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Um trecho de Orgulho e Preconceito

Tenho o hábito de emendar livros do mesmo autor, criando uma sequência exploratória da obra completa (ou do quanto eu puder ler) e assim, tento apreender o mundo deste escritor. Minha investigação da vez é Jane Austen, que começou com uma tarefa do trabalho, mas tornou-se um grande prazer retomar algumas obras que eu conhecia e ler aquelas que nunca tinha lido antes. Mesmo depois que a pauta “caiu”, continuei as leituras, porque trabalho para mim tem de rimar com diversão e mesmo quando o trabalho acaba, a diversão precisa continuar. Razão e Sensibilidade (resenha no post abaixo) abriu o ciclo, seguido de Mansfield Park (aguardem resenha em breve). Agora, percorro Orgulho e Preconceito e já nas primeiras 80 páginas, me apaixonei completamente. Dos três, é o mais irônico e bem-humorado, o que tem mais a fleuma britânica e menos as características do romantismo enquanto escola. Para deixar vocês com água na boca, reproduzo abaixo um trecho do primeiro capítulo. Para quem quer ler também, eis as referências: a versão é a publicada no Brasil pela L&PM, na sua Coleção L&PM Pocket, volume 842, com tradução de Celina Portocarrero e apresentação de Ivo Barroso.

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*Capítulo 1

“É verdade universalmente reconhecida que um homem solteiro em posse de boa fortuna deve estar necessitado de esposa.

Por menos conhecidos que possam ser os sentimentos ou pontos de vista de tal homem em seus primeiros contatos com um novo ambiente, essa verdade está tão enraizada nas mentes das famílias vizinhas que o recém-chegado é considerado propriedade de direito das moças do lugar.

– Meu caro sr. Bennet – disse-lhe a esposa um dia -, o senhor já soube que Netherfield Park foi afinal alugada?

O sr. Bennet respondeu que não.

– Pois foi – retrucou ela -, a sra. Long aqui esteve há pouco e me contou tudo a respeito.

O sr. Bennet não lhe deu resposta.

– O senhor não quer saber quem a alugou? – exclamou a mulher, impaciente.

– A senhora quer me dizer, e não tenho objeções quanto a ouvir.

Como convite, foi o bastante.

– Mas, meu caro, o senhor precisa saber, a sra. Long me disse que Netherfield foi alugada por um jovem de grande fortuna, do norte da Inglaterra; que ele veio na segunda-feira, numa pequena carruagem puxada por quatro cavalos, para ver o lugar, e ficou tão encantado que no mesmo instante fechou negócio com o sr. Morris; que ele deve se instalar antes da Festa de São Miguel, e que alguns criados são esperados na casa no final da próxima semana.

– Como ele se chama?

– Bingley.

– Casado ou solteiro?

– Oh! Solteiro, meu caro, com certeza! Um homem solteiro e de grande fortuna, quatro ou cinco mil libras por ano. Que ótimo para nossas meninas!

– Por quê? Como isso pode afetá-las?

– Meu caro sr. Bennet – respondeu a mulher -, como pode ser tão irritante! Deve saber que estou pensando em casá-lo com uma delas.

– É esta a intenção dele ao se instalar aqui?

(*Trecho de Orgulho & Preconceito, Jane Austen, L&M Pocket, volume 842, págs 19 e 20)

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3 thoughts on “Um trecho de Orgulho e Preconceito”

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