Sobre plágio e preguiça de pensar

A geração atual, descrita em um verbete da Wikipédia no futuro, será definida como “destituída de senso crítico, incapaz de pensar por conta própria, sem capacidade de contextualizar o mundo onde vive histórico-político-socialmente, desonesta e essencialmente analfabeta funcional”. Se você pertence a geração atual e não se encaixa na descrição, parabéns, pois faz parte do grupo das honrosas exceções. No entanto, não quero falar das  honrosas exceções, mas da regra de comportamento da nossa classe estudantil, seja no ensino fundamental II (5º ao 9º ano), ensino médio, graduação ou mesmo pós.

O plágio, em consequência da preguiça de pensar que se alastra feito praga pela humanidade cada dia mais teleguiada, webguiada, facebookeguiada, googleguiada, de uma prática condenada, desonesta, imoral, anti-ética e criminosa, virou recurso dos “espertos” contra os “otários”. Professores otários e, claro, autores otários de textos copiados descaradamente por gente que até teria a mesma capacidade de produzir conteúdo semelhante ou melhor, mas que por preguiça e um senso de oportunidade distorcido em oportunismo, pega o caminho mais fácil.

Certa vez, recebi um comentário desaforado de uma guria que disse que se eu não queria ter meu conteúdo copiado, não o publicasse! Recentemente, outro guri desaforado deixou comentário me pedindo para responder, “urgente”, as questões do seu dever de casa sobre o livro O menino do pijama listrado, que já resenhei aqui no blog. Quando respondi que o blog não era um site de pesquisa escolar e que eu recomendava que ele buscasse outras fontes de informação para seu trabalho, um outro leitor (ou o mesmo usando outro nome) questionou se o fato de eu ser jornalista não me obrigava a pesquisar e contextualizar o material que publico no meu blog! A resposta que dei segue abaixo e serve tanto para esse estudante quanto para qualquer outro que tenha adotado como prática acadêmica criminosa plagiar os textos alheios:

“Precisa, lógico! E se você leu com atenção tanto a resenha que fiz do livro, quanto o comentário sobre o filme vai ver que está recheado de fatos históricos, análises e contextos. Quanto a isso não tenho problema nenhum. O que eu não gosto é de receber recados no meu blog pessoal, de alguém que eu sequer conheço, me pedindo para fazer seu dever de casa e ainda dando pressa, porque o prazo está apertado. Bem-vindo ao mundo adulto, prazos fazem parte da vida. Você é o estudante e não eu. No meu blog, escrevo o que eu quiser, com o grau de profundidade e embasamento que eu achar que o assunto merece. E quanto a você ou qualquer outro estudante que o Google tenha feito vir parar aqui no blog, ao invés de buscar respostas prontas usando o talento ou o trabalho de pesquisa de outra pessoa, trate de ler mais sobre os temas propostos por seus professores e buscar por conta própria os embasamentos e contextos históricos e sociais para os seus trabalhos escolares. Plágio, além de imoral e anti-ético, é crime! Abraços.”

Os dois exemplos não são os únicos e nem estou levando em conta os comentários desaforados que recebo no blog depois de me recusar a fazer o dever de casa dos estudantes que acessam a página e que, lógico, jogo no lixo. Já recebi outras pérolas do gênero, até de gente me pedindo para enviar por e-mail o resumo de determinado livro, porque tem prova de literatura para fazer e “não deu tempo de ler a obra”. Sei!

Me dá raiva, claro, da cara de pau dessas pessoas e me dá também muita pena. A fraude um dia é descoberta. Se não pelo professor sobrecarregado e mal pago que não tem tempo de acessar a internet e pesquisar se as referências usadas pelo aluno são verdadeiras, ao menos pelo mercado de trabalho. Pode até demorar, mas a fraude um dia é descoberta.

Já vi gente incompetente ascender a cargos estratosféricos em empresas usando para isso o talento e o trabalho de seus subordinados. Mas essas pessoas, igualmente dignas de pena, só são reconhecidas dentro da empresa porque usam recursos como assédio moral e ameaças para manter sua máscara de super capacitados. Mas isso não significa que quem trabalha com essas criaturas não saiba quem elas são de verdade e muito menos quer dizer que, uma vez que percam a “boquinha” no empregão dos sonhos, terão capacidade de  se estabelecer em outro lugar com o mesmo status.

O crime não compensa e quando aparenta compensar, é só uma questão de tempo, esse nosso amigo implacável, para que, como diz a gíria de carceragem, “a casa caia”.

Não adianta plagiar, não adianta pedir para os pais, amigos, conhecidos ou blogueiros fazerem o dever de casa ou o artigo acadêmico que você está assinando. A fraude vai ser descoberta. E mesmo que ela não seja, a perda é toda sua, plagiador, porque quem escreveu o texto que você copiou, se achando um esperto mensaleiro da vida estudantil, tem capacidades e competências que você, na sua ignorância e na ânsia em passar à frente dos demais, jamais vai desenvolver. Só lamento pela sua mediocrização voluntária!

Sobre Andreia Santana

Nasci em Salvador-BA, tenho 42 anos, sou jornalista e master em jornalismo on line, traça de biblioteca, cinéfila, pesquisadora de literatura e redes sociais, aspirante a encantadora de palavras, vaidosa, comilona, solteira e mãe de Matheus, uma pessoa fascinante.
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8 respostas a Sobre plágio e preguiça de pensar

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  2. Pingback: Pingo nos is: resenha não é sinopse e vice-versa | Mar de Histórias

  3. Rodrigo diz:

    Nossa que blog! adorei… Rodrigo de São Vicente, litoral Paulista. continue assim Andréia, eu tinha um blog mas acabei me desmotivando e o abandonei em 2009, mas desejo muito sucesso com o seu parabéns! por favor gostaria que respondesse, pra mim saber que vc leu.

  4. Mária diz:

    Parabéns, Andreia. Abordou uma questão que me incomoda muitíssimo, pelo que vejo por aí, de estudantes pedindo o resumo de livros e respostas urgente, pela Internet. Uma pena!! Em meu tempo de escola líamos os livros e fazíamos nossos resumos. Hoje, que tem internet, os alunos têm tanta facilidade para aprender mais e melhor. Por que preferem o caminho mais fácil? Abraços!

    • Também fico me perguntando os motivos Mária, mas acho que passa tanto pela questão de mau uso da internet, quanto de uma ausência de valores éticos que tem se tornado comum na nossa sociedade. Abraços!

  5. Parabéns, Andreia! Você continua navegando contra a pasmaceira e a ignorância que parecem lavrar nessa geração dos espertinhos! Estamos do mesmo lado. Um grande abraço,
    Luzia de Maria
    http://www.luziademaria.com

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