Geral, Infanto-Juvenil, Literatura

Resenha: Odd e os gigantes de gelo

Fábula para embalar o sono das crianças com fantasia e esperança

Odd e os gigantes de gelo não é a primeira incursão de Neil Gaiman no universo das fábulas infantis. Coraline, já levado ao cinema e Os lobos dentro das paredes marcam a produção do escritor para um público mais jovem do que aquele acostumado a Sandman ou aos seus romances e contos sombrios. No entanto, esse é o primeiro livro de Gaiman que dá para definir como infanto-juvenil na essência, já que os outros trazem elementos da literatura gótica que os aproximam bem mais de aventuras para adolescentes e jovens adultos, ou dos contos de fadas clássicos como os dos Irmãos Grimm (Stardust, por exemplo). Neil Gaiman, porém, não é fácil de – e nem deve – ser rotulado.

Ambientado na fria Noruega, Odd e os gigantes de gelo narra a história de um menino vicking órfão de pai, que tem uma perna defeituosa e é considerado meio bobo na aldeia onde vive com a mãe, o padrasto e os irmãos postiços. Numa noite em que decide se mudar para a antiga cabana de caça do pai falecido, Odd conhece três incríveis animais, uma águia, um urso e uma raposa que o conduzem para uma grande aventura em busca da salvação para o Asgard, o reino dos Aesir (os deuses nórdicos), que foi capturado pelos gigantes do título, condenando a terra a um frio eterno. O coração puro de Odd e o seu otimismo que beira a irritação o conduzem nessa jornada de auto-superação. Salvar Asgard é devolver a primavera ao mundo dos humanos, já que o inverno eterno tanto enlouquece os deuses, quanto as pessoas.

Brett Helquist ilustra esse pequeno conto de fadas sobre esperança e superação

O livrinho tem pouco mais de 120 páginas e é ilustrado por Brett Helquist, autor também das ilustrações das Desventuras em Série (Lemony Snicket/Daniel Handler). A narrativa envolvente de Gaiman dessa vez é clara e limpa como as águas do poço encantado de Mimir. Não há espaço para as camadas de sombra que permeiam suas histórias mais sinistras. A singeleza da história e o carisma da personagem principal estão mais em evidência do que a riqueza da mitologia nórdica. Os deuses, mostrados em sua glória, mas também identificados por suas fraquezas, não são páreo para a inteligência curiosa e espontânea do menino. Odin, Thor e Loki são coadjuvantes da saga de uma criança humana, mas com alma divina.

Odd é ainda um pequeno libelo ao amor e uma celebração do retorno da luz. Só quem vive em países gelados sabe o quanto os meses de sol são aguardados com ansiedade. Trata-se de um conto para embalar o sono das crianças com fantasia e esperança, mas que também aquece o coração dos adultos que se dispuserem a embarcar na jornada desse simpático menino vicking.

Ficha Técnica:
Odd e os gigantes de Gelo

Autor: Neil Gaiman

Ilustrações: Brett Helquist

Tradução: Maria Beatriz Branquinho

Editora: Rocco / 126 páginas / R$ 20,00 em média

2 opiniões sobre “Resenha: Odd e os gigantes de gelo”

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