Crônicas, Datas, Geral

A mãe de quem?!

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Ser mãe é como saltar de paraquedas e reparar, faltando poucos metros para alcançar o chão, que esquecemos de vestir o bendito paraquedas, mas, no último segundo, quando você pensa, “me ferrei, quebrei a cara”, um anjo sorri…

Quando meu filho nasceu, às 23h35 da noite – vê lá se isso é hora para alguém nascer! – o médico que fez o parto foi taxativo: “Aproveite a última noite de sono tranquilo da sua vida”. Uma frase profética, porque tem 11 anos que eu não sei o que é dormir uma noite tranquila. Se tiver mais alguma mãe lendo o post, sabe bem do que estou falando.

Quando o bebê é pequeno, a gente levanta para dar de mamar e trocar fraldas. Até hoje não entendo como é que uma criatura tão pequena tem tanto conteúdo para encher dúzias de fraldas! Quando ele está crescidinho, a gente levanta porque sempre tem algum monstro, lobo ou bicho-papão saindo do armário, de debaixo da cama ou das paredes! E você, meio perdida de sono, tem de se disfarçar de Mulher Maravilha para espantar o tal monstro que não deixa o seu filho dormir. Daí, de manhãzinha, no melhor do sono, você ouve um som de chupeta sendo sugada bem no seu ouvido e, ao abrir os olhos, contra a vontade, dá de cara com um par de mãozinhas gorduchas esticando as suas pálpebras e dizendo “mamãe, abre o olho”. Algumas crianças também costumam, às 5h30 da manhã, anunciar para a casa toda: “Genteeeee, acordeeeeeiii”.

mãeMas a confusão toda começa mesmo quando os bebês nascem. Quem inventou a expressão “marinheiro de primeira viagem” estava com certeza pensando nas mães. Toda mãe, até a nossa, que sempre faz questão de dizer que estamos fazendo tudo errado, já foi uma marinheira de primeira viagem. O que nos salva é que as mulheres são solidárias e sempre tem uma veterana na família para socorrer as calouras. E detalhe, a gente não faz vestibular para ser mãe. Simplesmente um dia acontece. Mesmo quando é tudo planejado na ponta do lápis, a maternidade é inesperadamente surpreendente. Só dá para saber como é, praticando.

O médico anuncia com um sorriso de comercial de pasta de dentes: “Parabéns, é um lindo menino (ou uma linda menina)”. E você fica tão derretida com aquela criaturinha de carinha enrugada que nem sabe o que responder. A vontade é gritar para o mundo todo, “eu sou mãe, uhuuuuuuuuu!!!!”. Mas na sala de parto sempre tem uma enfermeira de dedinho sobre os lábios sussurrando, “olha, não fica falando enquanto o médico dá os pontos da cesárea, senão você fica cheia de gases e vai sentir dor”. Essa parte da dor associada ao ato de ser mãe é algo que nunca entendi. Se é tão legal, não devia doer…

Você chega em casa com o bebê. Até então, o mais perto que tinha chegado de um bebê era fazer caretas para divertir um sobrinho ou o filho daquela sua amiga. Dizer que passou a infância brincando de boneca não vale. Da teoria para a prática vai uma diferença gritante. Já experimentou amamentar uma boneca? Só fingimento. Mas espera até ter uma criança varada de fome sugando o seu seio… sentimento intraduzível.

dia-das-maes_blogO bebê é mole, é frágil, é vivo, chora que é uma beleza, que par de pulmões encantadores – “esse menino vai ser tenor quando crescer, olha que fôlego para chorar!”. Tudo é motivo de orgulho para as mães de primeira viagem. Confesse que você não fotografou o primeiro cocô do seu filho e mostrou a foto para a família toda! Pior, confesse que não mostrou a foto para a namorada dele e matou o coitado de vergonha, contando os micos da infância.

Hora do banho, um drama para as calouras. E ainda tem a mãe veterana advertindo, “olha a cabecinha dele, cuidado com a coluna, a perninha tá torta, não vai afogar o menino, heim!” Socorro!!! O jeito é deixar no berço e ficar olhando até os olhos caírem de tanto orgulho. Outra expressão típica das mães, de qualquer espécie da natureza: lamber a cria.

E quando eles chegam à idade do mico, que sensação de que você está perdendo alguma coisa e ganhando outras. O maior medo das mães é que os filhos cresçam e descubram que elas são humanas. Até uns cinco, seis anos, todos os filhos juram de pés juntos que as mães são fadas, heroínas, feiticeiras, menos que são capazes de cometer erros. Mãe pensa cada besteira… Será que ele vai gostar de mim? E se me achar burra? O negócio é que, em algum momento das nossas vidas, eles vão achar que a mãe do coleguinha é mais inteligente que a gente, mais bonita e tem um emprego mais legal. Covardia é quando eles ficam adultos: vão achar que a sogra faz um feijão mais gostoso!

Mas, apesar de tudo, ser mãe é uma delícia!

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