Cotidiano, Crônicas, Querido Diário

Da capacidade de acumular problemas

Vida boa levam as sequóias. Pelo menos até o aparecimento da motosserra.
Vida boa levam as sequóias. Pelo menos até o aparecimento da motosserra.

O ser humano é gregário por natureza. Pelo menos é o que dizem as teorias antropológicas que explicam o surgimento da civilização. Mas, na minha visão, somos mesmo é dotados da infinita capacidade de arrumar “problemas”. Problemas mínimos, médios, grandes, em escala industrial – vide o meio ambiente degradado dia após dia. Explico-me. Não satisfeitos em manter um blog, decidimos escrever em quatro. Soube de gente que mantém até 11! Não satisfeitos em blogar, é preciso também twittar. Não satisfeitos em ter um emprego formal, precisamos dos free lancers que garantem a grana extra do sorvete, já que o trabalho oficial paga as contas oficiais. Não satisfeitos em ter pelo menos meia dúzia de contas oficiais por mês, precisamos também arrumar umas continhas que não estavam previstas no orçamento (tudo gênero de primeira necessidade, com certeza!). Não satisfeitos com o diploma de terceiro grau, corremos atrás das especializações, do mestrado, doutorado, pós-doc…Não satisfeitos em botar um filho no mundo, tem gente que bota logo uma dúzia, muitas vezes sem a menor condição de criar nem meio filho. Não satisfeitos em casar, temos também de arrumar um casinho por fora, para quebrar a rotina do relacionamento. A vida humana se resume a uma interminável lista de “não satisfeitos com”. Se por um lado, graças à nossa eterna insatisfação, chegamos à Lua e qualquer dia desses colonizaremos Marte; por outro, é um complexo de Atlas (carregar o mundo nas costas) que Deus me livre!

Decisão importante: na próxima encarnação quero nascer árvore. Ou então,  quero ser gente de novo e fazer jus, mais uma vez, again and again, à minha cota de problemas do viver!

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2 thoughts on “Da capacidade de acumular problemas”

  1. O que caracteriza o ser humano é a insatisfação, já disse algum pensador, não é, Andreia? Agora, é pena que isso vire uma patologia. Nossa neurose do paraíso perdido, segundo outro pensador, é a responsável por isso. Mas, penso, que temos cura. Desde que o “remédio” de alguns, o acúmulo, não seja a doença, a carência, de outros. Penso que o veradeiro remédio seja uma distribuição justa das riquezas do planeta, das tarefas, e da consciència de que somos todos finitos. Acho que só isso basta para transformar este planeta em um paraíso. Todos somos mortais,ah, isto é um truísmo!! Tudo bem. Mas, o que parece oculto para uns é o óbvio, no fim das contas, para todos nós,os pobres mortais. Mas, Que bom que a insatisfaçãode de todos fosse a mesma dos artistas. Só eles deixam rastros a serem seguido.Beijos.

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