Amor, admiração, amizade e respeito…tudo junto é o céu!

Um complemento ao título: “para ser o céu completo – me disse minha amiga Val – (que não é a Marchiori #pelamordedeus) – falta só ter sexo, né, amiga?!”. É, Val. Mas é que eu não consigo, mocinha dos tempos de outrora, separar sexo de amor, para mim o pacote completo inclui as duas coisas. Agora vamos ao post, também provocado por outra amiga, que me veio com essa dúvida: “você conseguiria amar alguém por quem tem amizade antiga e uma enorme admiração?” Conseguiria! Sim ao cubo elevado à milésima potência! Difícil (impossível não posso dizer que é, porque essa palavra é danada de traiçoeira) é amar alguém por quem não temos também o carinho de um forte sentimento de amizade e a quem não admiramos nem um pouquinho.

Penso assim e pronto. Agora desenvolvo.

Tem coisa mais bonita – sem contar na massagem generosa no ego, esse nosso companheiro que requer atenção constante – do que ser a referência de alguém? Ou ter alguém bacana como referência? Agora, imagina que isso se passa com uma pessoa que você também admira, por quem tem aquele carinho e respeito digno dos amigos de longa data, e ainda por cima ama e deseja? Desejo aqui para não esquecer do sexo, senão Val reclama!

Ressalva importante: admiração aqui num sentido humano e não daquele tipo dispensado aos mitos desprovidos de carne e osso. No altar, já disse outras vezes, mulher nenhuma – e nem homem também – quer ser colocada (o). Até porque, agora Val dominando o post, “no altar não tem sexo, gente!” É para admirar sim, mas sem esquecer que seres humanos tem defeitos. É para ter carinho, cuidado de amigo, mas também não vai transformar a criatura dos seus desejos em confidente do seu passado, senão vai dar xabu. É que, como também já andei escrevendo por aqui, sua história, sua trajetória, os sucessos e fracassos da sua vida afetiva pertencem só a você e a mais ninguém. Dividir isso com o namorado (a) é cavar um fim precoce para o relacionamento. E se a criatura dos seus desejos é tão masoquista a esse ponto, investiga isso aí direito, porque a curiosidade excessiva pode esconder um ciúme obsessivo e doentio. Ninguém merece ciumentos obsessivos e doentios para amar.

Respeito. Deus e o mundo já disseram – e vivem dizendo – sem perder uma gotinha de razão, que essa é a base de qualquer relação que envolva o afeto entre duas pessoas e o desejo de estar juntas. Como amar alguém que não nos respeita ou que não respeitamos? Na categoria do respeito eu coloco ainda a compreensão, porque acredito, piamente, que quem respeita o outro é capaz de compreendê-lo. Compreensão não é ser a maria ingênua (ou zé ingênuo) que passa a mão na cabeça de quem nos sacaneia (e morde a mão!), mas é o entendimento de que as relações, de qualquer tipo, envolvem sempre mais de uma pessoa, mais de uma vontade, mais de uma opinião. Compreender pressupõe negociar e abrir o verbo, botando na mesa em pratos limpíssimos tudo o que precisa ser dito e que, uma vez escondido, irá tornar-se mágoa e minar a convivência, matando o amor.

Dá para ter o pacote completo? Depende, alguns mais sortudos conseguem, outros administram bem a coisa, mesmo que só tenham uma parte; e há os que não alcançam esse estado quase sublime e ainda assim vivem o que a vida lhes dá. Não dá para esquecer dos que se recusam às relações meia-boca e esperam, para ver se a maré melhora. Mas, uma coisa é certa, o amor, assim como tantas outras coisas na vida, pode ser construído e moldado à nossa vontade, mas dá um certo trabalho. Claro, com o perdão do tosco trocadilho: de graça não teria a menor graça!

Se você sabe o que é o amor para você e que tipo de amor é capaz de dar aos outros (amigos, família, namorados…), e que tipo espera receber em troca, vale arregar as mangas e construir isso. Não existe fórmula e nem manual, mas um bom começo é ter autoestima estratosférica (se ache mesmo a última coca cola do deserto, não se dê por pouco). Fazer aquela faxina emocional básica também é bom. De vez em quanto a gente está na sintonia errada e acaba atraindo outras pessoas que só nos magoam. Mandar essa turma de volta para a sombra é saudável.

As mudanças, como li outro dia no blog de uma terceira amiga, não precisam ser alardeadas. É um trabalho sutil, de auto descoberta e de descoberta do mundo ao redor, das pessoas, dos sentimentos. É um trabalho lento e contínuo, que boa parte das vezes resulta de uma espera consciente. Na hora que a gente toma consciência de quem é e de quanto vale, quando a gente finalmente consegue se amar com amizade, admiração e respeito, é porque estamos no caminho certo para conquistar um amor quase ideal, de tão bom, e junto com ele, boa parte desse céu aí do título do post. Sem esquecer de botar o sexo no pacote, que como mais uma vez nos lembra Val, “é bom demais”.

E alguém vai contrariá-la?

Sobre Andreia Santana

Nasci em Salvador-BA, tenho 42 anos, sou jornalista e master em jornalismo on line, traça de biblioteca, cinéfila, pesquisadora de literatura e redes sociais, aspirante a encantadora de palavras, vaidosa, comilona, solteira e mãe de Matheus, uma pessoa fascinante.
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4 respostas a Amor, admiração, amizade e respeito…tudo junto é o céu!

  1. Carlos Alberto Santana diz:

    bateu uma sensação de que andei lendo um post autobiográfico… mas como não sou bom entendedor da natureza humana… fiquei apenas no texto. bom demais da conta. como sempre.

  2. Fico em deleite com seus textos. Adoro a forma inteligente e ao mesmo tempo delicada com que você escreve. Amei o post. Beijos

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