O fantástico mundo de Roald Dahl

O segredo de escrever bem para crianças é pensar como criança. A receita tão simples não saiu de nenhum manual para escritores iniciantes, mas da boca do consagrado autor britânico Roald Dahl, criador de personagens inesquecíveis da ficção infanto-juvenil como Willy Wonka, Matilda e o Senhor Raposo, o mais novo habitante do fabuloso mundo do escritor a ganhar vida nas telas do cinema. Lançado no Brasil agora em dezembro e ainda sem previsão de exibição em Salvador, mas com chances de chegar por aqui após a recente indicação ao Globo de Ouro na categoria Melhor Animação – o que o coloca como provável candidato ao Oscar -, O Fantástico Senhor Raposo ganha a tela grande pelas mãos do americano Wes Anderson (Viagem a Darjeeling e Os Excêntricos Tenenbaums) e com George Clooney emprestando a voz ao herói do título.

O livro homônimo no qual o filme é inspirado já vendeu mais de 4 milhões de exemplares e no Brasil tem edição recente pela Martins Fontes, editora responsável por relançar praticamente toda a obra do autor em português. Mas, quem é esse inventor de histórias tão cativantes que é capaz de fazer crianças e adultos torcerem para um “ladrão de galinhas” se dar bem? Dahl nasceu em 13 de setembro de 1916, no País de Gales, filho de pais noruegueses, que emigraram antes da I Guerra Mundial para a Grã-Bretanha. Foi batizado em homenagem ao explorador Roald Amundsen, o primeiro líder de uma expedição ao Polo Sul e herói na Noruega.

Dahl trabalhando no "esconderijo"

Abençoado pelo xará, o menino britânico não viveria menos aventuras depois de adulto. Começou a infância como qualquer criança comum de classe media no começo do século XX, estudou em colégio interno e brincou na vizinhança nas férias. Ao se tornar adulto, o peso de carregar o nome de um desbravador influenciou na carreira como piloto da RAF (Real Força Aérea), o destacamento de pilotos ingleses durante a II Guerra. Na primeira missão de vôo, por uma falha nas coordenadas passadas pela central de comando, seu avião perdeu o rumo, ficou sem combustível e caiu no meio do deserto, na Líbia. Se salvou por milagre, mas fraturou o crânio e devido à lesão, passou três semanas cego. Ao se recuperar, voltou a pilotar até o fim da guerra, quando trocou a carreira militar pelo trabalho em uma empresa petrolífera na Tanzânia.

A carreira literária começou em 1942, quando após o acidente aéreo, foi transferido para Washington. Na capital norte-americana, deu uma entrevista para um jornal local contando sua aventura no deserto. Pouco depois, decidiu transformar a história no conto “Abatido na Líbia” e não parou mais de escrever até sua morte, em novembro de 1990, aos 74 anos. Três anos antes, em 1987, concedeu uma outra entrevista ao jornalista conterrâneo Todd McCormack. O escritor, ao longo da carreira, mantinha na horta nos fundos da sua residência, um “esconderijo”, na verdade uma casinha de bonecas onde ele se trancava para criar suas histórias infantis. Ninguém, nem a esposa ou os filhos, podiam entrar no “esconderijo”. McCormack foi o único que conquistou o privilégio de descobrir alguns dos segredos desse autor peculiar e cheio de imaginação. A melhor definição para ele porém, saiu das linhas escritas por J.M.Barrie um século antes: assim como Peter Pan, o menino que não queria crescer, Roald Dahl era “o espírito da eterna juventude”.

Sobre Andreia Santana

Nasci em Salvador-BA, tenho 37 anos, sou jornalista e master em jornalismo on line, traça de biblioteca, cinéfila, pesquisadora de literatura e redes sociais, aspirante a encantadora de palavras, vaidosa, comilona e mãe de um adolescente fascinante.
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3 Respostas a O fantástico mundo de Roald Dahl

  1. miriam rosa diz:

    lendo as historias de dahl me transporto novamente para um mundo infantil ao qual sempre sonhei até hoje…

  2. miriam rosa diz:

    amo os livros juvenis deste autor. Sou bem adulta, 29 anos, mas lendo as historias de dahl me transporto para um mundo de fantasias infantis a qual nunca tive. Parabens [roald dahl]

    • Oi Miriam,
      Na minha opinião, não existe idade para ler boas histórias, mesmo as infanto-juvenis. Sou fã de Roadl Dahl e de contos de fadas e sou mais velha que você, tenho 36. Obrigada por visitar meu blog e por compartilhar sua opinião. Abraços!

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