Coraline no cinema e na literatura

“Contos de fadas são a pura verdade não porque nos contam que os dragões existem, mas porque nos contam que eles podem ser vencidos”.
(G. K. Chesterton )

coralineA frase acima está na abertura do livro Coraline, uma aventura infanto-juvenil escrita pelo britânico Neil Gaiman (mesmo autor da saga Sandman, uma das mais cultuadas dos quadrinhos). Resgatei a frase porque li Coraline no ano passado e vi o filme homônimo neste domingo, na companhia do meu filho de 11 anos. Adoro livros infanto-juvenis, principalmente os contemporâneos, que não menosprezam a inteligência das crianças e nem tentam empurrar para cima delas valores ultrapassados. É possivel aprender sobre solidariedade, respeito às diferenças, amor, ecologia, tolerância, sem que para isso mandem um lobo mau devorar uma menina indefesa. É possível despertar até a fé, para os mais religiosos, sem pintar Deus como um ser irado e pronto a lançar raios sobre a cabeça dos infiéis.

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O filme é uma adaptação muito boa do livro, uma das melhores que vi recentemente. Talvez isso se justique pelo fato de Neil Gaiman ser também roteirista e fazer questão de adaptar seus livros. O genial Máscara da Ilusão (2005, Dave McKean) prova que ele sabe criar histórias que ficam muito bem no cinema. Tanto Máscara da Ilusão quanto Coraline funcionam para quem gosta de narrativas sombrias, com atmosfera surrealista e uma forte referência cultural baseada nos mitos antigos e na cultura pop, com doses generosas do ácido humor inglês.

As histórias de Gaiman são eruditas, mas são leves, atuais. Seus diálogos são ágeis, porém tem profundidade, numa demonstração de que é possível ser moderno sem ser superficial. Gosto dele nos livros, já li quase tudo o que publicou no Brasil (agradeço a minha irmã). As experiências que tive em assistir filmes roteirisados pelo autor foram muito boas.

Coraline tem uma história fascinante e é lindo esteticamente. No quesito plasticidade, bebe na fonte da Noiva Cadáver, uma pequena pérola do inquieto Tim Burton. O mundo real é desbotado, enquanto o outro mundo, para onde Coraline é levada, revela-se colorido e perfeito, até que…

UM POUCO DA HISTÓRIA:

Coraline é uma menina que se muda com seus pais, dois escritores de catálogos de jardinagem que não têm tempo para ela e nem para cuidar das plantas, para uma mansão sublocada em pequenos apartamentos individuais, onde também vivem duas vedetes aposentadas e um ex-acrobata de circo. A casa é velha, mal-cuidada, mofada e Coraline morre de tédio e de saudade dos amigos.

Explorando a mansão, ela descobre uma pequena porta que leva até uma outra versão da sua vida, bem mais animada, com pais atenciosos, um lindo jardim de sonhos e guloseimas irresistíveis. Só que existe um preço para viver para sempre neste outro mundo: Coraline terá de deixar a sua outra mãe, que mora na versão de sonho da sua velha mansão, costurar botões em lugar dos seus olhos… O que acontece com a menina, se ela realmente se permite fechar os olhos para a realidade cinzenta e mergulhar para sempre na fantasia, vocês precisam descobrir assistindo ao filme, lendo o livro, ou fazendo as duas coisas. Vale a pena, garanto.

Leia também:
Coraline e o mundo secreto

Veja o trailer de Coraline:

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5 pensamentos sobre “Coraline no cinema e na literatura

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