Bala no Alvo, Cotidiano, Crônicas, Geral

Acordei em (estado de) tonturas…

Meus vizinhos são uns amores.

No prédio onde moro, todo mundo resolveu criar cachorro e o mais novo membro da família canina do edifício é um beagle de dois meses de vida. Esse priminho do Snoopy é uma fofura…quando não está chorando de madrugada.

Penso seriamente em comprar um rotweiller, o cão infernal. Posso batizá-lo de Cérbero.

Em uma das casas da vizinhança. Tarde de sábado. Brisa suave entra pela minha janela, boa brisa para botar a leitura em dia. Mas, um vizinho aniversariante – e evangélico neopentecostal – decidiu promover uma sessão de descarrego (ou seria invocação?).

Me espanto sempre com o fato das pessoas não praticarem sua fé em silêncio ou em volume audível apenas aos iguais. Precisa envolver toda a rua, o bairro, no teatrinho?

Cai a noite. Agora sim, dormir o sono dos justos. Quem dera. O prédio ao lado do meu aluga o playground para eventos. A festinha durou até três da manhã. É pura retórica, mas pergunto: que foi feito da tal lei do silêncio? Não precisa responder!

Manhã de domingo. Acordo em (estado de) tonturas. A cabeça oca, como um balão cheio de gás hélio. Flutuo em pensamentos desconexos. Acalento desejos sinistros de vingança. Rogo pragas e lembro de Edward Norton em Clube da Luta. Não sei porque…

O som de microfonia entra pela janela. Cinco minutos depois, o pastor da igreja evangélica das redondezas começa o “louvor”. Eu rezo, sim, com fervor, aos deuses do sossego, para que hoje não seja dia de exorcismo.

Com certa ironia, lembro das placas dos novos edifícios em construção no meu quarteirão. “Venha para a Vila Laura, novo sinônimo de morar bem em Salvador. Bairro aprazível, pertinho de tudo, a cinco minutos do centro financeiro da capital e ainda preserva aquele ar bucólico das áreas tipicamente residenciais”.

A cereja do bolo: sobraram bombinhas juninas no arsenal dos guris das redondezas.

Me reservo, diante das adversas circunstâncias, o direito de ser perversa.

Não tenho a menor pena de quem cair no conto do anúncio!

P.S.: Vim morar no bairro quando o único som audível em tardes primaveris era o do vento uivando e sacudindo a folhagem dos bambuzais. Ainda tenho nos ouvidos a vozinha doce do meu filho, aos dois anos, deitado comigo nas almofadas do chão do quarto e perguntando: “que é isso mamãe?” e eu respondia, ” é o barulhinho do vento”. E ele repetia como um papagaio: “o baulhinho do vento?”

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4 thoughts on “Acordei em (estado de) tonturas…”

  1. Sempre venho aqui, mas nunca deixo comentário. Eu sei, é vergonhoso…..rs. Ainda mais para quem tb tem blog e reclama da mesma coisa. Amei post de hoje, cada linha, cada referência. Me surpreendi ao ver isso: “Penso seriamente em comprar um rotweiller, o cão infernal. Posso batizá-lo de Cérbero”, pq na minha imaginação o cérbero sempre foi um rotweiller…rs.

    Bj e excelente semana!

  2. Aff…e eu, que já morei no primeiro andar de uma igreja dessas bem barulhentas? Parecia que o pastor estava pregando bem no pé do meu ouvido…Deus me livre! Vizinhos inconvenientes são mesmo um problema… boa sorte! rs…

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