Reflexões sobre medo e refugiados sociais

“Ações do governo dos EUA e seus vários satélites mal disfarçados de instituições internacionais como o Banco Mundial, FMI, OMS geraram produtos colaterais perigosos, o nacionalismo exacerbado, o fanatismo religioso, o fascismo e o terrorismo”.(Arundhati Roy)

A frase que faz refletir é citada pelo sociólogo polonês Zygmunt Bauman, no seu livro Tempos Líquidos, obra de cento e poucas páginas, valiosa para quem quer entender o mundo pós 11 de Setembro e sobre o qual já falei em artigo anterior. A verdade é que o colapso da nossa sociedade começou bem antes do desabamento das Torres Gêmeas e Bauman mostra o passo a passo dessa tragédia cotidiana de dimensões mundiais. “Países em desenvolvimento, os retardatários da modernidade, geraram centenas de refugiados sociais”. Não há mais terras à colonizar e quem está em franca expansão neste momento da história, precisa empurrar a sua miséria para baixo do tapete. O “lixo humano”, o excedente populacional não absorvido pelo capitalismo, pressiona as assépticas fronteiras dos estados prósperos e o resultado é o que se vê nos noticiários.

refugiados

“Numa era em que as grandes idéias perderam credibilidade, o medo do inimigo fantasma é tudo o que restou aos políticos para manterem seu poder”. É conveniente manter o “lixo” acumulado. Finalmente e (in)felizmente entendi o sentido daquilo que o capitalismo chama de reserva de mercado.

Em outro trecho da obra, Bauman cita Alexander Hamilton e resume em palavras muito mais cultas e profundas, o que eu realmente penso de guerras como a que se desenrolou na Faixa de Gaza no final do ano passado.

“A violenta destruição da vida e da propriedade inerente à guerra, o esforço e o alarme contínuos resultantes de um estado de perigo constante, vão compelir as nações mais vinculadas à liberdade a recorrerem, para seu repouso e segurança, a instituições cuja tendência é destruir seus direitos civis e políticos. Para serem mais seguras, elas acabam se dispondo a correr o risco de serem menos livres”.

Lembrei da população afegã saudando os talibãs antes que a promessa de liberdade trazida por eles se convertesse em morte, perseguição e intolerância. Lembrei ainda de um ditado popular:

“Quando as armas falam, a lei silencia”.

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