Cultura e Sociedade, Geral

Helen Fisher e uma conversa de consultório

Estava sentadinha na sala de espera do consultório da minha dentista quando uma outra paciente me estendeu uma revista Marie Clarie, edição de junho deste ano, aberta em uma entrevista com a antropóloga americana Helen Fisher, especializada em estudar o amor, seja lá o que isso signifique. Não que eu desacredite do amor, nada disso, acredito piamente que ele existe e acredito mais ainda que suas manifestações ultrapassam o sentimento que une homens e mulheres. Defendo o amor enquanto um sentir mais profundo, universal, que envolve todas as nossas relações do dia a dia. E o mundo anda mesmo bastante carente de amor, não é? Pois bem, voltando à minha “amiga de consultório” – a chamo assim porque frequentemente nos encontramos na antesala da dentista e trocamos ideias sobre as trivialidades das revistas e também sobre a complexidade da vida em sociedade. Ela é professora universitária, um pouco mais velha que eu, uma pessoa bastante simpática. Quantas vezes não nos surpreendemos em encontrar pessoas assim? São as amigas da hidroginástica, do ponto de ônibus e até da fila da padaria. Os encontros duram alguns minutos, às vezes horas a depender da agenda do seu médico, e a conversa flui tão naturalmente que parece que vocês se conhecem há séculos. Depois, cada uma vai cuidar da própria vida, mas em uma nova consulta, na aula de artesanato, lá estão vocês de novo retomando a conversa como velhas conhecidas…Eu que falo pelos cotovelos, adoro essas conversas com amigas de consultório. Geralmente, me dão bastante material para pensar por dias e dias.

Helen Fisher, autora de Why we love? (Por quê nós amamos?)
Helen Fisher

Helen Fisher. Vejo o nome no alto da página e percebo que nunca tinha lido nada do que ela escreveu, embora a pesquisadora seja considerada uma sumidade em estudos sobre relacionamentos e já tenha analisado dezenas de sociedades, publicado livros e artigos sobre o amor. Comento com a minha amiga de consultório que Helen Fisher para mim é uma ilustre desconhecida. Ela diz que começou a ler a entrevista por curiosidade, pela chamada na capa, mas achou bastante interessante o fato dos americanos precisarem dividir os seres humanos em categorias de amantes, sendo que todas essas categorias têm nomes derivados do universo corporativo. E desde quando o amor é uma multinacional? Embora, particularmente, ache que o amor precisa ter uma manifestação bastante plural para ser amor de verdade, não penso que ele seja uma empresa e que tenha cotação na bolsa. Como toda criatura passional, o amor para mim é uma manifestação que transcende a frieza dos contratos.

Fico curiosa com os argumentos da minha amiga sobre a entrevista da antropóloga especialista em amor e começo a ler. No mínimo, é bastante peculiar dedicar a vida inteira a entender o que leva as pessoas a ficarem juntas, casarem e terem filhos. Ou, o que leva outro tanto de pessoas a rejeitar terminantemente os papeis de esposa ou marido, pai ou mãe. Helen Fisher é bastante convincente dentro das propostas que defende, embora eu tenha achado que em alguns momentos, ela se convenceu de ter encontrado a fórmula perfeita do bem viver, sendo que eu sou do tipo que não acredita em fórmulas padrão. Para mim, cada pessoa, ou família, ou até comunidade, encontra a sua própria fórmula, dentro do que acredita e do que esperam uns dos outros. Clareza de sentimentos, transparência nas relações, a verdade, doa a quem doer, está aí uma dor que dá e passa bem mais rápido do que a mentira ou a deslealdade, é nisso que acredito. Em alguns momentos, a entrevista me parece frívola demais, em outros, uma propaganda do novo livro da pesquisadora. Mas, no meio das suas respostas, algumas colocações chamam a atenção de forma positiva. Principalmente porque um ponto eu e a Helen Fisher temos em comum: ambas acreditamos que possessividade não tem relação nenhuma com um sentimento tão nobre quanto o amor.

Dividi minhas reflexões, mas o que quero mesmo é que vocês leiam a entrevista da Helen Fisher e tirem suas próprias conclusões. Se puderem dividir a experiência vai ser muito mais rica, a caixa de comentários é de vocês. Encontrei o link da íntegra da reportagem no site da Marie Claire. Acessem aqui e boa leitura!

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2 thoughts on “Helen Fisher e uma conversa de consultório”

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