Bala no Alvo, Geral

Pingos nos is: resenha não é sinopse e vice-versa

interrogaçãoDe vez em quando me deparo com leitores malcriados e incapazes de entender, ou sem a devida sensibilidade para perceber, que o Mar de Histórias é um blog pessoal e não se pretende um site de referência em pesquisa literária, escolar ou acadêmica. Por aqui, compartilho aquilo que me dá vontade, de acordo com o meu gosto enquanto consumidora de produtos culturais e com os meus aprendizados, sejam eles acadêmicos ou não. O blog não é feito para atender interesses de nenhum veículo de comunicação, partido político ou patrocinador. O Mar de Histórias não tem patrões e nem tem patrocinadores, não tem acordos ou parcerias com editoras, distribuidoras de filmes ou emissoras de tv. Não vivo do blog no sentido de pagar contas com ele, vivo dele porque é uma forma de expressão da minha personalidade, ora doce, ora igualmente malcriada, principalmente quando tenho de responder leitor petulante! O blog completa quatro anos agora em 2013 e viverá ainda pelo tempo que me der prazer fazê-lo.

Ninguém é obrigado a concordar com as opiniões alheias, mas a boa educação manda respeitá-las. Portanto, ninguém é obrigado a concordar com o que eu escrevo ou defendo no meu blog, mas a boa educação manda que haja respeito, pois embora esse seja um sítio na internet sem fronteiras, acessível por qualquer pessoa via buscadores (e o blog é bem ranqueado no Google sem que eu precise pagar por isso),  é uma página pessoal.

O Mar de Histórias, para quem não sabe qual é a proposta do blog, é uma mistura de diário pessoal, resenhas literárias, divulgação de notícias do meu interesse e que me interessam compartilhar e um espaço onde exercito o lado subjetivo do jornalismo, através de crônicas do cotidiano, por exemplo. O blog serve ainda para eu exercitar a minha escrita criativa, postando tentativas de poemas, contos e outros textos literários. Abro espaço ainda para fazer citações das frases, versos e trechos dos meus livros favoritos, sempre com o cuidado de citar o nome do autor original quando trata-se de conteúdo de terceiros. E por fim, compartilho coisas bacanas que descubro navegando na internet, como fotos, quadrinhos, links para artigos e textos de revistas, de outros blogs… É uma miscelânea do que compõe o meu olhar sobre o mundo, seja ele “vasto como o oceano ou restrito como a minha vizinhança”.

Tenho leitores fascinantes, que estimulam e trocam ideias, e alguns deles, mesmo quando discordam totalmente da minha opinião sobre alguma coisa, tem a gentileza de criticar de forma construtiva. Como? Apresentando seus pontos de vista e argumentos, mas sem desrespeitar o fato de que tenho o direito de pensar diferente! Com esses leitores generosos, mesmo quando eles não gostam do que leram e me dizem isso com todas as letras, mas com educação, aprendo muitas lições valiosas, expando meu olhar. Me fascina a diversidade do mundo e de ideias que o povoam.

Um dos motivos de maior perrengue com os leitores malcriados são as minhas resenhas literárias. O problema não acontece com aqueles visitantes rotineiros, que me lisonjeiam com visitas diárias, mas apenas com os incautos que o Google joga para cá em buscas sem critério. Quem não sabe o caminho que está procurando (ou seja, quem não sabe fazer buscas na imensidão da internet), acaba caindo em lugares onde não queria ir. Tem gente que vem esbarrar no blog sem querer ao fazer pesquisa escolar e esses tem a audácia de reclamar na caixa de comentários, quando não conseguem encontrar por aqui aquilo que estavam buscando. Já escrevi em outras ocasiões que tive leitores que chegaram a me pedir para responder as questões do seu dever de casa (infelizmente não foram só alunos de ensino fundamental e médio que fizeram isso).

Não vendo meus textos e artigos para terceiros assinarem, não faço parte da rede mafiosa que produz TCCs, dissertações e teses para formandos, mestrandos e doutorandos fraudulentos! Respeito o conhecimento que lutei e ainda luto diariamente para adquirir e respeito os professores, pois é uma afronta à inteligência deles levar para a escola ou faculdade um trabalho plagiado; sem falar que é um desserviço a si mesmo e à sociedade pagar para os outros fazerem seu trabalho. É coisa de gente desonesta, não é sinônimo de esperteza, mas de puro mal-caratismo.

Os leitores malcriados também são aqueles preguiçosos, para quem os professores de literatura passam a tarefa de casa e que, ao invés de pesquisar fontes variadas, resumi-las e a partir daí, produzir o próprio texto, citando as referências bibliográficas onde o assunto foi pesquisado, preferem invadir o blog alheio e copiar de forma descarada a produção intelectual de outra pessoa. Para esses, o Mar de Histórias é sempre insatisfatório, visto que não atende ao script das suas aulas, é lógico!

São esses leitores malcriados que confundem, por exemplo, resenha e sinopse. Entram no blog em busca de uma sinopse dos livros ou filmes que seus professores mandaram-nos ler ou assistir, e se frustram ao se deparar com uma resenha jornalística crítica sobre a obra, ou seja, com uma análise opinativa de um produto cultural. Além de confundir resenha com sinopse, visto que a primeira é uma análise e a segunda um relato objetivo e descritivo do produto, ainda desconhecem o real significado da palavra sinopse. Resultado, não é uma sinopse o que buscam, mas um relato completo e minuncioso (mas não muito grande, senão cansa ler) da obra vista ou lida por outra pessoa, para que dessa forma, não precisem ler ou assistir. Basta um control + c e um control + v e o trabalho é entregue ao professor. Em meia-hora fica pronto e sobra mais tempo para navegar no Facebook!

Para esclarecer esses incautos que aparecem por aqui e contaminam a caixa de comentários com seu sarcasmo (o sarcasmo é a maior arma dos ignorantes), é que escrevi esse longo desabafo. Peço perdão aos leitores que me inspiram diariamente a continuar com este espaço, por tomar o tempo de vocês com esse assunto desagradável. Pulem este post e não vistam essa carapuça.

Mas, para prestar um serviço ao leitor malcriado, tipo que não faço questão nenhuma de agradar, anotem aí, seus googleiros de quinta categoria: Resenha Crítica Jornalística, que é o que eu faço, visto que sou jornalista e não professora de literatura, “é um texto de origem opinativa que reúne comentários de origem pessoal e julgamentos do resenhador sobre o que está sendo analisado”. Existem diversos outros tipos de resenha, como a científica ou a acadêmica e aqui neste link, de onde tirei as aspas acima, há mais explicações. Já a sinopse “é um resumo, uma síntese de uma obra literária, científica e etc. (…) O objetivo da sinopse é fazer com que o leitor entenda os pontos principais do texto original, e é essencial para fazer com que os indivíduos se interessem ou não pelo resto da obra, é uma espécie de chamariz”. Para entender mais sobre o conceito de sinopse o link é este.

Espero que agora tenha ficado claro e cristalino como água da fonte!

*Se gostou do texto acima, poderá se interessar também em ler:

>>Sobre plágio e preguiça de pensar

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7 thoughts on “Pingos nos is: resenha não é sinopse e vice-versa”

  1. Andreia,
    Confesso que de cara adorei seu blog, por vários motivos que me deixariam com um ar piegas se eu os citasse todos. Mas devo dizer que cheguei aqui pela sua resenha do livro Gentlemen, de Klas Östergren. Sou apaixonado pela cultura escandinava (literatura, música e cinema), em especial a sueca. :D
    Bom, fiz um rápido tour pelo blog (excelente e que pretendendo visitar mais vezes, inclusive assinei o feed) e me deparei com esse texto. Por sinal, muito, mais muito bom. Concordo com o que o que você disse. Eu também tenho um blog onde falo de livros. Recebo alguns livros para análise, mas nem por isso eu me coloco como puxa saco de quem me envia, eu coloco sempre a minha opinião gostando ou não.
    Já passei muito por isso de receber visitantes querendo encontrar textos prontos para seus trabalhos escolares. Há também aqueles aficionados por séries que comentam me xingando por eu não ter gostado da série que eles amam, ora se não querem ouvir opinião contrária às suas que não leiam as dos outros, não é mesmo? Afinal ninguém precisa pensar igual, até porque quando todo mundo pensa igual é sinal de que não se está pensando. Vi essa frase em algum lugar e acho bem válida.
    Já estou me prolongando demais, rsrs.
    Abraços!

    1. Oi Ademar,
      Obrigada pela visita, pelo comentário gentil e por tornar-se seguidor do Mar de Histórias e fique à vontade para prolongar a conversa sempre que desejar. Abraços!

  2. Perfeito, Andreia. Não sei onde vamos parar com essa leva de alunos, futuros profissionais, que usam o Google para resolver qualquer dever de casa. Sei que não são só adolescentes que fazem isso, mas eles me preocupam mais, pois os adultos que não pensam, já são caso perdido. Saudades do tempo de escola, em que eu pesquisava em biblioteca, enciclopédias e revistas. A gente tinha menos acesso a informação e pensava muito mais! Hoje está tudo ao alcance, mas nem por isso eles fazem bom uso….Que pena.

  3. Nossa, Andreia, entendo totamente a sua raiva e concordo com você, tem muita gente que não sabe fazer pesquisa na internet, entra nas páginas e mesmo copiando o conteúdo, o que já é um absurdo, nem lê o que copiou. Não dê atenção aos “malcriados” e continue escrevendo para os seus leitores fieis. Um abraço.

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