O teatro de Rosa

Quando falta luz na casa de Rosa é que o espetáculo começa. O público chega devagar. Na primeira fila, está a princesa Cidinha, com seus cachos dourados e o vestido bordado. Ela sempre faz questão de sentar ao lado do palhaço Foguinho, com seus calções coloridos e sapatos vermelhos enormes, combinando com o nariz de bolota.

A princesa Cidinha não gosta de sentar ao lado da Barbie. As duas não são amigas. E por isso, a Barbie está ao lado da Susie astronauta, que gosta muito das duas e tenta acabar com a birra. Até trouxe uma pedra da lua de presente para cada uma, na volta da sua última viagem ao espaço sideral. Mas a princesa Cidinha ficou emburrada, disse que a pedra da lua da Barbie era mais enluarada do que a sua.

A Barbie vestiu seu vestido de baile, que ela acha mais bonito que o da princesa Cidinha.

O motivo da briga das duas é o príncipe Romeu, que foi o primeiro a chegar. Mas não porque elas querem namorá-lo, e sim porque em uma disputa de arco e flecha entre as duas, o príncipe Romeu não foi um bom juiz e criou a maior confusão.

Mesmo atrapalhado, ele é um príncipe. Reservaram para ele o lugar de honra, o mais macio, sobre o travesseiro de penas, que nessas ocasiões, fica muito imponente vestido na sua fronha de lacinhos.

O príncipe Romeu trouxe o seu conselheiro real, o ursinho Felipe, que escovou bastante a pelúcia amarela. Felipe está apaixonado pela dama de companhia da princesa Cidinha, a ursinha Fernanda, tão maravilhosa e linda, com sua pelúcia cor de chocolate. Fernanda também gosta dele, mas para se encontrarem, o príncipe Romeu precisa desfazer a confusão criada entre Barbie e princesa Cidinha, seus arcos e flechas.

Na segunda fila estão todos os pequenos operários do playmobil de Roberto, o irmão caçula de Rosa. Ao lado deles, foram arrumadinhos em fila os soldadinhos de chumbo da I Infantaria de Explorações no Quintal do Capitão Roberto.

Ninguém lembrou de convidar o monstro gosmento verde, que foi capturado pela Susie no planeta Gosma Setor B. Mas Roberto disfarçadamente trouxe o monstrinho e o escondeu dentro da camiseta.

Agora que todos os convidados chegaram, a barulheira no teatro é imensa. Todos falam ao mesmo tempo. A Susie já está ficando tonta e com saudade das estrelas, porque a Barbie e a princesa Cidinha estão brigando de novo para descobrir de quem ela é mais amiga. Mas ela gosta das duas e no fundo, sabe que Cidinha e Barbie também se gostam.

Quando Rosa entrou no teatro, todos ficaram em silêncio. Primeiro a menina acendeu uma vela, porque estava escuro. Conferiu a arrumação dos convidados e viu que Roberto tinha feito tudo direitinho. Inclusive mantido a Barbie e a princesa Cidinha separadas, enquanto elas não acabam com a birra e passam a treinar arco e flecha juntas.

Como é que Roberto consegue arrumar todos os convidados assim tão certinhos, mesmo no escuro, é um mistério para Rosa. Roberto é muito sabido. Nessas ocasiões, quando falta luz e o espetáculo começa, ela sempre pode contar com a esperteza do irmão.

A luz da vela é amarela e joga uma claridade bem suave na parede que está em frente à plateia. A mãe de Rosa colocou a vela bem firme, presa no pires e o pires está sobre um banquinho tirado da cozinha e trazido para o teatro. Rosa ajoelha-se no chão, por detrás da chama da vela e…a magia do espetáculo começa.

Na parede, surge um lobo e a plateia se assusta. A Barbie até deixa escapar um gritinho de pavor e a princesa Cidinha fica preocupada com ela. Depois, o lobo se transforma num imenso jacaré e o jacaré vira uma borboleta e a borboleta vira uma pomba e a pomba um cachorrinho e o cachorrinho um gato e o gato…

De repente, a luz volta e o teatro de sombras de Rosa se desmancha. Sobre a sua cama e o travesseiro de penas, os brinquedos convidados para a festa fazem cara de decepção. É hora de todos voltarem para as suas prateleiras, mas ainda estão comentando que magia estranha será essa que a menina Rosa consegue fazer com os dedos, dando vida às criaturas mais extraordinárias do mundo!

O playmobil e os soldadinhos de Roberto vão para o baú.

Quando tem luz, a brincadeira é diferente. Os irmãos pegam seus joysticks e conectam o videogame ou então tiram os jogos de tabuleiro da prateleira e brincam de Banco Imobiliário, Ludo e Xadrez. Eles também gostam de ler e cada um têm pilhas de livros perto da cama, para ler algumas páginas antes de dormir.

Quando tem videogame, o monstrinho verde fica sob a camisa de Roberto, para dar sorte na batalha espacial contra a capitã Rosa, que é imbatível.

Do alto da prateleira, a Susie ainda sonha com as estrelas…

2 pensamentos sobre “O teatro de Rosa

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