Cotidiano, Crônicas, Geral, Tecnologia

Tem um tal de “satélite” te seguindo

Dia desses, voltava do cinema com a família e decidi pegar um táxi para facilitar a vida da  minha mãe, uma mocinha bem dinâmica, mas com 7.5 primaveras. No pára-brisa do carro, canto superior, à esquerda do motorista, uma telinha piscava e enchia-se de riscos, linhas e traçados amarelos e vermelhos para cada quilômetro deslocado. Parecia uma miniatura do Google Maps mostrando ao taxista a melhor rota para chegar ao meu bairro.

Esta semana, precisando chegar cedo ao trabalho e sem condições de aguentar o horário incerto dos ônibus de Salvador, entrei num táxi e o motorista, pelo rádio, confirmava com a central o itinerário seguido. Não, ao invés do condutor informar para onde estava indo, era a central que perguntava: “Carro x, confirmando, você está agora passando pela avenida Y?”

Achei mágico! Me senti em O Show de Truman (quem não viu o filme, recomendo).

Curiosa por força da profissão e da personalidade, comecei a bater papo com o moço do táxi sobre o rastreamento do seu carro pela central, admirada que estava, dessa vigilância permanente no melhor estilo Big Brother (não o de Pedro Bial, mas o de George Orwell).

E viramos todos “Truman”. Um pontinho no meio do mundo, observados por câmeras e satélites

O motorista, orgulhosíssimo, me explicava o funcionando da engenhoca que permite, via satélite, que as centrais de rádio táxi da cidade sempre saibam onde estão os seus condutores. “A senhora sabe, questão de segurança. O carro é rastreado, a central sempre sabe onde estamos, é bom para o passageiro e é bom pra gente. Malandro quando vê essa telinha aqui, não entra”.

Sei da violência urbana o suficiente para compreender os motivos do monitoramento. Embora, em muitos casos, o interesse por trás de tantos aparatos de segurança seja maior para salvaguardar patrimônios do que vidas.

Mas não pude deixar de refletir sobre a necessidade constante que a nossa sociedade tem de criar mecanismos de defesa – melhor dizendo, de blindagem – contra a barbárie que assola cada vez mais essa mesma sociedade tão desigual. É uma bola de neve, com o perdão do chavão, mas quanto mais desigualdade, mais insegurança e maior a necessidade de fabricar proteção.

A tal da confiança básica que a psicologia explica que começamos a desenvolver na infância e que permite, entre outras coisas, andar na rua e conviver com outras pessoas – em sociedade – sem achar que elas vão pular na nossa jugular, contratou um guarda-costas. Quem precisar dos serviços, ele atende pelo nome de GPS.

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