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A importância de distender-se, ou a lição dos gatos

Decidi retomar seriamente os cuidados com a saúde a partir dessas férias e depois dos exames de rotina e de um bom bate-papo com o médico, descobri que uma parte considerável das dores musculares que andava sentindo e do aumento de peso para além do meu shape “gordinha saudável” de sempre, tinham como causa maior o estresse acumulado. Estresse mesmo, daqueles que beiram o AVC. Me tornar uma pessoa 100% desestressada provavelmente é utopia, porque sou do tipo hiper responsável, me preocupo muito com o bem-estar de quem está ao meu redor e sou viciada em trabalho. Mas, vocação para mártir também não tenho e cá para nós, ninguém gosta de sentir dor ou ficar cultivando sofrimento. Pelo menos as pessoas minimamente sensatas não gostam.

A primeira medida foi enxugar os quilos que estavam sobrando e prejudicando articulações e ligamentos. Seis foram embora, sem muito esforço a não ser o de não compensar ansiedade com comida, cortar o excesso de doces (não todos, porque eu realmente adoro doces) e me alimentar corretamente e nas horas certas. Não tomei nenhum medicamento milagroso (porque não acredito em medicamentos milagrosos), não entrei em nenhum spa da moda e nem peguei pesado na malhação, porque tenho pavor de academia. Da musculação convencional quero distância! Apenas e aos poucos, um dia depois do outro, tenho tomado consciência de mim e do meu corpo. Comecei a me distender, como um grande felino, afinal o tigre é o meu signo do horóscopo chinês e por tabela, meu avatar.

Foto do blog Colóquios com Preto José

Não pretendo também fazer o reality show das minhas descobertas postando diariamente as evoluções do tratamento, mas quis falar um pouco dessa coisa de distender-se, porque independente de algum leitor interessado estar ou não acima do peso ou sentindo dores musculares crônicas, essa é uma boa forma de mudar o foco dos problemas, o que todas as pessoas precisam tentar de vez em quando. Pode ser que, futuramente, tendo outra coisa bacana para contar para vocês, volte a falar de mim. Mas, por enquanto, é só esse post.

Aulas de alongamento tornaram-se parte da minha rotina e mesmo quando as férias terminarem, decidi mantê-las e encaixá-las na correria diária. Uma coisa que ouvi do meu médico: “Você precisa encontrar tempo para você na sua vida corrida, porque quanto mais você se cuidar, mais forte ficará para enfrentar toda a pressão do dia a dia”.

Lindo isso não é? E tão óbvio! Mas sempre temos problemas em focar no óbvio. Não gente, ele não é psicanalista, é reumatologista e é quem me trata da fibromialgia e das outras “gias” que eu tenho, algumas em consequência de um processo inflamatório gravíssimo de alguns anos atrás e outras em decorrência do estresse nosso de cada dia que foi acumulando em camadas sedimentadas, mas aos poucos, vou removendo-as.

Os problemas reumatológicos, geralmente, são cumulativos e degenerativos, mas quem vai decidir a velocidade com que minhas articulações vão envelhecer sou eu. Ok, doutor, recado entendido!

Foto do blog Fisioterapia Mudando a Sua Vida

Entrei para um GCP (Grupo de Consciência Postural). Além disso, estou fazendo aulas de Pilates (devo publicar em breve por aqui um artigo de especialista falando sobre os benefícios do pilates contra o estresse) e, aproveitando que abriu um centro de ioga bem pertinho de casa, penso seriamente em fazer ioga também. Não tem risco de me sobrecarregar de atividade física, porque são todas aulas leves, que duram entre 50 minutos a uma hora por dia e que podem ser feitas alternadamente. Ou seja, na vida corrida, terá de ter espaço, uma hora por dia, para eu me distender como um grande gato, sentir cada fibra do meu corpo esticando-se, sentir cada músculo relaxando, cada vértebra acomodando-se no seu devido lugar e não ficando todas tortas e espalhadas como as pedras portuguesas de certas calçadas mal cuidadas de Salvador.

Consciência de si mesmo, dos próprios limites, dos próprios anseios e expectativas. Ao distender e relaxar, entramos em contato com nossa intimidade. Trabalhar o corpo e alcançar a mente. Parece papo de professor zen, mas funciona que é uma beleza! Claro que cada um vai percorrer seu caminho, descobrir seu exercício mais prazeroso, além de outras atividades. Pessoalmente, me descobri fã de todas as “ginásticas” que alongam, distendem, esticam e relaxam. Mas também sempre fui traça de biblioteca e me realizo intelectualmente quando escrevo. Pode cair o mundo, e tenham certeza, ele não cai tão facilmente, mas não abro mais mão de me alongar, ler meus livros e escrever, todos os dias, chova ou faça sol, esteja céu de brigadeiro ou sujeito a nuvens e tempestades. Uma hora aqui, um capítulo ali, algumas palavras acolá, seguirei em frente nessa resolução de ano novo que começou no segundo semestre. Como me disse certa vez uma amiga, “não esqueça de quem você é”. E é isso mesmo, não vou mas me esquecer de quem sou. O resultado final, como vocês bem imaginam, é um só, que a gente aprenda a ser mais feliz!

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