Cotidiano

Poluição sonora

Da série Migrações

Os pontos de ônibus de Salvador pertencem aos vendedores de CD evangélicos…

Religião, cada um segue aquela que quiser e bem entender, a que tiver mais relação com a sua forma de ver o mundo, a que for mais conveniente e tal. Religião, diz o ditado, “é igual a futebol e gosto”, cada um tem o seu, – e não se discute. Até aí tudo bem, longe de mim querer ofender a religiosidade alheia. Já disse em outras ocasiões que também queimo os meus incensos. Mas preciso mesmo ouvir um CD em que um suposto pastor evangélico (imaginem o efeito sonoro das moedas caindo no cofrinho) conta com riqueza de detalhes sórdidos, quanto mais sórdidos, mais fiéis, como ele se converteu de um ex-drogado, prostituído e quase bandido, em pilar da moral, dos bons costumes e da fé?

Não, eu não preciso.

Religião cada um tem a sua, portanto, que as experiências sinestésicas e anestésicas da prática de qualquer que seja ela, limite-se ao seu dono e praticante.

Salvadores fones de ouvido, bendita voz de Mike Stipes, abençoado CD do R.E.M tocando no mp3, divina capacidade de me desconectar do mundo. Não tenho a menor ideia de como o ex junkie convertido, se converteu.

Aos primeiros acordes da sua voz hipnótica, eu liguei o escudo anti demência e pluguei os fones. E Deus estava de bom humor e do meu lado, porque poucos minutos depois, eis que apontou o ônibus ali na esquina…

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