Ray – cinebiografia do gênio do soul

Este fim de semana assisti Ray, a cinebiografia de Ray Charles, dirigida por Taylor Hackford, em 2004. Pela força do personagem título, por sua contribuição à história da música, pela vida trágica, marcada pela cegueira, mortes do irmão e da mãe, o vício em heroína, Ray Charles daria um excelente roteiro e um grande filme, mas é inegável que o diretor soube contar a história de forma plástica, delicada, bela, com apelo visual, mas sem ser apelativo. Saber contar uma história é tão importante quanto a história ser boa de fato. Ray é um filme que comove sem ser piegas.

Os conflitos raciais nos EUA, acirrados entre os anos 40 e 60, quando havia segregação em casas de espetáculos, nos ônibus; a capacidade de superação e reinvenção do gênio do soul, o primoroso trabalho de interpretação de Jamie Foxx vivendo o papel título, tudo concorre para fazer do filme uma rica experiência sensorial.

Não assisti Ray quando foi lançado no cinema, mas sei que a crítica elogiou bastante, Jamie Foxx foi indicado a vários prêmios por sua atuação. Não lamento não ter visto na ocasião. Cada filme tem seu tempo certo de maturar e eu não tenho pressa.

Jamie Foxx incorporou o personagem, os trejeitos, a personalidade egocêntrica e reclusa de Ray Charles. Fez um trabalho muito bom, tão bom quanto o de Robert Downey Jr vivendo Chaplin no filme homônimo, de 1992, de Sr. Richard Attenborough, outra cinebiografia de que gosto muito.

Sou fã de Ray Charles, de soul, rhythm and blues, jazz…O mississipi negro, New Orleans, me seduzem. Significa que já assisto o filme com os ouvidos atentos a trilha sonora, e que trilha sonora! Significa ainda que tenho a predisposição a olhar com benevolência para o filme, mas, independente das minhas predileções pessoais, tenho de fazer coro com a maioria estusiasmada, porque é muito bom, mesmo.

Também tenho preferência por biografias, tanto no cinema quanto em forma de livro, desde que seja um trabalho sério, de pesquisa, e não a baixaria especulativa de celebridades instantâneas que pipocam por aí. Dessas não faço questão nenhuma.

Impossível não cantar junto ou não chorar um pouco em algumas cenas. Impossível, como mulher, não admirar a mãe de Ray Charles, Aretha. Impossível não sentir na pele a angústia da esposa Della Bea ou das amantes que ele colecionou “na estrada”, nas excursões com sua jazz band. Aquela era uma época de extremos, as pessoas morriam de amor, de overdose, de dor-de-cotovelo.

Lembrei muito de um amigo meu, apaixonado por jazz, com uma alma que é puro blues, enquanto assistia Ray. Foi bom lembrar desse amigo e saber que ele está muito bem…

Assista vídeo de Ray Charles interpretando Hit the road Jack!

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