Baú de Histórias, Geral, História

A inebriante história do vinho

vinhoO vermelho vivo no copo comum, desses que se usa para servir água às visitas, foi a primeira coisa que me chamou atenção no vinho. Na ocasião, eu devia ter uns sete ou oito anos, nem sabia que os enófilos consideram blasfêmia digna de excomunhão servir vinho em copo d’água (não é frescura gente, é que o tipo de copo altera o sabor da bebida). Era semana santa. Na minha casa, como na maioria das casas do país, vinho não podia faltar à mesa no luto da Paixão e nem na celebração da Páscoa. O das crianças, como faziam os gregos antigos, vinha diluído em um pouco de água. Provavelmente outra blasfêmia, mas dessa vez com o aval dos adoradores de Dionísio. Cresci e fui seduzida pela Coca-Cola da adolescência. Mas, na vida adulta, um amigo italiano revelou-me novamente o fascinante mundo dos vinhos. Sua família é de vinicultores e ele sabe bastante sobre cultivo de uva e fabricação do néctar dos deuses. Não lembro de tudo o que ele me ensinou e nem me considero especialista em vinho. Apenas sei discernir os que gosto daqueles que não gosto. Talvez por ter aprendido a beber vinho com um homem, prefira os tintos secos, encorpados, de uva Cabernet Sauvignon. Vinho doce me recorda a infância e o suco de uva do lanche da escola. A ideia desse post é introduzir o tema gastronomia, porque é um dos assuntos que fascinam mulheres e homens também. Escolhi o vinho para começarmos. Em 2001, fiz algumas reportagens sobre vinho e acabei mergulhando na história da bebida. Além disso, vinho, dizem os médicos, é antioxidante, excelente para o coração e as artérias. Divido com vocês o pouco que sei sobre esse santo remédio, bebida sagrada (dos rituais cristãos e pagãos) e profana porque inventada pelo deus da diversão. Vamos todos celebrar Baco, o Dionísio grego, e nos inebriar no charme e na sabedoria que uma taça de vinho envelhecido inspiram. Bem-vindos ao mundo da enologia!

ORIGEM SE PERDEU NOS TEMPOS

dionisio_tintorettoUma das lendas sobre o surgimento do vinho envolve um drama familiar e diz assim: “Vivia Dionísio uma existência de festas, entre ninfas e faunos, até que um dia lhe foi revelada sua origem divina. Era filho de Zeus, o senhor de todos os deuses, nascido da coxa direita de seu pai. Enquanto meditava, sob a sombra de uma videira, sobre a condição de imortal, Dionísio espremia uvas em um cálice, criando assim o vinho”. A origem real da bebida se perdeu na noite dos tempos, ou pelo menos, ainda não foi totalmente revelada. Acredita-se que o vinho surgiu por acidente, um camponês desavisado deixou uvas fermentarem e a mistura caiu no gosto de nobres e plebeus. Outros acreditam que a experiência foi proposital e não apenas com a uva, mas com diversas frutas sumarentas. Estudiosos do tema defendem que o vinho tem origem no Oriente Médio e de lá, o cultivo da uva se espalhou pela Ásia e Europa. Para os gregos antigos, Dionísio em pessoa difundiu a plantação da videira e ensinou aos homens como fabricar o seu néctar. Aqui no Brasil, o vinho chegou com os colonizadores portugueses, que apresentaram aos índios suas botijas e aprenderam com eles a beber o caium fabricado através da fermentação da mandioca.

RITUAIS SAGRADOS E PROFANOS

vinho-2Nem sempre o vinho foi usado apenas para simbolizar o sangue de Cristo nas missas católicas. Aliás, bem antes do cristianismo, o vinho era a bebida oficial das celebrações a Dionísio e na comemoração da Pessach, a páscoa judaica. Antes até dos gregos e dos judeus, os egípcios, que são bem mais antigos, já usavam vinho nos seus cultos fúnebres. Na Idade Média, a igreja Católica instituiu o consumo litúrgico, quer dizer, religioso da bebida. Vale lembrar que os principais vinhedos da França, em Borgonha, nasceram sob o pretexto da fabricação do vinho de missa. Aqui nos trópicos, o cultivo das videiras chegou com os jesuítas ainda no século XVI. Mas, somente no século XIX, com a imigração italiana, a bebida começa a se popularizar no país.

ALGUMAS FRASES QUE OUVI DE QUEM ENTENDE DE VINHO

“O vinho é uma fonte inesgotável de descobertas”
(Adherbal Casé, médico)

“O vinho tem a qualidade de agregar pessoas. É uma bebida extremamente social”
(João Avelar, engenheiro)

“Vinho é um organismo vivo, nasce, cresce, envelhece e morre. Tem um tempo certo para ser apreciado”
(Sérgio de Paula, otorrinolaringolista e estudioso de vinhos)

“Não tenho adega para me exibir, tenho porque aprecio vinho e porque gosto de receber amigos em casa”
(Heliana Diniz, membro da Associação Brasileira de Sommeliers)

VOCÊ SABIA QUÊ:

>>O vinho é servido em taças com a boca larga para evitar que a bebida volatize e perca o sabor original?
>>As aminas contidas no vinho favorecem a micro circulação e por isso a bebida, em consumo moderado, é importante para a prevenção de doenças cardiovasculares?
>>A maneira correta de segurar uma taça de vinho é pela base, porque o calor gerado pelas nossas mãos, se seguramos a taça pelo meio, danifica a bebida?

DICAS DE LEITURA:
vinho-e-guerraVinho e Guerra
Autores: Don e Petie Kladstrup
Editora: Jorge Zahar Editor
Sinopse: O casal de jornalistas Don e Petie são apaixonados por vinho. Neste livro, os dois reúnem fascinantes histórias dos vinicultores da França e de como eles sobreviveram, e preservaram seus preciosos vinhos, da sanha nazista durante a II Guerra Mundial. O livro reúne relatos que rendem verdadeiro romance ou roteiro cinematográfico. Não precisa ser conhecedor de vinho para ler, pois a linguagem atende tanto aos enófilos quanto aos não iniciados.

segredos-dos-vinhos_blog1000 Segredos do Vinho
Autor: Carolyn Hammond
Editora: Novo Conceito
Sinopse: Guia para amantes do vinho e para quem pretende se tornar conhecedor da bebida. Ensina como comprar, pedir vinho em restaurantes; harmonizar comida e vinho; quando beber um tipo de vinho; compreender os rótulos; escolher a garrafa adequada para qualquer ocasião, como degustar e servir.

capa livro do vinho2.inddO Livro do Vinho
Autor: Vincent Gasnier
Editora: Publifolha
Sinopse: O livro traz informações desde os tipos de uva até os detalhes de produção da bebida. É um guia de degustação com orientações sobre os melhores vinhos de cada categoria. As descrições sobre os tipos de vinho de diversos países oferecem informações técnicas para o leitor escolher desde os brancos leves aos tintos mais encorpados, passando por espumantes.

Fontes:
>>Néctar dos Deuses, reportagem publicada em 27 de maio de 2001, no jornal Correio da Bahia, assinada pela repórter Andreia Santana (eu mesma!)
>>Vinho e Guerra, livro que recebi de presente de uma grande amiga em abril de 2002

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