Filmes pós-operatórios

Ficar de molho em casa é um tédio. Nada de botar a cara na rua, por causa da poeira, contaminação e que tais. Nada de ficar o dia todo na internet, ordens médicas, e eu sou obediente. Confesso que foi legal dar um tempo na blogagem, mas voltei sequiosa por palavras. Acabei vendo (e revendo) algumas coisinhas na tv. Virei a rainha do controle remoto, ao menos por 10 dias. Ficar dodói tem suas vantagens, sempre rola uma chantagem emocional com o resto da família. Abaixo, a lista (para quem estiver interessado) dos filmes que me fizeram companhia durante a recuperação:

A bússola de ouro – 2007, EUA, Chris Weitz. Nicole Kidman inexpressiva (que pena!) e uma história que tinha tudo para funcionar bem, mas que infelizmente não decola, não empolga e em alguns momentos até dá sono. Não conheço a obra literária de Philip Pullman, mas a sensação é que o filme sacrificou pedaços importantes para a compreensão deste mundo gelado e selvagem idealizado pelo escritor. A junção de tecnologia com mitologia ficou esquisita. O final é inesperado, num sentido ruim. Nota 6.

Charlie e eu – 2008, EUA, David Weaver. Conta a história de uma garota e seu avô e trata de temas bem família, como o luto e o amor que une pais e filhos, mas não é nada pieguinhas. Recomendo para quem sente saudade de uma boa sessão da tarde. Nota 8,5.

Gran Torino – 2008, EUA, Clint Eastwood. Só por ser um filme dirigido por Eastwood já vale a pena, sendo que ele também se entrega a uma atuação inspirada, vivendo um ex-veterano da Guerra da Coreia, ranzinza, preconceituoso e que acompanha à contra-gosto as mudanças na sua vizinhança. Nota 10, com louvor e honra ao mérito.

Salvando Sara Cain – 2007, EUA, Michael Landon Jr. Outro filme bonitinho, com a maior cara de sessão da tarde. Uma jornalista em crise precisa cuidar dos cinco sobrinhos, todos da religião amish, após a morte de sua irmã mais velha. Dessa vez, o tema central é aceitação das diferenças, tolerância e solidariedade. Nota 8.

Os delírios do consumo de Becky Bloom – 2009, EUA, P.J. Hogan. Primeira bronca com o filme: produtores e diretores transpoem o cenário original da obra de Sophie Kinsella (um típico e muito bem escrito representante da literatura chick lit) de Londres para Nova York. Além disso, todas as sacadas inteligentes, a fleuma britânica, a ironia da autora foram deliberadamente retiradas dessa versão em cinema, que acabou virando mais uma comédia romântica que tenta copiar outros filmes de P.J. Hogan muito melhor sucedidos. Nota 6 e eu prefiro o livro, sem sombra de dúvida. E aqui, a resenha do livro.

O escafandro e a borboleta – 2007, França/EUA, Julian Schnabel. Delicado, poético e dramático, conta a história de Jean Dominque Bauby, importante editor de uma revista de moda, que após sofrer um derrame, torna-se portador de uma síndrome que paralisa todos os movimentos do seu corpo, exceto o olho esquerdo. Aprisionado no próprio corpo, o personagem aprende a libertar a imaginação. Uma metáfora belíssima e uma interpretação inspirada de Mathieu Amalric. Nota 10.

Obrigado por fumar – 2006, EUA, Jason Reitman. Um filme muito bom, irônico e politicamente incorreto, mas que faz pensar um bocado durante e depois da sessão. Aaron Eckhart está muito bem no papel principal de um lobista que trabalha para a indústria do cigarro. Segue a linha do igualmente bom Senhor das Armas. Gosto de filmes que mexem com nossos valores morais e nos fazem reafirmar ou rever conceitos. Nota 9.

Appaloosa – 2008, EUA, Ed Harris. Sou suspeita para avaliar porque adoro o gênero western. Ed Harris mostra que além de ser um ótimo ator é um diretor de visão sensível. Apesar dos níveis elevados de testosterona que sempre acompanham filmes do gênero, Appaloosa consegue ter momentos de grande delicadeza e uma dose certa de ação (com direito aos tiroteios, senão não é faroeste) e humor. Viggo Mortensen, como sempre, muito competente  no seu ofício e completamente verossímel no personagem. Nota 9.

Os reis da rua – 2008, EUA, David Ayer. Um policial, para contemplar todos os gêneros. Na época do lançamento nos cinemas houve quem comparasse ao brasileiro Tropa de Elite. Mas a semelhança, ao menos para mim, só está no tema: a rotina policial, incluindo a corrupção dentro das delegacias, e a ação dos grupos de extermínio. Pessoalmente, avalio o produto nacional como muito superior, mas este Os reis da rua, com Keanu Reeves e Forest Whitaker, merece um honrado 8.

Herói 2002, China, Zhang Yimou. O filme é um deleite. Sinestesia pura para quem ainda guarda a sensação dos voos noturnos, após acordar de um sonho.  Assim como adoro westerns, também tenho minha preferência pelos filmes de samurai e toda essa mítica em torno da China feudal. Nota 9, com mérito.

Sim, Senhor – 2008, Australia/EUA, Peyton Reed. Aprendi a gostar de Jim Carrey depois que ele chegou à maturidade e trocou as comédias bobocas tipo Ace Ventura, por um senso de humor mais ácido. Sim, Senhor não deixa de ter aquela intenção de “catequese” meio ingênua. Tipo, ensinar nossa sociedade workaholic e paranóica a aproveitar a vida. Mas é divertido. Nota 8.

Hannibal – 2001, EUA, Ridley Scott. Anthony Hopkins no papel do psiquiatra canibal Hannibal Lecter é sempre uma opção interessante. Ainda mais contracenando com Julianne Moore! Nota 8,5.

Ponte para Terabítia – 2007, EUA, Gabor Csupo. O filme é um conto de fadas delicado sobre a amizade de duas crianças. Toca de maneira contundente no tema-tabu da prática do bullying (assédio moral) nas escolas e também na violência psicológica que os pais podem incutir nos filhos, principalmente quando descontam suas frustrações nas crianças. Nota 10.

O visitante – 2007, EUA, Thomas McCarthy. O filme aborda a imigração ilegal para os Estados Unidos e a paranóia pós 11 de setembro, que transforma qualquer estrangeiro em terrorista. O olhar do diretor é bem sensível e focado nas relações humanas, mais até do que no estranhamento entre culturas distintas. Ótimas atuações do elenco, com destaque para o amargo, inseguro, frustrado e quase apático professor universitário vivido por Richard Jenkins. Nota 9.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s