Aventura, Infanto-Juvenil, Literatura

As mil e uma aventuras do príncipe Rajá – XII (parte 3)

XII – A Rainha prisioneira (parte 3)

Islamal nunca veio. Mandou um emissário, um dia muito cedo. O emissário entrou no quarto e puxou as cortinas vermelhas com muita força. Uma luz intensa invadiu o quarto e atingiu o rosto da rainha, que acordou esfregando os olhos que ardiam com a claridade. Isdora se assustou com a presença do emissário e, com medo, puxou as cobertas até a cabeça. Ficou lá embaixo, escondida sob a cabaninha de pano formada pelo lençol. “Se eu ficar aqui quietinha ele irá embora”, pensava a rainha.

O emissário pigarreou, como quem prepara a garganta antes de fazer um discurso ou anunciar alguma coisa muito importante. Pelas roupas que usava, Isdora imaginou que ele devia ser agora o conselheiro do rei Islamal. O homem também estava muito limpo e perfumado, o que fez a rainha se sentir a mais repugnante das criaturas. Suas tranças negras tinham há muito se desfeito e o cabelo estava embaraçado e com piolhos. As roupas cheiravam mal, depois de tantos dias sem ver água, sabão e sol. O emissário pigarreou de novo e, resignada, Isdora saiu debaixo da cabaninha de lençóis e levantou da cama.

– O rei supremo da Cidade de Ouro e Prata, Islamal – O Único convida a rainha Isdora para um jantar de comemoração pela sua ascensão ao trono. Criadas virão aos aposentos preparar vossa majestade para a ocasião. Diga-me, senhora, o que precisa que elas tragam.

Isdora não disse nada, embora a idéia de ter roupas limpas e comer um jantar decente não saísse da sua cabeça. “Então ele quer me comprar…”. Continuou olhando para o conselheiro como se ele fosse um sonho. “Se eu fingir que estou louca, talvez ele vá embora e diga ao seu amo para esquecer essa história de jantar”. Ela sibilou, fez uma careta para o conselheiro, cuspiu nele e se enfiou de novo embaixo dos lençóis.

– O truque de fingir que perdeu o juízo não vai funcionar majestade. A senhora está sendo vigiada e posso garantir que, pelas informações que recebo, a senhora tem mais juízo do que eu. Meu senhor Islamal imaginou que a senhora não iria colaborar, por isso, tomei a liberdade de providenciar um vestido para o evento desta noite, bem como sais de banho, pétalas de rosa para perfumar seus cabelos e criadas para ajudá-la. Elas virão logo depois do almoço.

O emissário fez uma reverência, deu duas leves batidinhas na porta do quarto-prisão da rainha Isdora e, quando uma fresta suficiente apenas para uma pessoa passar se espremendo foi aberta, ele saiu. Ao ouvir o clique da chave trancando a porta por fora, Isdora pulou da cama e se convenceu de que estava na hora de agir. “Preciso fugir daqui e descobrir o que houve com Rajá e Paxá”…

Continua no próximo post

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Leia os outros capítulos da história:

>>Capítulo I: A cidade de ouro e prata
>>Capítulo II: A vida doce dentro das muralhas
>>Capítulo III: Uma gaiola dourada e um passarinho triste
>>Capítulo IV: O sinistro mago Islamal
>>Capítulo V: O pedido de Rajá
>>Capítulo VI: O plano de Islamal
>>Capítulo VII: Aprendiz de hipnotizador
>>Entre capítulos: Carta de Rajá aos pais
>>Capítulo VIII: A Floresta Sem Fim
>>Capítulo IX: A língua universal
>>Capítulo X: A feiticeira da lua crescente
>>Capítulo XI: O rei destronado (parte 1)
>>Capítulo XI: O rei destronado (parte 2)
>>Capítulo XI: O rei destronado (final)
>>Capítulo XII: A rainha prisioneira
>>Capítulo XII: A rainha prisioneira (parte 2)

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4 opiniões sobre “As mil e uma aventuras do príncipe Rajá – XII (parte 3)”

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