Geral, Infanto-Juvenil, Literatura, Reflexões

Psicóloga cria história para alertar contra anorexia infantil

A psicóloga Cristiane Costa Cruz lançou pela Lazuli Editora, agora em fevereiro, o livro infantojuvenil O cisne que não comia, com a intenção de, através da ludicidade das fábulas, conscientizar crianças e pais sobre a anorexia nervosa infantil.

O livro conta a história de Ana, uma cisne que não consegue se achar bonita e quer ficar magra para se parecer com uma garça. Ana para de comer e fica doente, mas a garça Gisa a ajuda, mostrando-lhe que cisnes e garças são aves diferentes e que Ana também tem suas qualidades e muita beleza.

anorexiaVale lembrar que “Ana” é o apelido que as adolescentes anoréxicas dão à doença, quando trocam receitas de como ficar sem comer em sites e comunidades na internet, achando que dessa forma vão alcançar um “padrão de beleza ideal”. A questão que preocupa a autora do livro infantil é que o distúrbio está acometendo meninas cada vez mais jovens, de até oito anos de idade.

A anorexia nervosa, explicam os especialistas, geralmente está ligada a um outro problema, a dismorfia corporal. Ou seja, por questões psicológicas e de autoestima abalada, as meninas nunca se vêem da forma que são e sempre se consideram mais gordas, mesmo quando já estão esqueléticas.

A doença também é mais comum entre as meninas e embora também ocorra em meninos, a proporção é de um garoto para cada dez garotas. Os distúrbios físicos da anorexia são decorrentes da desnutrição aguda e em crianças podem acarretar graves problemas de crescimento e desenvolvimento.

“Um dos principais fatores que contribui para o desenvolvimento dos transtornos alimentares é o padrão de beleza associado à magreza e estabelecido pela sociedade”, diz a autora de O cisne que não comia.

A afirmação dessa psicóloga é mais que pertinente. Essa semana, folheando um editorial de moda de uma revista feminina, minha irmã comentou que achava que a onda das modelos esquálidas já tinha passado. No entanto, parece que há um ressurgimento da mania em todo o mundo, e não só entre modelos. Além da polêmica da “barriga negativa” da sulafricana Candice Swanepoel, recentemente li um  texto interessante que falava sobre a moda da subnutrição como padrão de beleza entre as celebridades. O autor, inclusive, associava o incentivo da indústria da moda para que as mulheres literalmente passem fome, como uma tentativa de controle exercido pelo machismo, algo na linha, quanto mais famintas, desnutridas e apáticas, mais dóceis seriam as mulheres e mais fáceis de manipular.

O argumento faz sentido quando confrontamos com a fala dessa psicóloga sobre a ditadura dos padrões de beleza inalcançáveis defendidos por estilistas, agências de modelo, revistas femininas e todos os envolvidos na chamada indústria da beleza. As questões são: que tipo de beleza está sendo vendido? Com que finalidade? Quais os preconceitos e distorções que se escondem por trás desses padrões?

Quando penso em crianças de oito anos deixando de comer, fico mais horrorizada porque com essa idade, uma criança ainda não tem tanto discernimento, o que significa que são as mães que acabam facilitando o contato dessas meninas com toda essa “moda” distorcida vendida pela indústria. São as mães que levam as crianças ainda em tenra idade para alisar o cabelo, indiferentes ou ignorantes dos efeitos nocivos da química no corpo das filhas. São elas também que inscrevem suas meninas em concursos de beleza mirim e incentivam tanto o consumo compulsivo quanto a adultização precoce.

É lógico que não posso generalizar e achar que todas as mães agem dessa forma, mas infelizmente a maioria acaba transferindo para as filhas as próprias obsessões e frustrações em relação a beleza e magreza. Espero que o livrinho da psicóloga Cristiane Costa Cruz, com todo o poder de encantamento das histórias, ajude a conscientizar as crianças e principalmente, a levar suas mães a procurarem ajuda e curarem-se dessa infeliz submissão feminina a padrões que só escravizam e desmerecem a nossa essência.

Leia também:

>>Crianças e fashionismo: um papo sobre a noção de limites

Ficha Técnica

cisneO cisne que não comia

Autora: Cristiane Costa Cruz

Ilustrações: Paulo Sayeg

Lazuli Editora / 32 páginas /Preço: R$ 23,90

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s