As mil e uma aventuras do Príncipe Rajá

Em abril de 2008 nasceu o príncipe Rajá. Menino de 11 anos incompletos, criado na mítica Cidade de Ouro e Prata, que um dia decidiu fugir da sua redoma e viver grandes aventuras. Precisava de uma história comprida, quase sem fim, como faria Michel Ende, para colocar meu filho para dormir. Lendo Tolkien, lendo As Mil e Uma Noites, lendo os irmãos Grimm, lendo Roald Dahl, descobri que boa parte das histórias infantis são criadas para colocar as crianças para dormir. Somos todos assistentes de Morpheu, enchemos a mente dos nossos filhos de imagens fabulosas, facilitando o trabalho do senhor dos sonhos. Talvez, para a crítica especializada, o príncipe Rajá seja apenas uma grande colcha de retalhos, costurada com os fios de histórias milenares. Talvez, seja só uma forma de recontar tudo o que andei lendo desde que me contavam histórias quando era criança. Salman Rushdie costuma dizer que todas as histórias nascem da mesma fonte e que velhas histórias são sempre transformadas em novas histórias. De qualquer forma, o dono real dessa aventura, para quem o príncipe foi criado, se diverte muito e… para meu desespero, só pega no sono depois que o capítulo do dia termina.

Para quem ainda não conhece, apresento-lhes As mil e uma aventuras do príncipe Rajá! A história ainda não está concluída, mas irei terminando-a aqui no blog…

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AS MIL E UMA AVENTURAS DO PRÍNCIPE RAJÁ

Introdução: A intenção é fazer uma criança insone dormir. A intenção também é levar a criança ao mundo dos sonhos bons, afastando os medos noturnos e os pesadelos. A porta do armário que parece a qualquer momento se abrir, não irá revelar um monstro, mas o portal por onde é possível mergulhar no mundo da fantasia. A narrativa é meio louca, meio com cara de histórias inventadas por crianças, cheias de vilões e perigos e seres do bem e do mal e viagens longas que prometem um final feliz. O príncipe Rajá é o herói, nasceu de (e para) Matheus. Um presente de voz na escuridão do quarto e que agora vira um presente de letras virtuais. Os desenhos da história? Cada um imagina o seu.

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I – A CIDADE DE OURO E PRATA
Havia uma cidade muito distante, tão distante que a viagem a pé demorava mil e um sonhos. Depois de atravessar as florestas sem fim, as areias do deserto de sal, as geladas montanhas do nunca mais, o subterrâneo bosque engolido e o mar das lendas, o viajante finalmente chegava aos portões da Cidade de Ouro e Prata.
Nem era bem uma cidade. Era um palácio. Tão grande, com tantos quartos, tantas salas, tantos jardins e cabia tanta gente dentro, que os moradores começaram a chamá-lo de Cidade de Ouro e Prata.
Tudo na Cidade de Ouro e Prata era muito grande, muito rico e muito caro. Os portões eram do mais puro ouro e da mais fina prata. Dentro da fortaleza, os guardas se vestiam com sedas caríssimas. As ruas eram calçadas com mármore de todas as cores e quando o sol batia nas pedras, surgiam arcos-íris por todo caminho.
Nos diversos pátios e jardins da Cidade de Ouro e Prata havia milhares de espécies de plantas, daquele país e de terras distantes. Plantas com flores e com espinhos, coloridas e quase transparentes, feito cristal. Plantas que bebiam água como todas as plantas e que também comiam carne.
As flores tinham um perfume do outro mundo, hipnotizador. Visitantes desavisados se perdiam nos milhões de aromas e ficavam para sempre morando nos jardins encantados. Animais de todos os tamanhos passeavam e construíam suas tocas e seus ninhos. Felinos grandes como o tigre, herbívoros pequenos como o rato do campo, todas as espécies de aves e pássaros cantores. Elefantes, zebras e hipopótamos. Estes últimos passavam o dia mergulhados nos laguinhos cheios de peixes.
Não, baleia não tinha. Os habitantes da Cidade de Ouro e Prata nunca tinham visto uma baleia, nem sabiam que podia existir um peixe tão grande assim. Epa! Mas baleia não é peixe. Só que, se os habitantes da cidade-palácio não sabiam que baleias existiam como eles iriam saber que ela não é peixe? Só um habitante da Cidade de Ouro e Prata em toda a sua história de reino que cabia dentro de um palácio iria ver uma baleia. Mas esse habitante também veria milhares de outras coisas. Porque ele foi o único a ter coragem de se aventurar para além dos portões… Continua no próximo post 
…………………… Leia também:
…Capítulo IV: O sinistro mago Islamal
…Capítulo V: O pedido de Rajá  
…Capítulo VI: O plano de Islamal
…Capítulo VII: Aprendiz de hipnotizador
…Capítulo VIII: A floresta sem fim
…Capítulo IX: A língua universal
…Capítulo XI: O rei destronado (parte 1, parte 2 e final)
…Capítulo XII: A rainha prisioneira (parte 1, parte 2, parte 3 e final)
…Capítulo XIII: O aprendiz da feiticeira (parte 1, parte 2 e final)

…Capítulo XIV: O deserto de sal

20 pensamentos sobre “As mil e uma aventuras do Príncipe Rajá

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