“Conselho e água…”

Me sinto chamada a uma responsabilidade muito grande quando alguém me pede um conselho, principalmente sentimental. Talvez por pudor, ou modéstia, já que não sou especialista em nada, muito menos em amor, não me sinto capaz de assumir o papel em tempo integral. E também por uma certa desconfiança dos conselhos. Acredito que, com as devidas exceções e a depender da situação, quem pede um conselho já sabe o que deve fazer, mas precisa que um outro lhe diga. Assim, se der errado… é mais fácil jogar a culpa no vizinho. Costumo ser um bom ouvido para os amigos, mas dar conselhos é mais complicado, porque não sei dizer o que os outros querem ouvir, só digo o que penso e o que sinto, e quando não posso dizer, prefiro ficar quieta. Por experiência, já notei que quando você diz o que o outro não quer ouvir, ele sequer presta atenção; e quando diz exatamente o que ele quer ouvir, bom, que diferença faz o conselho nesse caso?

Aqui no blog, sempre que me perguntam “o que devo fazer?” sobre uma determinada situação, principalmente se é em casos de amor, respondo com o que eu faria se o problema fosse comigo. É o máximo que posso fazer porque da vida só conheço o que sinto na carne. Porque o que outra pessoa vai fazer não tenho como saber, tampouco posso medir as consequências para ela. Só sei o que eu faria se me visse na mesma situação e ainda assim, não acredito que seja modelo de comportamento. Acho o fardo dos modelos de comportamento extremamente pesado de carregar e também creio que é um desrespeito com a individualidade alheia a gente tentar impor ao outro que seja um modelo para nós. Cada pessoa é única e reage de uma maneira aos problemas. Um conselho, quando dado, nunca pode ser uma imposição, no máximo, demonstra um ponto de vista diferente.

Também acho hipócritas aquelas pessoas que ficam fazendo rodeios, dizendo várias coisinhas sem sentido, que não vão ajudar a clarear as ideias de quem pediu o conselho, mas servirão só para dar a falsa impressão de que estão envolvidas e se importam, quando na verdade não querem é se comprometer. Não gosto de quem fica em cima do muro e não se compromete, sou uma pessoa passional, me comprometo sempre com o que digo ou faço. Sou do tipo que dá opinião, mesmo que ela contrarie as expectativas.

Mas admito que, em se tratando da vida alheia, se comprometer, opinar, “meter a colher na briga de marido e mulher”, como diz o ditado, é extremamente desconfortável e até imprudente! Amparar alguém em um momento de angústia, dar o ombro para a pessoa chorar, tentar fazê-la sentir-se melhor se está mal, confortar numa situação de dor, mostrar-se compreensivo… isso sim, é fundamental e é solidário. Mas induzir a pessoa a agir conforme nossa vontade, guiá-la como se ela fosse um robô, isso é ousadia demais!

Geralmente, quando me perguntam sobre o que fazer, recomendo o diálogo, seja com os pais, namorados, maridos, amigos, chefes… Tem alguma coisa ou alguém incomodando? Alguma situação mal esclarecida? Então, chama para a conversa, escreve uma carta, manda um email quilométrico, mas sinaliza, diga, busque uma conversa franca. Sem isso para esclarecer os pontos obscuros e os mal-entendidos, nenhum conselho vai surtir efeito. Toda vez que a gente não diz alguma coisa para alguém com clareza, está dando margem a pessoa pensar o que bem quiser e não podemos culpá-la pelo mal-entendido se não fizemos nenhum esforço para o bem entendido, não é?

Creio que levar o outro a refletir sobre o próprio problema é a forma mais sábia de aconselhar. Ao menos os terapeutas fazem assim e dá certo. Além disso, é a única forma de fazer o outro crescer e ter a coragem de encarar as consequências pelos próprios atos e decisões. Por mais que alguém seja bom conselheiro, não tem poder nenhum de fazer uma situação resolver-se como num passe de mágica. A capacidade de mudar a nossa vida, para o bem e para o mal, é toda nossa, não tem conselho que mude essa realidade!

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