguma coisa sobre isso?
    Agradeço a atenção.

    1. Oi Carolina,
      Como jornalista e como editora te digo que espaçamento, tamanho da fonte, tamanho da publicação (os livros da penguin costumam ter tamanhos de edições de bolso), tipo do papel usado, etc fazem diferença sim na finalização de um material. Com relação às traduções de Drácula. O livro da Civilização Brasileira é um clássico, pois é a tradução de um escritor brasileiro, feita há mais de 70 anos, para o livro de Bram Stoker que é do século XIX. É considerada uma das melhores traduções da obra para a língua portuguesa. Para os puristas, para quem busca um livro com linguagem mais erudita, é uma boa opção. O livro da Penguin / Cia das Letras é a tradução da obra original também, mas feita por José Francisco Botelho, em um projeto de livro em tamanho menor (no estilo das obras da penguin – de bolso), com textos de análise, introdução, ensaio, prefácio, notas. Para quem não conhece a obra, não conhece o contexto histórico em que foi escrita, é uma boa alternativa por trazer, além da obra de Stoker, análises sobre ela. Vai depender apenas do seu grau de interesse em Drácula para optar por uma tradução ou pela outra. Mas as duas são recomendáveis. Aqui nesse texto no blog, eu falo mais sobre a história em si, porque pouca gente consegue por exemplo, se adaptar ao tipo de narrativa de Drácula, o livro é feito de uma colcha de retalho, reproduzindo o diário de cinco personagens, a narrativa não é linear, é um estilo de missiva (cartas) e não de romance em prosa convencional. (https://mardehistorias.wordpress.com/2010/01/25/nosferatu-copolla-e-o-dracula-de-bram-stoker/). Espero ter ajudado e boa leitura! Abraços

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