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The Walking Dead começa mais violenta e veloz

Rick lidera seu grupo na “tomada da prisão” na estreia da terceira temporada

A terceira temporada de The Walking Dead estreou nesta terça, 16, no Brasil, no canal fechado Fox, e o que se viu neste primeiro episódio foi um investimento mais pesado da produção nas cenas de ação, em detrimento daquelas de maior apelo dramático mostradas nas duas temporadas anteriores, quando de certa forma, os personagens da trama ainda estavam sendo apresentados e seus medos e motivações expostos ao público.

Embora essa terceira temporada prometa todo um núcleo de novos personagens, com a aparição da guerreira Michonne e do Governador, além do retorno de outros personagens que fizeram só uma breve aparição na primeira temporada, como Morgan e Duane Jones, a estreia concentrou cenas no núcleo de sobreviventes liderados pelo ex-policial Rick Grimes e a chegada do grupo à prisão.

Até mesmo pela necessidade de se conquistar um território seguro, o primeiro episódio focou numa guerra entre os humanos liderados por Rick e os zumbis que povoavam o local. O que se viu foi uma caçada desesperada e impiedosa, uma verdadeira luta pela sobrevivência, com o grupo de Rick eliminando um a um os mortos-vivos que infestavam pátios e corredores do edifício, em cenas velozes, com exploração de táticas de guerrilha, sem muita pausa para reflexão de cada ato. Nem deu tempo do espectador respirar. Matar zumbis e abrir caminho rumo à segurança, mesmo que precária, tornou-se quase um ato mecânico, que envolve todos os membros do grupo, até mesmo o filho de Rick, ainda uma criança, ao menos no sentido cronológico.

Rick Grimes está mais taciturno e embrutecido nessa temporada

A penitenciária desativada aparece como um refúgio contra as hordas de mortos-vivos que vagueiam pelas cidadezinhas assoladas pela praga que dizimou a humanidade. No prólogo do episódio, tem-se a ideia da desesperança que tomou conta dos sobreviventes, literalmente pulando de casa em casa, em busca de um lugar menos perigoso, já que seguro, lugar nenhum é mais, onde Lori, a esposa grávida de Rick, possa ter o seu bebê. Encontrar comida e abrigo é prioridade e pode significar a diferença entre a vida e uma morte sem descanso, simbolizada pela zumbificação.

As casas destruídas e com seus habitantes convertidos em zumbis, arrastando-se descerebrados de cômodo em cômodo, aparecem como símbolo de um mundo que se desintegra e um golpe de misericórdia na utopia dos personagens de reconstruir suas vidas como elas eram antes do apocalipse.

A chegada à prisão mostra que a terceira temporada da série irá revelar personagens mais embrutecidos e até violentos, numa alusão aos instintos primitivos de sobrevivência do ser humano. A fortaleza, ex-símbolo de poder, visto que a função de uma penitenciária é essencialmente manter sob controle, do lado de dentro, os elementos indesejáveis da sociedade, agora servirá de blindagem para que os remanescentes dessa mesma sociedade se apartem dos mortos famintos.

A mudança psicológica que uma vida no limite extremo terá sobre os personagens é levemente insinuada nesse episódio de estreia. Rick, por exemplo, fala pouquíssimo, concentrado em montar as estratégias que garantirão que o grupo encontre abrigo, alimentos e remédios. De certa forma, a fragilidade emocional de todos do grupo concentra-se em Lori, que está a poucas semanas de dar à luz e teme morrer no parto e voltar como zumbi para devorar o próprio filho; ou mesmo parir um natimorto-vivo que poderia matá-la na hora de nascer.

A culpa corrói Lori por conta dos acontecimentos vistos nas duas temporadas anteriores e que culminaram na morte de Shane, amigo de infância e ex-parceiro de Rick na polícia. Mas o fator agregador do grupo é justamente a solidariedade em torno dessa mãe desamparada. A causa que todos abraçaram é a de que seu bebê nasça longe de qualquer perigo. Não deixa de ser simbólica essa união de um grupo de sobreviventes de uma catástrofe  que matou milhares de pessoas em torno de um nascimento.

Com tantas coisas acontecendo no núcleo principal, sobrou pouco tempo para o espectador entender a relação de amizade e dependência (física e emocional) estabelecida entre Andrea, ex-integrante desgarrada do grupo de Rick, que aparece doente e frágil nessa estreia, e Michonne, que lhe salvou a vida no último episódio da segunda temporada. A própria guerreira, que nos quadrinhos é praticamente um mito, apareceu muito pouco nesse capítulo inicial. Mas espera-se que ela cresça na trama a partir de agora.

Vale destacar que a estreia da série manteve a capacidade de prender a atenção do espectador e de estimular a audiência para os capítulos posteriores, pois perdura o clima de suspense. A verdade é que The Walking Dead usa e abusa, com maestria, da mistura de ação, drama, terror físico e psicológico como trunfos para cativar o espectador. A produção terá muito fôlego pela frente se não abrir mão dessa característica que a diferencia de outros programas do gênero.

Triângulo da primeira temporada, entre Shane, Rick e Lori, tem suas consequências nessa fase da série

Na TV aberta – Atualmente sendo exibida no Brasil pelo canal fechado Fox, The Walking Dead tem previsão de chegar à TV aberta, em versão dublada, a partir do ano que vem. Pelo que se comenta na internet, nos sites especializados em séries, a Band teria comprado os direitos das duas primeiras temporadas e planeja iniciar a exibição entre janeiro e março de 2013.

Quanto à sobrevida para uma quarta e quinta temporadas mundiais, parece que The Walking Dead tem tanta energia quanto os seus zumbis para continuar “caminhando”. A estreia da terceira temporada nos Estados Unidos bateu recorde absoluto de audiência, com 10,9 milhões de telespectadores, um ganho de 50% em comparação à segunda temporada, de acordo com o canal AMC. A audiência da estreia no Brasil ainda não foi divulgada.

Para situar os neófitos – Para quem não tem a menor ideia do que seja The Walking Dead, trata-se de uma série de tv inspirada em um HQ homônimo. Conta a história de um grupo de sobreviventes de um apocalipse zumbi que devastou a humanidade. Para além das cenas escatológicas de mortos-vivos famintos por carne humana, a série é muito bem feita, com suspense e terror psicológicos bem trabalhados e conflitos dramáticos que prendem a atenção do espectador.

A ação, nas duas temporadas iniciais ficou centrada no policial Rick Grimes, um homem que, pouco antes da devastação zumbi, havia levado um tiro em uma ação contra bandidos e ficado em coma. Rick acordou do coma para o pesadelo de destruição completa do mundo como ele conhecia. A partir daí, inicia uma busca por sua família (mulher e filho), que acredita ter sobrevivido à zumbificação da humanidade, assim como ele. No caminho, encontra outros sobreviventes e acaba tornando-se o líder do grupo. Ao re-encontrar a mulher e o filho, que ele descobriu terem sobrevivido graças a Shane, seu amigo e ex-parceiro de polícia, Rick, que era dado como morto pela esposa, acaba integrando um triângulo amoroso bem tenso e que terá consequências ao longo da série.

*Análise também publicada no CineInblog

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