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Síndrome de centopeia. Ou, as mulheres e seus sapatos

Olha aí a Cinderela perdendo o pé do seu único par de sapatos! Tudo para que o príncipe não descobrisse que ela era uma mocinha pobre. Sei não, hoje em dia eu aposto que ela voltava para buscar o sapato
Olha aí a Cinderela perdendo o pé do seu único par de sapatos! Tudo para que o príncipe não descobrisse que ela era uma mocinha pobre. Sei não, hoje em dia eu aposto que ela voltava para buscar o sapato

Esqueça a Cinderela com seu sapatinho de cristal, par único para uma borralheira que anda descalça em 80% da história e ainda por cima presente de uma fada madrinha. O padrão feminino de calçados continua sendo mesmo a ex-primeira dama das Filipinas, Imelda Marcos. Aquela, minha gente, que tem a maior coleção de calçados do mundo. Muito provavelmente, para os padrões de bolso das brasileiras classe média, uns dez pares e olhe lá! Dez?! Isso tudo!? Perguntará um dos rapazes que acompanha avidamente este blog na tentativa de entender a nossa complexa alma feminina. É meus filhos, dez pares, pelos menos dois sociais, e uma vontade absurda de comprar aquela sandalinha linda de morrer que estava na vitrine da loja xis. Por que falar em sapatos? Porque é um dos temas caros às mulheres e a autora do blog é mulher, oras!

Centopeias são bichinhos nojentos, admito. Mas já pensaram se ela usasse sapatos, que delícia, iria usar 100 pares de uma vez só!
Centopeias são bichinhos nojentos, admito. Mas já pensaram se ela usasse sapatos, que delícia, iria calçar 100 pares de uma vez só!

“Por que as mulheres precisam de tantos pares de sapatos se só tem dois pés?”. É a clássica pergunta masculina. “Tadinhos dos meninos, não entendem nada de moda, tsc tsc”, seria a resposta de uma menina antenada. Bom, a verdade, na minha prática diária de ser mulher, é que sapatos são um fetiche. Combinar com a bolsa, o cinto, a roupa e os brincos é o pretexto social que nós nos impomos para não admitir que o sapato é uma tara pessoal da mulherada mesmo. Admitam meninas, que vocês já compraram um sapato parecido com outro que vocês já tinham em casa pura e simplesmente porque ao olhar na vitrine, rolou uma empatia, uma química entre você e o sapato e ele praticamente implorou para sair da loja e enfiar-se no seu pé. Que o outro sapato que você tem em casa, parecido com esse par novo, combina com tudo o que é preciso que ele combine, e se for reparar bem, pensar na coisa racionalmente, você de fato não precisa desse novo par, mas aqui não estamos tratando do consumo compulsivo e nem do apelo da mídia, estamos tratando daquela vontade inexplicável que assalta toda mulher, ao menos uma vez na vida, em comprar um sapato porque ele é divino e não porque ela precisa dele!

Breve história do sapato

sandália da Roma antiga
sandália da Roma antiga

Registros arqueológicos mostram que há pelo dez mil anos os homens das cavernas, no paleolítico, sentiram necessidade de proteger os pés. Instrumentos usados para curtir o couro e fabricar calçados foram encontrados em escavações. No antigo Egito, sapato era sinônimo de status e só quem podia usar eram os nobres, o povo andava descalço mesmo. As sandálias da nobreza egipcia eram feitas com palha, papiro e fibra de palmeira, entre outros materiais frescos e resistentes para o clima saariano. Na Mesopotâmia, quem usava coturno tinha elevada posição social. O resto da população usava um pedaço de couro fixado aos pés por tiras também de couro. Em Roma, sapato era sinônimo de distinção social. Os senadores do fórum romano, por exemplo, só usavam sapatos brancos. As sandálias romanas tradicionais, aquelas que vemos em filmes de época, não podiam ser usadas por escravos. Andar descalço era prova da condição servil e da ausência de cidadania. A fabricação em massa de sapatos só começa em 1760, quando a primeira fábrica foi construída nos Estados Unidos, em Massachusetts. Antes disso, quem tinha a tarefa de calçar nobres e plebeus eram os artesãos (mestres sapateiros) . Até meados do século XIX os dois pares de sapatos eram iguais, sendo que na Idade Média homens e mulheres usavam o mesmo modelo de sapatilha de couro. Pé direito e pé esquerdo só apareceriam em 1822, na Filadélfia.

No Brasil, sapato só virou moda a partir da chegada da Família Real Portuguesa, em 1808, e os calçados usados pelos brasileiros do período, principalmente os membros da nobreza palaciana e os mais ricos, vinham direto da Europa. Até 1920, o modelo mais usado no país pelas mulheres era o borzeguin, uma espécie de bota de cano curto. Isso porque mostrar o pé era algo tremendamente erótico naquele período e moça de família não andava com pé à mostra, tentando os olhares alheios. Vejam vocês que vida dura tinham as nossas bisavós.

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Exposição conta história do sapato no século XX

Aproveitando a proximidade do Dia das Mães e o apelo comercial de um bom sapato, um shopping da capital baiana está promovendo até o dia 17 de maio uma exposição que conta a história do sapato no século XX. Independente de ser consumista ou não, de comprar um sapato para a sua mãe ou de nem ser frequentadora de shoppings; acredito que vale a pena a visita à mostra, porque no mínimo é uma curiosidade histórica. Comportamento, moda, costumes, hábitos e usos do cotidiano também fazem parte da história da humanidade. A exposição, segundo material de divulgação, irá exibir mais de 100 modelos de diversas partes do mundo, a partir de 1900 aos nossos dias, com cronologia e informações sobre cada período histórico. Entre os destaques estão pares de calçados usados por celebridades como a cantora Cher, as sapatilhas do bailarino Mikhail Barishnikov; sapatos folclóricos do Alaska, Holanda, Índia e Marrocos; e modelos criados por Chanel e Dior, entre outros gênios da moda.

Serviço:

O quê: Exposição Sapato&Arte

Quando: até 17 de maio

Onde: Praça Central, Piso L1, Salvador Shopping

Entrada franca

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Imelda Marcos e o seu museu de calçados

Imelda Marcos e o marido Ferdinand Marcos, casal saqueou tesouro filipino e torrou tudo em sapatos, jóias e viagens
Imelda Marcos e o marido Ferdinand Marcos, casal saqueou tesouro filipino e torrou tudo em sapatos, jóias e viagens

Imelda Marcos, ex-primeira dama das Filipinas, não é uma mulher que merece notoriedade por boas ações. Ela ficou famosa mesmo foi como esposa do ex-ditador Ferdinand Marcos, exilado das Filipinas em 1986, quando perdeu o poder num levante popular. Por ser mulher de um ditador, já tem pontos negativos na biografia e por ser cabecinha de vento, sua escala de comportamento desce a níveis abaixo de zero. Filipinas é dos muitos países do mundo em que sua população vive na miséria. Pois dona Imelda, quando era primeira dama, ganhou fama de percorrer o mundo comprando sapatos caríssimos e exclusivos, enquanto seu povo estava à míngua, a mercê do marido ditador. Mas, o povo filipino parece ter perdoado suas leviandades e até criou um museu para ela. Em 2001 foi inaugurado o museu de calçados de Imelda, atração turística na cidade filipina de Marikina.

Na história recente do seu país, Imelda Remedios (nome de batismo) concorreu duas vezes à presidência. Ela nasceu em Manila, em 1929. Apesar de aficcionada por jóias e sapatos caros – chegou a ter três mil pares – não é nem um pouco burra e em 1996 foi citada entre as 100 mulheres mais poderosas do mundo pela Australian Magazine e Newsweek. A jornalista Carmen Navarro Pedrosa, que escreveu a biografia Ascensão e queda de Imelda Marcos, conta com detalhes que durante 22 anos, a primeira-dama e seu marido saquearam o tesouro do país sem dó nem piedade. A infância pobre de Imelda também é contada no livro. Parece que ela era compradora compulsiva para compensar os anos de miséria e humilhação. Mas e o povo? Pois é, pagou o pato da falta de um bom analista para a primeira-dama.

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Links úteis:

>>Site do Intituto de Ortopedia mostra como escolher o sapato certo

>>Dez dicas para escolher o sapato adequadamente

>>Blog da jornalista Márcia Luz traz dicas de moda

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Para ler:

sapato1Eu quero aquele sapato!

Autora: Paola Jaccobi

Editora: Objetiva

Sinopse: O livro tenta explicar com muito bom humor o motivo da obsessão das mulheres por sapatos e também dá dicas de moda, como usar o calçado certo a depender da ocasião. Traz dados históricos e até um estudo que mostra que é possível saber muito da personalidade de uma pessoa a partir do tipo de sapato que ela usa.

Preco sugerido: R$ 27,90 no site Americanas.com

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