"Calor do cão"

Meire trabalha fazendo beiju. Oito horas por dia, de pé, diante de uma chapa incandescente. Pega a massa da tapioca, espalha sobre a chapa, vira para lá e para cá. Coloca queijo, deixa derreter, um pouco de coco ralado, um recheio especial pedido pelo freguês. “Tem frango, atum, peito de peru, pepperoni e calabresa”. Dobra a massa como uma panqueca. “Quer gratinar?”. O gratinado: passa manteiga sobre a massa, joga queijo ralado, mais uma aquecida na chapa, cheirinho bom de queijo torrando. Coloca no saquinho de papel, um sorriso nos lábios, um beiju no prato. “Não sei como você aguenta essa chapa o dia todo”. Outro sorriso. “Aguento porque não tem jeito mesmo, preciso do salário. Mas vou dizer uma coisa pra senhora, essa chapa esquenta igual ao inferno”!

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