No Natal de 2008, descobri um conto de Neil Gaiman chamado “Nicolas Era”. Minúsculo, genial e que traduz, de forma sarcástica e até meio mórbida, o estado de espírito do Papai Noel. Não deve ser fácil voar pilotando renas para distribuir presentes! Também escrevi sobre o que via nas ruas de Salvador naquele ano, nos dias que antecederam a festa. Peguei gosto pela coisa e como Natal tem todo ano, esta página visa eternizar impressões natalinas…
NATAL DE 2012
“A árvore de natal gigante, instalada todo ano no meio da praça em frente ao grande shopping center, canta “let it snow” e não deixo de rir do quão estranho é ouvir essa canção símbolo dos natais cinematográficos no Central Park, em um contexto de cacofonia extrema…”
>>Resta uma fumacinha de Natal
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NATAL DE 2011
“Salvador coitada, tá igual a um órfão de Dickens, uma Oliver Twist sem nenhum milionário bonzinho para adotá-la”.
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NATAL DE 2010
Reflexões tardias e nada inéditas…
>>Energia pesada de fim de ano
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NATAL DE 2009
Totalmente sem inspiração e sem registro de crônicas do cotidiano…
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NATAL DE 2008
Nicholas Era…
Um conto de Natal por Neil Gaiman
Mais velho que o pecado e sua barba não podia ficar mais branca. Ele queria morrer.
Os anões nativos das cavernas do Ártico não falavam sua língua, mas chilreavam na deles e realizavam rituais incompreensíveis quando não estavam trabalhando nas fábricas.
Uma vez por ano, forçavam-no, aos prantos e sob protestos, pela Noite Sem Fim. Durante a jornada, permaneceria ao lado de cada criança do mundo, deixando um dos presentes invisíveis dos anões ao pé da cama.
As crianças dormiam, congeladas no tempo.
Ele invejava Prometeu, Loki, Sísifo e Judas. Seu castigo era mais sombrio.
Ho.
Ho.
Ho.
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Crônica de Natal – I
Vespeiro
de um lado a outro
gente correndo
comprando, vendendo…
Pesquisa da Febraban divulgada nesta terça: seis entre dez consumidores vão usar o 13º para quitar dívidas. 50% desse total pretende pagar os juros do cartão de crédito e do cheque especial. Incrível, as pessoas não se chamam mais de pessoas, somos todos consumidores. E haja consumição para tirar o nome do SPC, gastar acima do limite do abono de fim de ano e voltar para a lista dos sem-crédito. É tudo muito rápido, nem dá para sentir, daqui a pouco chega o Natal de 2009.
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Crônica de Natal – II
Árvore de quase três metros. Simulacro de pinheiro plantado no concreto da praça. Território neutro para a guerra arquitetônica travada entre o shopping (templo do consumo) e a catedral da fé do bispo Macedo. Engenheiros das duas companhias, a mundana e a religiosa, duelam com seus esquadros, projetando o prédio maior, mais imponente…e mais feio!
Luzes coloridas, lâmpadas patrocinadas pela companhia de energia elétrica – confira seu recibo de luz com atenção nos próximos meses – decoram a árvore de plástico na cidade cujos termômetros sobem velozmente rumo ao verão da pouca roupa e menos juízo. O pinheiro canta. Música natalina? Sacra? Evangélica? Axé? Pagodão? Não, nem de longe, o som que ecoa através das verdes folhas articiais é techno, futurística, robótica e lisérgica, tal qual o natal embalado pra presente.
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Crônica de Natal – III
Papai Noel visitou a redação onde eu trabalho. O frio do ar condicionado com certeza lembrava a Lapônia. Papai Noel trouxe balas de açúcar, desfilou sua rubra presença em meio a repórteres e editores calejados com o vermelho da vida, o tinto que escorre de têmporas estouradas. Me animei, pensei na frase de uma música bem piegas “então é natal…”
Mentira, era só a ação de marketing de uma companhia telefônica, distribuindo jabá.





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