“Gostava que encontrasses um dia um bom marido”

A imagem é empréstimo do site Pro Portugues.

“Gostava que encontrasses um dia um bom marido, Também gostava, mas ouço as outras mulheres, as que dizem que têm bons maridos, e fico a pensar, Achas que eles não são bons maridos, Para mim, não, Que é um bom marido, para ti, Não sei, És difícil de contentar, Nem por isso, basta-me o que tenho agora, estar aqui deitada, sem nenhum futuro, Hei-de ser sempre teu amigo, Nunca sabemos o dia de amanhã, Então duvidas de que serás sempre minha amiga, Oh, eu, é outra coisa, Explica-te melhor, Não sei explicar, se eu isso soubesse explicar, saberia explicar tudo, Explicas muito mais do que julgas, Ora eu sou uma analfabeta, Sabes ler e escrever, Mal, lê ainda vá, mas a escrever faço muitos erros. Ricardo Reis apertou-a contra si, ela abraçou-se a ele, a conversa aproximou-os devagarinho duma indefinível comoção, quase uma dor, por isso foi tão delicadamente feito o que fizeram depois, todos sabemos o quê.”

(José Saramago, O ano da morte de Ricardo Reis, pp. 201 e 202. Companhia das Letras, 1988, 2ª edição, 4ª reimpressão, São Paulo.)

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