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Casais famosos do cancioneiro medieval

Ao escrever sobre o cancioneiro da Idade Média e a origem das trovas de amor, citei alguns casais, reais ou mitológicos, que entraram para a história como símbolos do amor cortês. Para fechar o ciclo sobre o tema, resolvi contar um pouco para vocês as suas histórias de amor, algumas trágicas, outras de superação. Boa parte delas envolvendo traições. Parece argumento de novela das oito escrita por Gilberto Braga? Mergulhem no túnel do tempo e entenderão de onde autores como o novelista famoso retiram inspiração.

Lancelot e Guinevere

lancelot_blogA lenda do Rei Arthur, seus cavaleiros da Távola Redonda e o mago Merlin povoam o imaginário de milhares de pessoas há séculos. A origem do mítico rei é tema de debate acadêmico, de roteiros de cinema e de um sem número de romances. Os mais conhecidos entre os romances que exploram as lendas arturianas são As Brumas de Avalon (Marion Zimmer Bradley), Rei Arthur (Alan Massie) e a trilogia Rei do Inverno, O Inimigo de Deus e Excalibur (Bernard Cornwell). No entanto, nada chama mais atenção ou causa mais comoção popular entre os admiradores das lendas arturianas do que o romance proibido entre Lancelot, o primeiro cavaleiro do rei, e Guinevere, a esposa de Arthur. As versões da lenda de Lancelot são contraditórias. No século XII, o escritor suíço Ulrich von Zatzikhoven, é o primeiro a usar para o jovem cavaleiro o codnome Lancelot do Lago. Na versão desse autor, Lancelot era o filho do rei Ban de Benoic e após a morte de seu pai, é criado pela Dama do Lago, que, quando ele se torna adolescente, o manda procurar Arthur e oferecer-se como cavaleiro. Lancelot então passa a lutar em nome da rainha, como seu campeão, mas não há qualquer referência a um caso de amor entre os dois. Quem cria o romance adúltero é outro escritor, Chrétien de Troyes. Na versão desse autor, que se tornou bem mais popular, Lancelot e a rainha vivem uma história de amor proibida, porém intensa, pois Guinereve é a esposa do rei que ele jurou servir.

Tristão e Isolda

tristoeisolda_jpg1A lenda de Tristão e Isolda é de origem celta e remonta ao século IX. Diversas versões são conhecidas na Itália, Inglaterra, Irlanda e outros países europeus. A mais popular mistura elementos da cultura celta com as novelas de cavalaria medievais e diz que Tristão é um guerreiro que viveu na época arturiana. Sobrinho do principe Mark, da Cornualha (uma região britânica), ele recebe a missão de ir buscar a noiva de seu tio, Isolda, filha de um rei vizinho. A mãe de Isolda, por sua vez, entendia de artes mágicas, e prepara uma poção do amor para que a filha beba na noite de núpcias e assim aceite o casamento de conveniência com o príncipe Mark. Durante a viagem, uma criada serve por engano a poção para Tristão e Isolda, que se apaixonam perdida e loucamente. Ainda assim, o jovem guerreiro obedece o tio e leva Isolda para casar-se. No entanto, um não consegue viver longe do outro. Tornam-se amantes e se encontram às escondidas nos bosques. Um dia, não aguentam mais e fogem. Mark manda persegui-los e eles passam anos e anos fugindo e vivendo seu amor clandestinamente. Existem adaptações da antiga história que diz que, quando o efeito da poção mágica passou, Tristão abandonou Isolda e voltou para a Cornualha, onde pediu perdão ao tio. Isolda então, foi morta para celar a reconciliação dos dois. Outras versões contam que os dois amantes foram capturados e mortos a mando do príncipe traído. A lenda de Tristão e Isolda já foi adaptada diversas vezes no cinema. Em 1909, o filme mudo francês Tristan et Yseult é o primeiro. Depois, em 1948, outra adaptação recebe o título em português de O Eterno Retorno, dirigido pelo francês Jean Delannoy. Em 2006, Ridley Scott também produz sua versão da lenda.

Abelardo e Heloísa

abelardo-e-heloisaO casal existiu de fato. No século XII, na França. O túmulo onde repousa seus restos mortais é uma das atrações turísticas do cemitério de Pére Lachaise. Diz a lenda que Heloísa mandou construir o túmulo quando Abelardo morreu, em 21 de abril de 1142. Quando ela morreu, poucos anos depois, pediu para ser enterrada junto ao amado. Ao ser aberto o túmulo, o corpo de Abelardo ainda estava intacto e seus braços abertos, aguardando por ela. A história de Abelardo e Heloísa não deve nada a de Romeu e Julieta, o casal de amantes criado pelo teatrólogo inglês William Shakespeare. Quando os dois se conheceram, Pedro Abelardo era um iminente filosófo admirado por seus alunos e tinha 40 anos. Heloísa era a jovem sobrinha de um nobre de Notre Dame e tinha 18. A filosofia e a literatura clássica aproximou os dois. Abelardo tornou-se professor de Heloisa. Discutiam diversos temas polêmicos para o período, tinham uma noção clara do amor e acreditavam que ele superava em muito o mero desejo físico. Tornaram-se amantes, mas eram sobretudo almas que se completavam nas ideias. O romance proibido, pois a família de Heloísa queria casá-la com um nobre, era acobertado por uma criada da confiança da jovem dama. Depois de idas e vindas, muitas tentativas para separá-los, o nascimento de um filho e uma fuga digna de roteiro de cinema, finalmente recebem permissão para casar. Na noite de núpcias, o tio de Heloísa invade a residência do casal e manda que seus criados castrem Abelardo. Mais uma vez separados, Heloisa entra para o convento e Abelardo funda um mosteiro. Não podiam mais se falar, mas trocaram cartas apaixonadas que já renderam até tese de doutorado. Aos 63 anos, Abelardo morre e Heloísa então manda construir o imponente mausoléu onde ainda hoje, casais apaixonados fazem romaria.

SAIBA MAIS:

>>Artigo: O casamento e o amor na Idade Média

>>Artigo: O mito de Abelardo e Heloísa na poesia portuguesa dos setecentos

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3 thoughts on “Casais famosos do cancioneiro medieval”

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