Dia desses uma colega voltou de férias. Entrou na redação, cumprimentou a turma, botou a bolsinha sobre a bancada, puxou a cadeira, ligou o PC e ficou olhando para a tela. Depois de meio minuto exclamou: “Esqueci a senha!”
Perdi a conta das vezes em que voltei de férias e passei pela mesma situação. Entrei, cumprimentei os colegas, botei a bolsinha sobre a bancada, puxei a cadeira, liguei o PC e fiquei olhando para a tela. E a senha?! Chama um profissional de TI. Passa o login para ele. Depois de um tempo, toca o ramal. “Criei uma senha genérica, você altera na primeira vez que conectar.” Lá vou eu pensar numa senha que seja fácil de gravar e difícil de ser hackeada. Um desafio. Até porque, como não sou hacker, não tenho capacidade de pensar como um. E a nova senha dura até as próximas férias…
Quantas senhas são precisas para viver no nosso mundo hiperconectado?
As burocráticas: da conta bancária, do cartão de crédito, do e-mail (ou dos e-mails, para quem tem mais de um), do site da operadora de telefonia e internet (mão na roda para imprimir segundas vias de recibos que os Correios nunca entregam no prazo).
As sociais: do twitter, do facebook, da plataforma onde você mantém seu blog, do Linkedin (para o networking) e de todas as outras comunidades onde a gente se mete nessa necessidade básica do ser humano de ter companhia, mesmo que virtual.
As acadêmicas: Plataforma Lattes, Issu, da rede da universidade…
As profissionais: para conectar-se à rede na empresa, para acessar o administrador em que o site onde você trabalha é editado…
Senhas e mais senhas. Bastante natural que alguma escape da caixa da memória.
Tem quem adote uma única senha para tudo, mas os especialistas em segurança eletrônica não recomendam. E faz sentido, imagina sua vida inteira numa única combinação de números e letras? Mas é dureza gravar tantas combinações diferentes. E não deixa de ser surpreendente que uma vida inteirinha seja controlada por combinações de números e letras. Pobre bichinho humano, luta tanto por liberdade, mas a cada dia se enrosca mais e mais na rede (nas redes) que ele mesmo cria para… libertar-se!
Com tanta senha para gravar pode fazer cola? Pode. Mas uma outra amiga, que devia ter umas vinte senhas diferentes, perdeu a cola. Toca a procurar na bolsa, em casa, no escritório, nada. E agora!? Corre lá, menina, cria senhas novas, rápido, antes que alguém mal-intencionado encontre a cola e passe sua vida à limpo.
E assim vamos vivendo, de cola em cola, de paranóia em paranóia.





Muito bom, Andreia! Traduz bem essa loucura dos nossos tempos
Obrigada, Fernando :) Seus comentários sempre gentis e estimulantes! Abraços
Férias são a maior ilusão de liberdade que o ser humano foi capaz de inventar. Nas férias a gente se dá ao luxo de esquecer as senhas, na esperança de que assim metade das responsabilidades e perrengues da vida fiquem para trás. Temporariamente, ficam mesmo :)
Pior era a minha, que expirava a cada 30 dias e tinha que ser trocada. E não podia repetir uma das que já tinham sido usadas. Saldo final: 14 senhas na minha estadia rsrsrs Aliás, 15. Quando voltei de férias, esqueci a minha também…