Cinema, Geral

Dois filminhos para (des)encantar 2011

Este primeiro trimestre de 2011 ainda não foi muito favorecido para a minha relação com o cinema. Tem dezenas de filmes que não vi. Normal, para quem vive com a cinematografia atrasada e, salvo nos casos em que preciso entreter meu filho teen, evito ir ao cine cada vez que o “filme bombado da vez está em cartaz”. Geralmente, vejo o “filme bombado da vez” em casa, sem o burburinho da crítica e dos fãs. Adoro escrever sobre cinema, mas estou longe de ser especialista no assunto. Respeito muito o trabalho dos críticos sérios, mas tenho notado que em alguns casos, o oba oba é generalizado e injustificado, até entre alguns dos respeitáveis. O pouco que sei sobre cinema dá para meu deleite e para cumprir alguns compromissos profissionais; ou não fazer feio em uma rodinha de bate-papo. Por exemplo, não vi nenhum dos candidatos ao Oscar, ainda, e nem acompanhei a cerimônia este ano. Estou numa vibe literatura no sangue, botando a bibliografia em dia com bem mais afinco do que a cinematografia. Quando as férias chegarem, conto os dias, essa equação equilibra melhor. Nesse “período sabático” de sétima arte, vi duas coisinhas, em finais de semana de folga. Abaixo, breves comentários:

O Lobisomem, 2010, Joe Johnston

Protagonizado por Benício Del Toro, um ator que me impressiona em muitos trabalhos, e pelo sempre surpreendente Antony Hopkins, essa releitura de um dos monstros clássicos do terror é entretenimento honesto, mas não chega necessariamente a ser uma obra-prima do gênero. Gosto muito do mito do lobisomem e de toda metáfora da relação conflituosa do homem x a fera que nos habita. A selvageria e o puro instinto dos lobisomens, seu destempero, masculinidade exacerbada e brutalidade impressionam. É o oposto à perfídia e sexualidade ambígua dos vampiros, por exemplo. Talvez por ter essa ideia formada do mito do homem lobo, me decepcionei um pouco com a polidez e a contenção de Del Toro em um personagem que flerta com o dandismo. O ator, apesar de não ser galã, tira seu sex appeal justamente do excesso de testosterona. Na minha concepção, vampiros podem ser dândis (Gary Oldman, fenomenal, em Drácula de Bram Stoker, Copolla), mas lobisomens não, há muito hormônio à flor da pele ali. E não tem como fazer filme de lobisomem sem explorar o magnetismo sexual que o fetiche do homem lobo provoca. O filme apenas flerta com essa possibilidade, de maneira quase cândida. Achei Del Toro amarrado, sem dar vazão ao “puro instinto” que já demonstrou em outros papeis notáveis. Antony Hopkins salva a interpretação, mas seu personagem nesse filme traz em excesso alguns traços do inesquecível Hannibal Lecter, daí fica aquela sensação de deja vu. No mais, a atmosfera gótica tenta dar um ar lúgubre e assustador à cena, mas nem sempre favorece a entrega do espectador. Nota 7, porque numa sessão sofá em noite de chuva, diverte!

A Bela e a Fera, 1991, animação da Disney

Quis comemorar os 20 anos de A Bela e a Fera, o filme foi lançado nos cinemas em novembro de 1991, e aproveitei para apresentá-lo à Snaky Theu (meu ‘filhoteen’). Baseado no clássico conto de fadas, é um musical delicioso, divertido e encantador com o qual tenho toda uma relação afetiva trazida da adolescência. A história é linda e embora amenizada pela Disney para adaptar-se ao público infantil, mantém sua aura de mistério e encanto. Se for reparar bem, tem tema parecido com o anterior, é o mesmo mito do homem x fera. Metáfora para o amor que redime, mas que nasce primeiro de um magnetismo quase selvagem. Nunca é demais repetir também que no Oscar de 1992,  A Bela e a Fera concorreu na categoria de Melhor Filme e que naquele mesmo ano, venceu um Globo de Ouro. É um clássico e pronto. Adoro, nota DEZ com todas as honras!

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2 thoughts on “Dois filminhos para (des)encantar 2011”

  1. Seu blog é muito bacana. Principalmente a sua forma de escrever. Gostei mesmo. O primeiro filme, ainda não assisti, já o segundo, não poderei contar as vezes, pois foram inúmeras. E, como você, também gosto da duplicidade das duas narrativas, como ela apresenta esses dois “eus“ no ser humano que tanto negamos e não conhecemos. Nossa caráter e monstruosidade, mesmo que seja forte assim definir, está em nós, como a Fera e o Lobisomem. Bons filmes!

    Desejo muita paz!

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