Cinema

Visões do feminino em Godard e Eastwood

As Pontes de Madison
As Pontes de Madison

O que poderia haver em comum entre Je vous salue Marie, filme de Godard de 1985, e As Pontes de Madison, lançado dez anos depois e dirigido por Clint Eastwood? Talvez nada do ponto de vista técnico, estilo da direção, narrativa… E a intenção não é comparar as duas obras e nem os dois diretores. Mas, como ando em período de sensibilidade feminina exacerbada, o que é de se esperar, assisti aos dois filmes neste fim de semana, em intervalo de 24 horas de um para o outro, e me surpreendi com as visões do feminino de Godard e Eastwood. Não são filmes desconhecidos, ao contrário, mas gosto de (re)descobrir coisas que aparentemente já conhecia. E é surpreendente como a gente consegue reinterpretar, resignificar o que já foi visto. Cada nova “leitura” se torna mais surpreendente do que a anterior. Os dois filmes falam da ,e para, a alma feminina, essa que me enternece tanto nos últimos dias, a que carrego e sinto na pele diariamente. Os dois diretores exploram a sexualidade feminina, que tanto assusta, envolta em tabus, mistério. Falam de tentação, de ceder à paixão, seja física ou espiritual. Não sei como os homens interpretam esses dois filmes – aliás sei como um homem interpreta, porque já li suas críticas a respeito -, mas a minha leitura, passional, impulsiva, é de que tanto Godard quanto Eastwood conseguiram através das suas histórias mostrar o quão complexa é a alma de uma mulher, quão admirável é cada pequena concessão ou grande sacrifício que o ato de ser mulher representa. Me senti compreendida. Plenamente compreendida.

Para quem quer saber mais, as fichas técnicas dos filmes:

je vous salue marieJes vous salue Marie

Direção: Jean-Luc Godard

França, 1985

Elenco: Myriem Roussel, Thierri Rode, Juliette Binoche, Philippe Lacoste…

Sinopse: Versão de Godard para a concepção da Virgem Maria. O filme, que sofreu duras críticas do Papa João II, “por ferir os sentimentos dos fiéis”, conta a história de Marie (Myriem Roussel), uma jovem estudante que joga basquete e trabalha no posto de gasolina de seu pai, e José (Thierry Rode), um jovem determinado que dirige um táxi pela cidade. Ao saber da gravidez de Maria, José a acusa de traição e tem de ser convencido pelo anjo Gabriel (Philippe Lacoeste) a aceitar a gravidez. Paralelamente, um professor que tem teorias polêmicas sobre a origem da vida na Terra, se envolve em um caso extra-conjugal com uma de suas alunas…

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As pontes de Madison

Direção: Clint Eastwood

EUA, 1995

Elenco: Meryl Streep, Clint Eastwood, Anne Corley, Victor Slezak

Sinopse: Após a morte de Francesca Johnson (Meryl Streep), dona-de-casa do interior do Iowa, seus filhos descobrem através dos antigos diários de sua mãe, que ela manteve um caso com um fotógrafo da National Geografic durante um feriado em que o marido e as crianças viajaram. O que parece ser apenas um caso extra-conjugal, revela uma profunda história de amor e cumplicidade que leva os filhos de Francesca, já adultos, a repenser suas vidas afetivas.

P.S.: Recomendo o blog Esperando Godard, onde os dois filmes já foram analisados com bem mais detalhes.

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