As mil e uma aventuras do Príncipe Rajá – V

V – O pedido de Rajá

O príncipe Rajá acordou os pais com uma cesta de frutas e pães doces, suco, chá forte para o rei e café fraco para a rainha. Enquanto assistia aos dois tomarem a primeira refeição do dia, um nó apertava o estômago do menino. Ele nem conseguiu tomar o próprio café-da-manhã, de tanta ansiedade. O bolo de mel parecia palha em sua boca e o suco de damasco o fazia engasgar.

O príncipe Rajá não estava hipnotizado por seu tio Islamal, mas não conseguia se concentrar em mais nada desde que decidiu fazer o pedido aos pais. Ele estava visivelmente nervoso, embora a rainha Isdora não enxergasse muito bem quando acordava e o rei Paxá não prestasse muita atenção em nada além do pãozinho de mel com geléia à sua frente.

Rajá não sabia como pedir o que tinha ido pedir, mas também não queria sair do quarto dos pais sem receber uma resposta para o seu pedido, que ele esperava que fosse sim. Pais, em geral, não são propensos em atender pedidos. Principalmente, quando acreditam que isso pode representar perigo para seus filhos. E os filhos, quando precisam embrulhar o pedido em cesta de frutas e pãezinhos, com certeza pretendem pedir alguma coisa que os pais consideram perigosa.

O príncipe Rajá pigarreou. Ensaiou começar uma frase, desistiu e pigarreou de novo. A rainha Isdora largou o copo de suco e perguntou:

– Quer nos dizer alguma coisa meu querido?

Rajá olhava para as pontas viradas para cima dos seus sapatos. Respirou fundo e falou tudo de uma vez, sem pausas para respirar:

– Quero permissão para viajar pelas terras além da Cidade de Ouro e Prata!

O rei Paxá, que parecia não estar ouvindo a conversa e se fartava com as guloseimas. Largou um pedaço de pãozinho mordido no prato e olhou para Rajá assombrado:

– Você quer sair da segurança da nossa cidade-palácio? Mas que absurdo é esse!?

Rajá tinha reunido coragem e não pretendia desistir justo agora que tinha começado a enfrentar os medos dos pais.

– Por favor, me deixem ir lá fora ver como é o mundo. Não posso ficar aqui dentro a vida toda, esperando crescer para um dia governar a Cidade de Ouro e Prata.

– Como não! Foi isso que aconteceu comigo, com seu avô e com o pai e o avô dele. Você vai ficar aqui mesmo, tem bastante espaço nos nossos jardins. – disse o rei Paxá, categórico.

– Meu querido, para quê você quer se aventurar nesse mundo tão perigoso. Você não ouviu os nossos homens sábios? Eles dizem que o mundo é muito feio e muito cruel. – A rainha Isdora torcia as mãos, nervosa.

– Eu preciso ir ver como é esse mundo, mesmo que seja perigoso e não seja tão bonito quanto a nossa cidade, mas eu tenho de ir. Vocês não entendem? Nunca ficaram curiosos em ver como é lá fora?

– É lógico que não!!! – responderam o rei e a rainha. – Lá fora não tem nada que me interesse – completou o rei Paxá. – Aqui dentro sou muito feliz – arrematou a rainha Isdora.

Rajá pretendia dizer muitas outras coisas, mas diante do olhar de reprovação dos pais desistiu de continuar a discussão. Ele iria esperar outra oportunidade para refazer o pedido e seria tão convincente que os dois iriam deixá-lo sair. Embora não gostasse nem um pouco do tio Islamal, Rajá desejou por um segundo ter os poderes de hipnotizador dele. “Se eu hipnotizasse os dois, poderia sair e eles não iam nem perceber”…

Continua no próximo post
………………………………………….

Leia o começo da história:

>>Capítulo I: A cidade de ouro e prata
>>Capítulo II: A vida doce dentro das muralhas
>>Capítulo III: Uma gaiola dourada e um passarinho triste
>>Capítulo IV: O sinistro mago Islamal

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